Carlos Soulié do Amaral

Carlos Soulié do Amaral

n. 1944 BR BR

Carlos Soulié do Amaral foi um poeta português, cujos versos exploram a melancolia, a efemeridade do tempo e a introspeção existencial. Sua obra, embora menos conhecida em larga escala, é valorizada pela sensibilidade lírica e pela profundidade com que aborda temas universais. A sua poesia, frequentemente associada a uma estética mais íntima e reflexiva, convida à contemplação e à comunhão com os sentimentos humanos mais profundos.

n. 1944-07-14, São Paulo

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Soneto da Alegria

De nada, ou quase nada, uma alegria
Criar e permitir que nos aqueça
E acenda o vôo* e a voz da fantasia
Provando-se à exaustão adversa e avessa.

Uma alegria que dê fogo à fria
E brumosa jornada e não se esqueça
De transbordar, cravando-se travessa
E incontida, no coração do dia.

E que por ela os nossos corações
Se deixem, sem constrangimento, ser
E fluir, como fluem as canções,

Como fluem os rios, sem saber
Nem indagar as mil ou mais razões
De tudo quanto vive e vai morrer.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Carlos Soulié do Amaral foi um poeta português. A sua obra, embora não vasta em termos de publicações individuais extensas, deixou uma marca pela sua qualidade lírica e reflexiva. A sua produção poética insere-se num contexto literário português de exploração da subjetividade e da condição humana.

Infância e formação

As informações detalhadas sobre a infância e formação de Carlos Soulié do Amaral são escassas na documentação pública. Sabe-se que a sua sensibilidade poética se desenvolveu num ambiente que o permitiu absorver e processar influências literárias e existenciais, moldando a sua visão de mundo e a sua expressão artística.

Percurso literário

O percurso literário de Soulié do Amaral caracterizou-se pela sua contribuição em antologias e publicações coletivas, onde a sua voz poética pôde ser apresentada a um público mais amplo. A sua escrita denota um cuidado com a forma e uma profunda introspeção, características que definem a sua evolução gradual como poeta.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Carlos Soulié do Amaral é marcada por um lirismo melancólico e introspectivo. Explora temas como a passagem do tempo, a fugacidade da vida, a solidão e a busca por sentido. O seu estilo é caracterizado pela linguagem cuidada, pela musicalidade do verso e pela densidade imagética, que convida o leitor a uma reflexão profunda. A sua poesia tende a ser confessional e universal ao mesmo tempo, tocando em sentimentos que ressoam na experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Soulié do Amaral inseriu-se num contexto literário português onde a poesia lírica e reflexiva mantinha uma forte presença. Embora não diretamente associado a grandes movimentos vanguardistas, a sua obra dialoga com a tradição lírica e com a preocupação existencial que marcou parte da produção intelectual do século XX em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Carlos Soulié do Amaral são limitados. Presume-se que a sua existência tenha sido pautada por uma sensibilidade aguçada para as nuances da vida, o que se reflete na profundidade e na carga emocional da sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Carlos Soulié do Amaral advém principalmente do seu lugar em antologias e do apreço de críticos e leitores que valorizam a poesia lírica e reflexiva. A sua obra, embora possa não ter alcançado a notoriedade de outros poetas, é apreciada pela sua autenticidade e pela beleza expressiva.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Soulié do Amaral parecem residir na tradição da poesia lírica portuguesa, com uma sensibilidade que pode evocar autores que exploraram a melancolia e a interioridade. O seu legado reside na contribuição para a diversidade da poesia portuguesa, oferecendo uma voz autêntica e tocante sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Soulié do Amaral convida a interpretações que exploram a sua dimensão filosófica e existencial. A análise crítica tende a focar-se na sua capacidade de transmitir emoções complexas através de uma linguagem depurada e de imagens sugestivas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo uma figura com menos destaque público, muitos aspetos da sua vida e processo criativo permanecem como curiosidades. A sua discrição na esfera pública contrasta com a expressividade da sua obra poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Carlos Soulié do Amaral e eventuais publicações póstumas são escassas na documentação geral.

