Anne Sexton

Anne Sexton

1928–1974 · viveu 45 anos US US

Anne Sexton foi uma poetisa americana que se notabilizou pela sua obra confessional e chocante, abordando temas tabu como a saúde mental, a sexualidade, o corpo feminino e a maternidade com uma franqueza brutal. A sua poesia, muitas vezes crua e visceral, explorou as profundezas da psique humana, as crises existenciais e os conflitos internos, refletindo as suas próprias experiências com doenças mentais e hospitalizações. Sexton desafiou as convenções literárias e sociais da sua época, utilizando uma linguagem direta e imagens poderosas para expressar a dor, a raiva e o desejo. O seu trabalho provocou tanto admiração pela sua honestidade radical quanto controvérsia pela sua natureza perturbadora, consolidando-a como uma voz única e influente na poesia americana do século XX.

n. 1928-11-09, Newton · m. 1974-10-04, Weston

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Sylvias Death

Sylvias Death

O Sylvia, Sylvia,

with a dead box of stones and spoons,

with two children, two meteors

wandering loose in a tiny playroom,

with your mouth into the sheet,

into the roofbeam, into the dumb prayer,

(Sylvia, Sylvia

where did you go

after you wrote me

from Devonshire

about raising potatoes

and keeping bees?)

what did you stand by,

just how did you lie down into?

Thief --

how did you crawl into,

crawl down alone

into the death I wanted so badly and for so long,

the death we said we both outgrew,

the one we wore on our skinny breasts,

the one we talked of so often each time

we downed three extra dry martinis in Boston,

the death that talked of analysts and cures,

the death that talked like brides with plots,

the death we drank to,

the motives and the quiet deed?

(In Boston

the dying

ride in cabs,

yes death again,

that ride home

with our boy.)

O Sylvia, I remember the sleepy drummer

who beat on our eyes with an old story,

how we wanted to let him come

like a sadist or a New York fairy

to do his job,

a necessity, a window in a wall or a crib,

and since that time he waited

under our heart, our cupboard,

and I see now that we store him up

year after year, old suicides

and I know at the news of your death

a terrible taste for it, like salt,

(And me,

me too.

And now, Sylvia,

you again

with death again,

that ride home

with our boy.)

And I say only

with my arms stretched out into that stone place,

what is your death

but an old belonging,

a mole that fell out

of one of your poems?

(O friend,

while the moons bad,

and the kings gone,

and the queens at her wits end

the bar fly ought to sing!)

O tiny mother,

you too!

O funny duchess!

O blonde thing!

February 17, 1963

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Anne Sexton, nascida Anne Gray Harvey, foi uma influente poetisa americana. Não utilizou pseudónimos ou heterónimos de forma proeminente. Nasceu em Newton, Massachusetts, a 9 de novembro de 1928, e faleceu em Boston, Massachusetts, a 4 de outubro de 1974. Originária de uma família abastada da Nova Inglaterra, a sua vida foi marcada por instabilidade emocional e problemas de saúde mental desde a juventude. Era cidadã americana e escreveu em inglês. Viveu num período de intensa transformação social e cultural nos Estados Unidos, incluindo os movimentos pelos direitos civis, feminismo e a guerra do Vietname.

Infância e formação

Cresceu numa família com tensões e problemas de álcool, o que contribuiu para um ambiente familiar disfuncional. A sua adolescência foi marcada por distúrbios emocionais e pelo abuso de substâncias. Frequentou o Garland Junior College e a Universidade de Stanford, mas a sua formação académica foi interrompida por crises de saúde mental. As influências iniciais incluíam a literatura clássica e contemporânea, bem como as suas experiências pessoais e terapêuticas. A análise psicanalítica teve um papel crucial na sua formação e na sua escrita.

