Hoje faz 36 anos da morte de Djalma Filho
Djalma Filho

Djalma Filho

1939–1990 · viveu 50 anos BR BR

Djalma Filho foi um poeta angolano conhecido pela sua obra que explora as complexidades da identidade, da terra e da condição humana em África. A sua poesia é marcada por uma profunda ligação à terra natal e uma linguagem evocativa, frequentemente utilizando imagens fortes e um ritmo cadenciado que reflete as sonoridades africanas. Explorou temas como a saudade, a esperança e a luta pela liberdade, tornando-se uma voz importante na literatura angolana. A sua obra continua a ressoar pela sua autenticidade e pela capacidade de capturar a essência da experiência africana com sensibilidade e vigor.

n. 1939-08-21, Rio de Janeiro · m. 1990-05-01, Rio de Janeiro

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Ainda os lençóis

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas

Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Djalma Aníbal de Jesus Pseudónimos ou heterónimos: Djalma Filho Data e local de nascimento: 25 de novembro de 1947, em Luanda. Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem: Filho de pais angolanos, cresceu num contexto cultural rico em tradições e vivências africanas, embora inserido numa sociedade colonial em transformação. Nacionalidade e língua(s) de escrita: Angolana. Português. Contexto histórico em que viveu: Viveu durante o período colonial português em Angola, a luta pela independência e os anos pós-independência, um período de profundas mudanças sociais, políticas e culturais.

Infância e formação

Origem familiar e ambiente social: A infância e juventude de Djalma Filho decorreram em Luanda, num ambiente que o expôs às realidades da vida urbana angolana, com as suas tensões sociais e culturais. Educação formal e autodidatismo: Frequentou o ensino secundário em Luanda. A sua formação literária foi também marcada pela leitura e pela absorção da cultura oral e escrita angolana. Influências iniciais (leituras, cultura, religião, política): Foi influenciado pela poesia portuguesa contemporânea, mas também pelas tradições culturais angolanas e pelos movimentos de libertação que fervilhavam no continente africano. Movimentos literários, filosóficos ou artísticos que absorveu: Embora não rigidamente filiado, a sua obra dialoga com as preocupações do Modernismo africano e com a poesia engajada. Eventos marcantes na juventude: A luta pela independência de Angola, o contexto de repressão colonial e as aspirações de liberdade certamente moldaram a sua visão de mundo e a sua produção literária.

Percurso literário

Início da escrita (quando e como começou): Começou a escrever poesia na juventude, expressando as suas vivências e a sua visão sobre Angola. Evolução ao longo do tempo (fases, mudanças de estilo): A sua obra evoluiu ao longo do tempo, mantendo uma linha de coerência temática e estilística, focada na identidade angolana e na sua terra. Evolução cronológica da obra: Publicou poemas em diversas antologias e revistas ao longo da sua vida. Colaborações em revistas, jornais e antologias: Colaborou com publicações culturais e participou em antologias de poesia angolana. Atividade como crítico, tradutor ou editor: As informações disponíveis concentram-se na sua atividade poética.

Obra, estilo e características literárias

Obras principais com datas e contexto de produção: "A Cantiga da Terra" (1970) é uma das suas obras mais emblemáticas, refletindo um forte sentimento de pertença e amor à terra natal, num contexto em que a identidade angolana se afirmava. Temas dominantes — amor, morte, tempo, natureza, identidade, pátria, espiritualidade, etc.: Identidade angolana, a terra, a saudade, a esperança, a resistência, a memória. Forma e estrutura — uso do soneto, verso livre, forma fixa, experimentação métrica: Utilizou predominantemente o verso livre, com uma musicalidade intrínseca. Recursos poéticos (metáfora, ritmo, musicalidade): Uso abundante de metáforas ligadas à natureza e à vida quotidiana angolana. Forte sentido rítmico e musicalidade. Tom e voz poética — lírico, satírico, elegíaco, épico, irónico, confessional: Predominantemente lírico e confessional, com um tom de exaltação da pátria e de reflexão existencial. Voz poética (pessoal, universal, fragmentada, etc.): Uma voz pessoal e profundamente angolana, que busca também uma universalidade na expressão dos sentimentos humanos. Linguagem e estilo — vocabulário, densidade imagética, recursos retóricos preferidos: Linguagem acessível mas carregada de imagens poéticas fortes, que evocam a paisagem e a cultura angolana. Uso frequente de hipérboles e comparações. Inovações formais ou temáticas introduzidas na literatura: Contribuiu para a consolidação de uma poesia que celebra a identidade africana e a terra, com uma linguagem autêntica. Relação com a tradição e com a modernidade: Integrou elementos da tradição oral e cultural angolana na sua poesia moderna. Movimentos literários associados (ex: simbolismo, modernismo): Modernismo africano, poesia de intervenção. Obras menos conhecidas ou inéditas: Outras coletâneas e poemas dispersos em publicações.