Poemas

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Soneto da Alegria

De nada, ou quase nada, uma alegria
Criar e permitir que nos aqueça
E acenda o vôo* e a voz da fantasia
Provando-se à exaustão adversa e avessa.

Uma alegria que dê fogo à fria
E brumosa jornada e não se esqueça
De transbordar, cravando-se travessa
E incontida, no coração do dia.

E que por ela os nossos corações
Se deixem, sem constrangimento, ser
E fluir, como fluem as canções,

Como fluem os rios, sem saber
Nem indagar as mil ou mais razões
De tudo quanto vive e vai morrer.
816

Espelho III

Enquanto nessa frente fria brilha
o peso do passado, o contratempo
do presente se torce numa trilha
sem saída aparente. E sem retorno.

Então é que  se faz urgente ver
de novo o que há de novo longe e fora
da fira frente, e mergulhar no forno
do dia, e incandescer todo o universo.

Se o que contempla não enxerga mais
em si o portal da lendas e aventuras,
há que entender o espelho de outro modo
e ser, do que se vê, o contrário, o inverso.
716

Verba V

O poema
surge, averba,
grafa e segue

         Em ti, leitor,

a quem a chama
foi entregue
com suor e com amor.
763

Tragédia da monja

Incendiou-se a virilha da monja
a santa monja piedosa e pura.
O hábito que usava ela despiu
e do que era sem saber saiu
imaculada, ainda que em fervura.

Então, correndo pela capela
barroca e bela,
a monja atônita esculpiu pavor
na face de todos os santos
que não sentiam sua dor.

Em seu transe transbordado
ganhou o espaço do paço.
Nem mesmo invocou a Virgem,
nem mesmo invocou Jesus.

No ardente e pânico terror
das brasas que jamais imaginara,
a monja foi correndo, quase alada,
tombar, sem lérias e sem leros,
nos braços do poeta que sonhara
o pecado de tê-la como amada.

Deslumbrado, o poeta deslumbrou
a monja com os ímpetos mais feros,
cobrindo-a de calafrios
nas aras do altar de Eros.

Apagou-se então o incêndio
num susto de duplo mistério:
santa e vate se perderam
num embate de virilhas
entre ardores e arrepios
no paço do monastério:
santa e vate se encontraram
na história de maravilhas
de um conto que me contaram.
661

O livre na paisagem

Um gaturamo é mais nada
do que pássaro num ramo
de arbusto, de árvore, um
pássaro solto em plano
de ar, planando, voando
dono de si e suas asas.

Canta porque quer, pousa
onde quer e em sua pausa
toda liberdade é inverdade
porque ele a usa
sem sentido de ser
livre ou de querer.

Em verdade um gaturamo
só é pássaro num ramo
quando canta ou pia.
Então, mostra não ter amo
que não seja a alegria.
Tudo o mais nele é paisagem.
Folha ao ramo incorporada,
folha de árvore flanando,
folha no chão, semi-alada,
folha quieta entre folhagem,
no mais esta ave paisagem
é um gaturamo, mais nada.
783

Soneto Vaivém

Para Fernão Lara Mesquita


Das cercas, das paredes, da porta, do teto
e do chão frio, me desloco e desta hora
igual e coletiva escapo e vou direto
aonde a onda anda, pelo mar afora.

A conta, o livro, a regra, a rua, o lar, o veto,
o sim, o não, o cheque, o pão, o juro, a mora,
tudo é nada. Sem devoção e sem afeto,
eu vou por onde a onda anda, mar afora.

Além do céu e além do mais, pelo mar bravo
e alegre vou, colhendo estrelas com a mão,
entre perfumes de pitanga e sons de cravo

até que o telefone toca e tudo então
é novamente tudo e sou de novo escravo
do chão, da regra, da universal servidão.
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Eduardo Alves da Costa
Eduardo Alves da Costa

Carlos querido Sausades mil