António Cabrita

António Cabrita

1931–1990 · viveu 59 anos PT PT

António Cabrita é um poeta português contemporâneo, conhecido por sua poesia que transita entre o lirismo intimista e a reflexão sobre a condição humana e o mundo circundante. Sua obra se destaca pela linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens e sensações de forma pungente. Cabrita tem contribuído ativamente para a cena literária portuguesa, com uma produção que tem sido reconhecida pela sua originalidade e profundidade.

n. 1931-01-01, Silves · m. 1990-03-12

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SOPRA AS TUAS VELAS

O corpo com a idade impõe ora folga, ora um alpendre certo (com vinha de enforcado) aos apartes, enquanto surripia o humor aos corvos.
Um dia esquece-nos, expele pelos olhos uma faúlha preta, e eis-nos arredados
de toda a escuta como as flores de plástico, que macambuzam a televisão da avó.
Já fui mais festivo, fotografava ao acaso e, na ampliação, detectava a secreta geometria dos fundos, as gengivas que desbravam o riso de Deus.
Mais presciente a minha filha de três anos: «és a sereia Ariel ou o linguado?»
Nem hesita: o linguado!
Entra no teu silêncio e sopra as tuas velas, recomendava, astuto, o Victor Hugo
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Biografia

Identificação e contexto básico

António Cabrita é um poeta português. Informações sobre datas e locais específicos de nascimento, bem como detalhes sobre sua origem familiar, classe social e contexto cultural, são menos divulgados na esfera pública, o que é comum em muitos poetas contemporâneos que optam por manter um certo mistério em torno de suas vidas. Sua produção literária se dá em língua portuguesa.

Infância e formação

Detalhes sobre a infância e formação de António Cabrita não são amplamente conhecidos. Presume-se que, como muitos poetas, sua formação tenha sido marcada por um intenso contato com a leitura e um desenvolvimento autodidata de suas sensibilidades artísticas. As influências que moldaram seu início de percurso literário não são explicitamente detalhadas, mas é provável que tenha absorvido elementos da rica tradição poética portuguesa.

Percurso literário

O percurso literário de António Cabrita tem se desenvolvido ao longo do tempo, com a publicação de diversas obras poéticas. Seu início na escrita e a evolução de seu estilo são processos que se desdobram em sua produção contínua. É provável que tenha participado de antologias e compartilhado seus versos em plataformas literárias, contribuindo para a difusão de sua obra no cenário contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de António Cabrita é frequentemente marcada por um lirismo introspectivo e uma profunda reflexão sobre temas universais como o tempo, a memória, a natureza e as complexidades da existência humana. Seu estilo poético caracteriza-se pela busca por uma linguagem precisa e evocativa, capaz de criar imagens vívidas e de transmitir emoções de forma autêntica. Explora, de forma sensível, as nuances da condição humana e a relação do indivíduo com o mundo. A forma poética pode variar, mas o foco reside na expressividade e na profundidade das ideias e sentimentos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico António Cabrita insere-se no contexto cultural e histórico português contemporâneo. Sua poesia dialoga com as inquietudes e os desafios do mundo atual, refletindo sobre a sociedade, a cultura e a experiência individual dentro desse panorama. Embora não seja associado a movimentos literários específicos de forma explícita, sua obra contribui para a diversidade e a vitalidade da poesia portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de António Cabrita são escassas, privilegiando-se a atenção à sua obra. Como muitos artistas, é provável que suas experiências pessoais, suas reflexões íntimas e suas percepções do mundo moldem o conteúdo e a sensibilidade de seus versos, mas esses aspectos permanecem, em grande parte, no domínio do privado.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de António Cabrita tem crescido através da publicação e da circulação de seus livros. Sua poesia tem sido apreciada pela crítica e pelo público leitor que valoriza a profundidade e a qualidade estética. A receção de sua obra tende a se consolidar à medida que sua produção se expande e ganha maior visibilidade no meio literário.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas de António Cabrita possam não ser amplamente divulgadas, é certo que sua obra dialoga com a rica tradição poética portuguesa. Seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea, oferecendo uma voz lírica singular que explora as profundezas da experiência humana e da linguagem. Sua poesia continua a se desenvolver, influenciando leitores e, potencialmente, outros poetas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A interpretação da obra de António Cabrita pode variar, mas a sua poesia convida à introspeção e à reflexão sobre a condição humana. Os temas abordados abrem espaço para análises sobre a existência, a passagem do tempo e a busca por significado em um mundo em constante transformação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser um autor contemporâneo com um perfil mais discreto, muitos aspetos de sua personalidade e de seus hábitos de escrita permanecem como curiosidades a serem desvendadas pelo público e pela crítica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Por ser um autor em atividade, não há informações sobre sua morte ou publicações póstumas.

Poemas

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SOPRA AS TUAS VELAS

O corpo com a idade impõe ora folga, ora um alpendre certo (com vinha de enforcado) aos apartes, enquanto surripia o humor aos corvos.
Um dia esquece-nos, expele pelos olhos uma faúlha preta, e eis-nos arredados
de toda a escuta como as flores de plástico, que macambuzam a televisão da avó.
Já fui mais festivo, fotografava ao acaso e, na ampliação, detectava a secreta geometria dos fundos, as gengivas que desbravam o riso de Deus.
Mais presciente a minha filha de três anos: «és a sereia Ariel ou o linguado?»
Nem hesita: o linguado!
Entra no teu silêncio e sopra as tuas velas, recomendava, astuto, o Victor Hugo
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ANTERIOR À CARNE

Eis o passe-vite: um Deus trabalha em ti,
ilegalmente. Não se deslinda o que o atrai
às junções, a ideia fixa, mas o teu corpo
é o seu placebo, o seu sistema de radares.
Que guerra o move, exterior ao monte de feno
onde dormitas? Que afago atraiu o abelhão
que flamejou num intenso negrume a mão?
E porquê esta, inocente, que nunca depenou
perdiz? Fala-se do Tempo, um crânio
que se locomove a vapor
contra a evidência galopante das imagens.
O abismo alça-se, dentro,
anterior à carne. Fuck!
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AUTO-RETRATO NUM CAMPO DE RÂGUEBI

Intercepta-me o espelho, o mais eficaz placador de râguebi. Eis-me inteiro na carne
amassada que a prata me devolve. Salva-me o olhar, surrado mas nada merencório
pois amanhã colherá sol – e chuva – e pernas morenas.
O que o tempo dispensa é a conversa fiada, a crença de que um seio
possa erguer um amor de alvenaria, ao abrigo de aguaceiros,
enquanto nos confia a paciência e a calva luz do humor
que vai desanuviando em nós a falta de Deus.
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A CONDIÇÃO DO POEMA

Não te desanime a sina de papagaio
preso ao poleiro de certas palavras vãs,
já pútridas, e de cadências clânicas,
num mundo devotado ao desapego.
Traças um mapa de ausências:

ao norte rareiam os albatrozes - quem
adivinha várzeas no subsolo das portagens,
licornes no esmaecido das gravuras,
se desertos já ruminam o Amazonas?
Em Maputo, onde o coração s’areja,

não falta a miséria. Em que desvelos
novos querias tu a língua, essa eterna
caloteira? Qual é o teu abrandamento
de onda? Disso depende o que vês.
Mesmo do poleiro onde ferves a 500º

Celsius. Não te desanime o desígnio
d’ave coada pelo agoiro. A voz que ‘tava
na cave é o tremor que te respira, a gaguez
em que embates no escuro, o halo - consorte
da morte - que te aguça os olhos.
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