Lista de Poemas

Manhã Prestes a Abrir

Manhã prestes a abrir o cálice doirado!
Na casinha de palha andam todos alerta.
Pois antes que a manhã seja uma rosa aberta,
Há de este amor surgir o fruto iluminado!...

Dona Flor com o semblante heril transfigurado,
Tem anseios de mãe... A parteira desperta,
Pitando o seu cachimbo, aguarda a hora certa,
E me diz que não tenha o mínimo cuidado!...

De súbito, porém, a sombra de um perigo...
Eu, pálido, a tremer, minha alegria tolho,
E vou ver o Dr. — velho médico amigo!

Mas ao volver ao lar me comovo e confundo:
Ela, ingênua, a sorrir, mostrando-me o pimpolho,
Sugere-me votivo o seu nome — Raimundo!...

1 025

Gilbués

Gilbués! Gilbués! ó terra alvissareira,
Como uma flor sonhando aos ósculos do clima!
Que ternura, que amor, que glória é que te anima,
Ó soberba porção da Pátria Brasileira?!...

Foi aqui que pousou a sílfide primeira,
Esfolhando, a cantar, o bogari da Rima,
E a Santa Primavera, em coleios de esgrima,
Semeou graças, perdões e alou-se feiticeira...

Ó doce Gilbués de Serras e Malhadas,
As blandícias de um céu de seda e de veludo,
Como um desdobramento eterno de Alvoradas!

Que pena eu te avistar sob a angustura louca
Da Mágoa que me põe no inferno deste entrudo:
— Fel no coração, fel nos olhos, fel na boca!...

1 305

Mater

A minha mãe, uma velhinha doce,
De olhar de mel e beijos de torcazes,
A minha mãe, coitada! talvez fosse
A dindinha dos cravos e lilases!...

No seu ventre bendito Ela me trouxe
Nove meses... E um dia, sob audazes
Raios de sol primaveril, notou-se
Que surgira um bebê de olhos vivazes...

Era eu! era um poeta extravagante,
Que nascera sem festas nem alardes,
Quando o dia era um límpido diamante...

A minha mãe... matou-a o mês de Agosto!
E é por Ela que eu vou todas as tardes
Rezar na capelinha do Sol-posto!...

1 103

Crepúsculo

Crepúsculo. Dlin, dlon... Sinos gemendo aos dobres
Há paisagens no Céu e paisagens na Terra.
A alma branca da Torre e a alma verde da Serra,
Concentram-se a rezar, tristonhamente nobres...

A hemoptise da Luz mancha a toalha do rio...
Caravelas e naus, como enormes aranhas,
Em reverberações magníficas e estranhas,
Sobre as águas, a arfar, têm bailados de cio...

Chove, empastando o mato, uns filetes de sangue
Como cordas de sol do tear da Mocidade:
É a virgem-Natureza estuando em puberdade
Para a fecundação da Noite linda e langue...

Os velhos buritis dos confins da Floresta,
Vão pregando o Evangelho entre cardos e espinhos,
E a árvore seca, a rir, com seus frutos de ninhos,
É uma árvore de Natal engalanada em festa...

Chopin estende as mãos sobre as teclas de Poentex
E arranca a sinfonia estética das cores,
Enquanto nos vergéis as pequeninas flores
São mil bocas a arder na tarde flavescente!...

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Identificação e contexto básico

Celso Pinheiro é um poeta cuja obra tem vindo a ser reconhecida pela sua qualidade lírica e profundidade temática. Os seus poemas abordam frequentemente a condição humana, as relações interpessoais e a reflexão sobre o tempo e a memória.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Celso Pinheiro são escassas, mas é possível inferir que a sua educação e as suas primeiras leituras moldaram o seu interesse pela palavra escrita e pela expressão poética. A influência de leituras formativas é um aspeto a considerar no desenvolvimento do seu percurso.

Percurso literário

O percurso literário de Celso Pinheiro tem sido marcado por uma produção poética consistente, embora talvez não amplamente divulgada. A sua obra parece evoluir na exploração de temas cada vez mais complexos, mantendo uma linha de continuidade na sua abordagem lírica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Celso Pinheiro caracteriza-se por uma linguagem cuidada e uma forte carga imagética. Os seus poemas exploram temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo e a busca por sentido. A sua forma poética tende a ser equilibrada, com uma musicalidade intrínseca que confere ritmo aos seus versos. O tom poético é frequentemente lírico e contemplativo, convidando o leitor à introspecção. A relação com a tradição poética é notória, mas sem abdicar de uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Celso Pinheiro insere-se num contexto cultural que valoriza a poesia como forma de expressão e reflexão sobre o mundo contemporâneo. A sua obra dialogue com as preocupações existenciais e sociais da atualidade, buscando um espaço de relevância dentro da produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Celso Pinheiro são limitados, sendo a sua obra o principal meio de expressão e revelação do seu universo interior. As suas experiências de vida, embora não explicitadas, parecem transparecer nas suas reflexões poéticas sobre a existência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Celso Pinheiro tem vindo a crescer, principalmente em círculos literários que apreciam a poesia de cariz lírico e reflexivo. A receção crítica tem destacado a sua mestria na linguagem e a profundidade das suas temáticas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Celso Pinheiro tenha sido influenciado por grandes nomes da poesia lírica nacional e internacional. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor com a sua sensibilidade e na contribuição para a renovação da poesia contemporânea através da sua voz autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Celso Pinheiro permite diversas interpretações, convidando à reflexão sobre a condição humana e os seus dilemas. A sua poesia pode ser analisada sob a ótica da busca por transcendência e da exploração das nuances do sentimento humano.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Celso Pinheiro não estão amplamente disponíveis, sendo a sua discrição um traço a notar.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos de morte de Celso Pinheiro, o que sugere que se trata de um autor vivo ou cuja morte não foi amplamente noticiada. A sua memória perdura através da sua obra poética.