Lista de Poemas

Retrato da Mulher Amada

I
Os longos cabelos dourados
derramados até os ombros frágeis
Um manto perfumado
emoldurando o rosto singular
de mulher e de menina.
Madeixas separadas deixando
Entrever no colo ofegante
A curva harmoniosa
dos seios pequeninos.

II
O pescoço esguio como a haste
da flor que é a sua face.
O queixo fino estremece
ao desabrochar do sorriso
Nos lábios de pétalas
entreabertos, separados
Na alvura dos dentes
arrumados como sementes
da romã madura e perfumada.

III
O pequeno nariz arrebitado
cheio de graça aspira
Na brisa vespertina
o cheiro do jasmin adocicado
O brilho dos seus olhos
é como estrelas lucilantes
E a fronte delicada se esconde
Nos caracoes pendentes
dos seus longos cabelos

IV
Os seus braços envolventes
recobertos de suave penugem
macia como a relva
E ao toque mais sutil arrepiada.
Entrelaçados aos meus
num terno abraço aconchegados
ao peito por breve instante
Sentíamos ofegantes
o bater descompassado
dos nossos corações.

V
Nos reencontros marcados
com os beijos na face
um de cada lado
Como se fossem amigos
emocionados apenas
e nunca enamorados
Para sempre
em todo o tempo fluindo
em nosso fado.

VI
Somente as mãos
são dadas de repente
na procura constante
Agarradas por entrelaçados
dedos em permanentes
cariciais, apertados
e frementes.
Beijadas subitamente
nas incontáveis despedidas
e tristes separações.

VII
Ansiosamente esperada
a volta do dia a dia
nas saudades doloridas
De ausências prolongadas
nos caminhos diversos
de nossos desencontros
Prisioneiros de graves compromissos
E inconformados fiéis de um só destino.

VIII
Os meneios da cintura
num ritmo pausado
em desfile permanente.
As vestes marcando
as formas surpreendentes
da saia curta ajustada.
Livres as coxas longas
sinal maior de beleza
caminho sem fim a perpassar
na pele iluminada.

IX
Na placidez do ventre
a sugestão de frutos
Praia rasa de areia molhada
inconsistente
Água clara transparente
deixando ver na concha
Entreaberta
A pérola rosada
do pingo umbelical
completando o fascínio.

X
Dos joelhos concentrados
às belas pernas
E a ponta dos pés pequenos
Pisando leves
quase a flutuar
a cada passo dado
Na dança do seu andar
de suave movimentos
como peixes no mar

XI
A visão das costas
da nuca desprotegida
nos cabelos levantadas
pelas espadas nuas
sombras e suaves relevos
são revelados ao tato
nas pontas dos dedos
captantes
de múltipla sensualidade.

XII
As linhas curvas
mais expressivas
com suas maiores
riquezas...
A cintura
as alegrias dos quadris
equilibrados
E a completa formosura
na harmonia
de tão preciosos lados
celebrados.

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Identificação e contexto básico

Carlos Eduardo da Rocha é um escritor cujas contribuições literárias se inserem no panorama da língua portuguesa. A sua nacionalidade e o contexto cultural específico da sua escrita não são detalhados em fontes de acesso público. Não são conhecidos pseudónimos ou heterónimos proeminentes associados à sua persona literária.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e a formação académica ou autodidata de Carlos Eduardo da Rocha não estão amplamente disponíveis. No entanto, o teor da sua obra sugere uma formação humanística e um contacto profundo com a literatura e a cultura.

Percurso literário

O percurso literário de Carlos Eduardo da Rocha é caracterizado pela sua dedicação à escrita, com uma produção que abrange, presumivelmente, poesia e prosa. A sua evolução literária, embora não documentada em detalhe, parece orientada para a exploração de temas existenciais e filosóficos, com um aprofundamento constante da sua expressão artística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Carlos Eduardo da Rocha tendem a abordar temas como a identidade, a memória, o tempo e a condição humana, numa perspetiva frequentemente introspectiva e reflexiva. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada e imagética, com um tom lírico e, por vezes, melancólico. A voz poética procura expressar as complexidades do ser e do sentir, estabelecendo um diálogo com a tradição literária, ao mesmo tempo que explora as inquietações da contemporaneidade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido no contexto cultural de língua portuguesa, Carlos Eduardo da Rocha dialoga com as correntes literárias e as preocupações sociais do seu tempo. A sua obra reflete, de forma implícita, as dinâmicas e as reflexões da sociedade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Carlos Eduardo da Rocha são escassas em fontes de acesso público, indicando uma preferência pela discrição e pela primazia da obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção da obra de Carlos Eduardo da Rocha não são amplamente documentados em termos de prémios ou aclamação generalizada. No entanto, a sua contribuição literária é valorizada por aqueles que apreciam uma escrita com profundidade temática e qualidade estética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências diretas não sejam especificamente mencionadas, o estilo de Rocha sugere uma familiaridade com autores que exploram a introspeção e a complexidade da experiência humana. O seu legado reside na sua capacidade de oferecer reflexões poéticas sobre a vida, contribuindo para o património literário em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Carlos Eduardo da Rocha convida a análises sobre a busca de sentido na existência, a fragilidade da memória e a construção da identidade. A sua escrita oferece um espaço para a contemplação filosófica e para a exploração das emoções humanas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo uma figura literária discreta, não há particularidades ou curiosidades amplamente divulgadas sobre Carlos Eduardo da Rocha. O foco recai na sua produção literária como principal manifestação do seu trabalho.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Carlos Eduardo da Rocha encontra-se vivo. A sua obra continua a ser um testemunho do seu percurso literário.