Percurso literário

Sexton começou a escrever poesia de forma mais séria durante um período de internamento psiquiátrico nos anos 50, encorajada pelo seu terapeuta. A sua escrita evoluiu de forma notável, tornando-se cada vez mais confessional e ousada. A sua obra principal publicou-se a partir dos anos 60, com destaque para "To Bedlam and Part Way Back" (1960), que lhe trouxe reconhecimento imediato. Continuou a publicar poesia até ao fim da sua vida, com obras como "The Stars Were Ripe" (1971) e "The Awful Rowing Toward God" (póstumo, 1975). Colaborou em diversas revistas literárias e antologias. A sua obra é considerada um marco na poesia confessional.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras mais conhecidas incluem "To Bedlam and Part Way Back", "The Truth the Dead Know", "Live or Die" (que lhe valeu o Prémio Pulitzer de Poesia em 1967) e "Love Poems". Os temas dominantes na sua obra são a doença mental, a depressão, a maternidade, a sexualidade, o corpo feminino, a religião, a morte e a identidade. A sua forma poética, embora por vezes utilizando métricas tradicionais, era frequentemente marcada pela intensidade emocional e pela franqueza, com um tom confessional, irónico e por vezes revoltado. A linguagem de Sexton é direta, crua, imagética e muitas vezes perturbadora, usando metáforas ousadas para explorar o lado sombrio da experiência humana. Introduziu uma nova forma de confissão na poesia americana, abrindo caminho para outras vozes femininas. Foi associada ao movimento da poesia confessional e ao feminismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Anne Sexton emergiu como uma figura proeminente na poesia americana durante a década de 1960, um período de grande efervescência cultural e social nos EUA. A sua obra ressoou com o movimento feminista, ao dar voz às experiências e aos tormentos das mulheres numa sociedade patriarcal. O seu estilo desafiador e a sua temática chocante colocaram-na no centro de debates literários e sociais. A sua posição filosófica era complexa, oscilando entre o desespero existencial e uma busca espiritual, muitas vezes conflituosa.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Anne Sexton foi profundamente marcada por problemas de saúde mental, incluindo depressão e tentativas de suicídio. O seu casamento e a sua maternidade foram fontes de angústia e inspiração para a sua poesia. Manteve relações complexas com outros poetas e figuras literárias. Profissionalmente, a escrita era a sua principal atividade, embora tenha tido outros trabalhos pontuais. As suas crenças religiosas e espirituais eram ambivalentes e frequentemente exploradas na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Anne Sexton alcançou um reconhecimento significativo em vida, culminando com a atribuição do Prémio Pulitzer de Poesia em 1967, um feito notável para uma mulher e para a poesia confessional. A sua obra foi amplamente discutida e criticada, provocando reações diversas, desde a admiração pela sua coragem e honestidade até à repulsa pelo seu conteúdo perturbador. Tornou-se uma figura cult e influente na literatura americana.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sexton foi influenciada por poetas como W.H. Auden e pela tradição da poesia confessional. O seu legado é imenso, particularmente para a poesia escrita por mulheres e para a exploração da experiência feminina. A sua obra abriu portas para uma maior liberdade temática e estilística na poesia, inspirando gerações posteriores de poetas a abordar assuntos pessoais e sociais com honestidade e coragem. Continua a ser estudada em universidades e a sua influência é visível em muitos poetas contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Sexton é objeto de inúmeras interpretações, focando-se na sua exploração da psique humana, na crítica social e na condição feminina. As análises críticas abordam a sua relação com a psicanálise, o seu questionamento da fé religiosa e a sua capacidade de transformar a dor pessoal em arte universal. A complexidade da sua voz poética, capaz de alternar entre a vulnerabilidade e a agressividade, é um ponto central de debate.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso da sua vida é a sua atração por figuras religiosas e o seu interesse em explorar temas espirituais de forma não convencional. A sua vida e obra são um testemunho da luta contra a doença mental e da busca por significado e expressão artística. Os seus manuscritos, diários e correspondência são fontes importantes para o estudo da sua vida e obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Anne Sexton faleceu por suicídio em 1974, aos 45 anos, após uma longa batalha contra a depressão. A sua morte precoce e trágica marcou o fim de uma carreira literária prolífica e intensa. "The Awful Rowing Toward God", publicado postumamente, é um dos exemplos da sua obra que continuou a ser publicada e a ecoar após a sua morte.

Poemas

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Sylvias Death

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O Sylvia, Sylvia,

with a dead box of stones and spoons,

with two children, two meteors

wandering loose in a tiny playroom,

with your mouth into the sheet,

into the roofbeam, into the dumb prayer,

(Sylvia, Sylvia

where did you go

after you wrote me

from Devonshire

about raising potatoes

and keeping bees?)

what did you stand by,

just how did you lie down into?

Thief --

how did you crawl into,

crawl down alone

into the death I wanted so badly and for so long,

the death we said we both outgrew,

the one we wore on our skinny breasts,

the one we talked of so often each time

we downed three extra dry martinis in Boston,

the death that talked of analysts and cures,

the death that talked like brides with plots,

the death we drank to,

the motives and the quiet deed?

(In Boston

the dying

ride in cabs,

yes death again,

that ride home

with our boy.)

O Sylvia, I remember the sleepy drummer

who beat on our eyes with an old story,

how we wanted to let him come

like a sadist or a New York fairy

to do his job,

a necessity, a window in a wall or a crib,

and since that time he waited

under our heart, our cupboard,

and I see now that we store him up

year after year, old suicides

and I know at the news of your death

a terrible taste for it, like salt,

(And me,

me too.

And now, Sylvia,

you again

with death again,

that ride home

with our boy.)

And I say only

with my arms stretched out into that stone place,

what is your death

but an old belonging,

a mole that fell out

of one of your poems?

(O friend,

while the moons bad,

and the kings gone,

and the queens at her wits end

the bar fly ought to sing!)

O tiny mother,

you too!

O funny duchess!

O blonde thing!

February 17, 1963

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