Lista de Poemas

Pressentida Saudade

Pressentida saudade
Deste presente
Nos longes do meu futuro.

Corpo que apalpo
E que enlaço
E que prevejo a perda.

A saudade futura
Me oprime o presente
Que vivo.

951

Todo Dia

Todo dia
Pedaços de mim
Em esgotos.

Toda noite
A alma triste
E o desgosto.

No rio final
Afinal o encontro:
Esgotos, desgostos.

777

Sempre em Todos na Manhã

Sempre em todos na manhã
A noite na face

De manhã
Ao meio-dia, à tarde,
À noite,
A noite na face.

Nos profundos
E magoados olhos fundos
A noite.

Na noite,
Pleno encontro de tudo,
De todos.

772

Nossa Senhora da Piedade

Acolho-te em meus braços
Corpo exangue no cansaço
Dos beijos e da comunhão.

És agora o filho que não tive:
Pernas distanciadas, flexionadas
Sobre meu corpo em solidão.

Foi tão profundo o encontro
Foi tão dor e alegria
E o momento eterno, agonia.

Não te vejo mais como humano,
Teus olhos semi - cerrados ardem
Na antiga posse já redimida.

Não te vejo mais como irmão,
Tua boca semi - aberta, dentes
Que foram instrumentos de paixão.

Foste um Deus em meu caminho,
Jato de luz, campo de flores e carinhos,
Plenitude de êxtase e desejos.

Foste um Deus vivo em minha vida
E agora, lasso, te sustento em meu abraço,
Homem que se entregou ao longe do espaço...

1 057

Nem é esta a mesma rua que passo

Nem é esta a mesma rua que passo
A mesma rua por onde passava.
Nem é o mesmo eu que carrego
O antigo eu que antes carregava.

A rua é a mesma, eu sei...
Mesmas árvores ( só que mais frondosas )
Mesmas pedras ( só que mais usadas )
Mesma distância entre uma e outra calçada.

O que está comigo parece o mesmo eu...
Mesma ânsia de viver, mesmas dores,
Mesmos sonhos de criança, ardores,
Mesmo jovem que caminhava em ilusão,
Mesmo deslumbramento imaginoso em solidão.

Mas sinto como uma pressão no sangue
Que nem é a mesma rua que agora passo
E nem é o mesmo quem que hoje comigo carrego,
Os de outrora....

Aconteceram tantas quedas, tantos silêncios
E o vento...

764

Poema das Vinte Horas

Vinte horas...
E te quedas jogado no meio da estrada,
Livre do corpo
Morto.

Vinte horas...
A lua estática e longíqua
As estrelas, os brilhos, os sonhos
E te quedas alí
No meio da estrada...
Morto.

Vinte horas, vinte minutos
Vinte séculos
Eternidade.

Não verás mais o sol
Ou já chegaste ao centro dele?
Mas teu corpo jogado
No meio da estrada...
Morto.

Vinte horas....
Vinte amigos, vinte irmãs, vinte mães,
Vinte santos, vinte vidas, vinte mortos,
Vinte, vinte, vinte...

E no meio da estrada
Jogado o corpo morto.
E tua memória nas memórias dos que ficam.
Um momento às vinte horas
E trocaste teu corpo morto
Pela eternidade de tua alma?
Ou lembranças nos homens que ficam?

Dos que fica à espera...
À espera apenas
De suas próprias vinte horas!

951

Vislumbres

1
A pedra está ausente
Mas fixa
Meu eterno pensamento.

2
O jacarandá floresce
Roxas
O vento leva --- as flores.

3
Abro os olhos
Na noite
É lua cheia --- sonho.

4
No canto a aranha
Tece
Uma cadeia de silêncio.

5
A palavra lançada
No silêncio
O eco responde: Nada.

6
Ainda existe o sol
Outono
O frio espreita na colina.

7
No centro da mata
Pássaros voam
Nuvens por entre as folhas.

8
Flor --- contínua ternura
Dói
Ela murchar no vaso.

9
O pássaro de asas molhadas
Na noite
Espera a alvorada.

10
Chove miúdo e calmo
No distante
A noite floresce.

11
Rápido na estrada
O lagarto
Torna verde o caminho.

12
Deitadas sob a terra
Raízes
Sonham folhas e flores.

13
É lua cheia
Em teu corpo
Meu pássaro pousa para sempre.

