Lista de Poemas

Vida e Sonhos

Eu quero a vida com sonhos,
eu quero os sonhos com vida.
Não quero a vida sem sonhos,
não quero os sonhos sem vida.

Nos dias de grande lida,
os instantes mais risonhos
são sempre cheios de vida,
são sempre cheios de sonhos.

Esta vontade mantida
com muita vida, com sonhos,
é porque os sonhos têm vida
e porque a vida vida tem sonhos.

Que viva a vida com sonhos,
que vivam sonhos com vida,
e morra a vida sem sonhos,
e morram sonhos sem vida.

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Volta da Pesca

A tarde vai morrendo mansa e boa...
Tudo é recolhimento, nostalgia.
Lá ma torre da Ajuda um sino soa,
Enche o espaço de sons da Ave Maria.

A sombra cai. Um Pássaro não voa.
Vão-se os violáceos tons do fim do dia.
Sobre, singrando o rio, uma canoa:
Volta Manuel Monção da pescaria.

Com seus oitenta esplêndidos janeiros,
Frente à casa da rua dos coqueiros,
Fundeia, apanha o cofo, o remo, a vela

E à noite, após o cafezinho quente,
Fuma e cochila, sossegadamente,
Sentado no sofá, junto à janela.

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Fim

(Para minha musa morta)
Tu partiste e eu fiquei sofrendo a vida,
Pois nosso amor morreu. A desventura
Tomou conta de mim, alma possuída
Pela desesperança que amargura.

Nosso amor foi manhã, quando nascida,
E hoje, que se acabou, é noite escura,
Ave que tomba pela dor ferida,
Sonho que não é berço: é sepultura.

Nosso amor floresceu em campo aberto...
Hoje, sem mais florir, lembra um deserto
Que de lembranças imortais se junca.

Tudo acabou, depois de tantos anos.
Resta, além de silêncio e desenganos,
Minha saudade que não morre, nunca.

1 002

Semeador

Busca semear, na vida, o próspero e fecundo
Grão do teu sentimento. E verás, algum dia,
A árvore produzir, para a glória do mundo,
Flores e frutos bons, de humildade e alegria.

Vela o sono fugaz do infeliz moribundo,
E esquece a própria dor que tanto te angustia,
Porque o alheio mal é maior, mais profundo,
E o teu destino é encher a mão que está vazia.

Pede a Deus, que te vê da pupila dos astros,
Pelos que vivem sós, pelo destino incerto
Desses que vão e vêm, onde há velas e mastros.

E nunca, em toda a vida, o desamor te vença
Teu dever é florir o mais bruto deserto,
Sem, ao menos, pensar na menor recompensa.

1 885

Maria

Eu vivo procurando, na cidade,
A casa onde Maria está morando.
Ela veio, eu fiquei, mas a saudade
Me faz andar por ela perguntando.

É loucura, talvez, da mocidade,
Por ela andar perdido como eu ando.
Porém, minha maior felicidade
É encontrá-la, e eu não sei como nem quando.

Intensificarei minha procura,
Pois, se eu perder Maria, a desventura
Virá morar comigo noite e dia.

Vou publicar este soneto agora...
Se alguém o ler, sabendo onde ela mora,
Mande dizer-me onde encontrou Maria.

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Pássaros

O espaço era cheio de asas
porque os pássaros chegaram

As árvores estremeceram
porque os pássaros pousaram.

O silêncio fugiu
porque os pássaros cantaram.

Sonho, por que vieste em forma de asas?
Desejo, por que vieste em forma de pouso sutil?
Esperança, por que vieste em forma de canto?

E os pássaros partiram...
E com eles, o pássaro da Infância,
O pássaro da Juventude,
O pássaro da Mocidade.

Quando o silêncio retornou,
só havia o pássaro da Velhice:
veio para ficar.

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Identificação e contexto básico

Bráulio de Abreu é um poeta contemporâneo, de nacionalidade portuguesa. A sua obra é escrita em língua portuguesa e insere-se no contexto da poesia lusófona atual.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Bráulio de Abreu não estão amplamente disponíveis. No entanto, a sua obra sugere uma formação cultural sólida e uma sensibilidade literária apurada.

Percurso literário

O percurso literário de Bráulio de Abreu tem vindo a desenhar-se no cenário da poesia contemporânea. A sua escrita revela uma evolução constante, explorando diferentes facetas da expressão poética e consolidando a sua voz no panorama literário.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Bráulio de Abreu é frequentemente caracterizada pela exploração de temas como a memória, a passagem do tempo, a identidade e a complexidade das relações humanas. O seu estilo poético é lírico e introspectivo, marcado por uma linguagem cuidada e pela procura de profundidade imagética e conceptual. Utiliza recursos que convidam à reflexão e à contemplação, com um tom por vezes melancólico, por vezes esperançoso.

Contexto cultural e histórico

Bráulio de Abreu insere-se no contexto cultural e literário contemporâneo, dialogando com as tendências e as preocupações da poesia atual. A sua obra reflete, de forma implícita ou explícita, as inquietações e os desafios do mundo em que vive.

Vida pessoal

Os pormenores sobre a vida pessoal de Bráulio de Abreu não são amplamente divulgados, mantendo um certo mistério em torno da figura do autor.

Reconhecimento e receção

A receção da obra de Bráulio de Abreu tem sido positiva entre leitores e críticos que apreciam a sua poesia introspectiva e reflexiva. O seu reconhecimento tem vindo a crescer no meio literário.

Influências e legado

O legado de Bráulio de Abreu assenta na sua capacidade de criar poesia que toca o leitor pela sua autenticidade e pela profundidade dos temas abordados. A sua influência manifesta-se na forma como a sua obra ressoa com o público contemporâneo.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Bráulio de Abreu oferece múltiplas camadas de interpretação, convidando a uma análise sobre a condição humana, a natureza do tempo e a importância da memória na construção do indivíduo.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Até ao momento, não há informações divulgadas sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou obra de Bráulio de Abreu.

Morte e memória

Como poeta contemporâneo, não há registos de morte para Bráulio de Abreu.