14
O vôo do pássaro
Silencia
A dor da despedida.

15
Ponha asas
Em teu corpo
A montanha é no longe.

16
Faz sol sobre o campo
A chuva
Molhou meus cabelos.

17
Viro mais uma folha
Do livro
E o segredo continua.

18
Falei contigo tantas palavras
E mais
Palavras. Que restou?

19
Caminha --- tua sina
Andar
Até curvar e silenciar.

20
Não vôo mais
É tarde
O repouso é necessário.

21
Sem dor --- é a despedida
Adeus
Flores roxas e amarelas.

22
Este é o abraço
Final
O único que importa.

23
Jogo a pedra pro alto
Silêncio
Círculos se formam no lago.

24
Veloz a garça
Se esgarça
Escuro seu tempo.

25
Solto o lápis da mão
No chão
Palavras caladas.

26
Brancos cabelos
Outono
Antiga primavera na cabeça.

27
O selo não veda
O livro
Dentro -- o Infinito.

28
Há arco - íris
No céu
O resto é silêncio.

29
O touro pára
A capa
É vermelha e a espada.

30
Não penso nada
Na brisa
Um aroma de passado.

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joao antonio rossi junior
joao antonio rossi junior

inteligente e perspicaz , iluminado

Identificação e contexto básico

Nome: Antonio Ferreira dos Santos Júnior. Nacionalidade: Português.

Infância e formação

Informações sobre a infância e formação de Antonio Ferreira dos Santos Júnior não são amplamente documentadas em fontes literárias de referência.

Percurso literário

O percurso literário de Antonio Ferreira dos Santos Júnior é marcado pela publicação de obras poéticas. A sua atividade como poeta insere-se, provavelmente, num contexto de produção literária menos central, mas não menos significativo para a diversidade de expressão poética. Os detalhes sobre o início da sua escrita e a sua evolução estilística não são amplamente conhecidos.

Obra, estilo e características literárias

As obras conhecidas de Antonio Ferreira dos Santos Júnior apresentam uma poesia que tende a abordar temas do quotidiano e da intimidade, com uma linguagem que pode variar entre o mais direto e o mais elaborado, dependendo da obra específica. O estilo pode ser caracterizado por uma sensibilidade particular para os detalhes da vida, procurando, possivelmente, uma forma de conexão com o leitor através de experiências partilhadas. A análise aprofundada de seus recursos poéticos e métrica dependeria de um estudo detalhado de suas publicações.

Contexto cultural e histórico

Inserido no contexto literário português, Antonio Ferreira dos Santos Júnior representa uma das muitas vozes que contribuíram para a riqueza da produção poética do país. Sem informações específicas sobre a sua participação em movimentos literários ou a sua relação com contemporâneos, presume-se que a sua obra se desenvolveu num ambiente cultural que permitiu a expressão de diferentes estilos e sensibilidades.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de Antonio Ferreira dos Santos Júnior, incluindo relações afetivas, familiares ou outras atividades profissionais, não são de fácil acesso nas fontes literárias consultadas.

Reconhecimento e receção

Informações sobre o reconhecimento e a receção crítica da obra de Antonio Ferreira dos Santos Júnior são limitadas. A sua obra pode ter tido maior circulação em âmbitos regionais ou específicos, sem atingir uma projeção nacional ampla ou um reconhecimento académico extensivo.

Influências e legado

Sem dados concretos sobre as suas influências ou o seu legado, é difícil determinar o impacto específico de Antonio Ferreira dos Santos Júnior na literatura. No entanto, a sua contribuição, como a de outros poetas, enriquece o mosaico da poesia portuguesa.

Interpretação e análise crítica

A interpretação crítica da obra de Antonio Ferreira dos Santos Júnior seria facilitada com um acesso mais amplo às suas publicações e a estudos dedicados. A análise tenderia a focar-se nos temas abordados e na forma como o poeta os expressou.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Existem poucas curiosidades ou aspetos menos conhecidos sobre Antonio Ferreira dos Santos Júnior amplamente divulgados.

Morte e memória

Informações sobre a data e as circunstâncias da morte de Antonio Ferreira dos Santos Júnior, bem como sobre eventuais publicações póstumas, não estão disponíveis em fontes de acesso público.