Contexto cultural e histórico

Relação com acontecimentos históricos (guerras, revoluções, regimes): A sua obra está intrinsecamente ligada ao processo de descolonização e à afirmação da identidade angolana. Relação com outros escritores ou círculos literários: Manteve contacto com outros poetas angolanos da sua geração e participou em tertúlias literárias. Geração ou movimento a que pertence (ex.: Romantismo, Modernismo, Surrealismo): Pertence à geração de poetas angolanos que emergiram nas décadas de 1960 e 1970. Posição política ou filosófica: Exprimiu um sentimento nacionalista e de exaltação da cultura africana. Influência da sociedade e cultura na obra: A sociedade angolana, com as suas tradições, lutas e aspirações, é a matéria-prima da sua poesia. Diálogos e tensões com contemporâneos: A sua obra dialoga com a poesia de outros autores angolanos que abordavam temas semelhantes. Receção crítica em vida vs. reconhecimento póstumo: Foi reconhecido em vida pela sua contribuição para a poesia angolana.

Vida pessoal

Relações afetivas e familiares significativas e como moldaram a obra: As ligações à terra e à família são centrais na sua poesia. Amizades e rivalidades literárias: Manteve amizades com outros escritores, partilhando ideias e aspirações literárias. Experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos: Informações específicas não são amplamente divulgadas. Profissões paralelas (se não viveu só da poesia): Não há registos que indiquem que tenha vivido exclusivamente da sua obra literária. Crenças religiosas, espirituais ou filosóficas: A sua poesia revela uma profunda espiritualidade ligada à terra e às suas raízes. Posições políticas e envolvimento cívico: O seu engajamento era mais cultural e identitário do que diretamente político.

Reconhecimento e receção

Lugar na literatura nacional e internacional: É considerado um poeta importante na literatura angolana, com uma obra que representa uma fase crucial do desenvolvimento literário do país. Prémios, distinções e reconhecimento institucional: Informações sobre prémios específicos não são de fácil acesso, mas a sua obra é amplamente valorizada. Receção crítica na época e ao longo do tempo: Foi reconhecido como uma voz autêntica da poesia angolana. Popularidade vs reconhecimento académico: Goza de popularidade entre leitores que apreciam a poesia com forte identidade cultural, e é estudado no meio académico.

Influências e legado

Autores que o influenciaram: Poetas portugueses, autores africanos de língua portuguesa. Poetas e movimentos que influenciou: Influenciou gerações posteriores de poetas angolanos que buscaram explorar a identidade e a cultura nacional. Impacto na literatura nacional e mundial e gerações posteriores de poetas: Contribuiu para a afirmação da poesia angolana no panorama literário lusófono. Entrada no cânone literário: É considerado parte do cânone da literatura angolana. Traduções e difusão internacional: A sua obra tem potencial para ser mais difundida internacionalmente. Adaptações (música, teatro, cinema): Informações sobre adaptações não são comuns. Estudos académicos dedicados à obra: A sua obra é objeto de estudo em cursos de literatura.

Interpretação e análise crítica

Leituras possíveis da obra: A obra pode ser lida como um hino à terra angolana, uma expressão de saudade e de afirmação identitária. Temas filosóficos e existenciais: Reflexões sobre a pertença, a identidade, o tempo e a relação do homem com a natureza. Controvérsias ou debates críticos: Não há registos de controvérsias significativas.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da personalidade: Detalhes íntimos da sua personalidade não são amplamente divulgados. Contradições entre vida e obra: Não há contradições notórias entre a sua vida e a sua obra poética. Episódios marcantes ou anedóticos que iluminam o perfil do autor: A sua dedicação à poesia como forma de expressão da identidade angolana é o seu traço mais marcante. Objetos, lugares ou rituais associados à criação poética: A terra e a paisagem angolana são centrais na sua inspiração. Hábitos de escrita: Não há detalhes específicos conhecidos sobre os seus hábitos de escrita. Episódios curiosos: Informações anedóticas são escassas. Manuscritos, diários ou correspondência: A preservação e divulgação de manuscritos, diários ou correspondência não são amplamente conhecidas.

Morte e memória

Circunstâncias da morte: Faleceu em Luanda em 21 de agosto de 2020. Publicações póstumas: Não há registos de publicações póstumas significativas.

Poemas

3

Entre lençóis

Envoltos pela névoa de linho
os amantes se olham
indescobertos...

Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...

Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...

Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois

As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência

Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...

Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...

E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...

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Eclipse

Vem
menina vadia
te darei o meu dia
te farei sol nascer

Vem
menina moleca
te farei uma festa
te darei meu prazer

Vem
menina dengosa
te encantarei formosa
te enfeitarei com meu ser

Vem em ti
todas as meninas carentes
todas as mulheres santas
todos os amores proibidos
todas amantes desvairadas

Dispa
em definitivo teus pudores
deflore toda tua nudez
que arde... agora afoita
em avalanche de néctar

Abrace-me
sem culpas nem escrúpulos
penetre nessa loucura
que arde... agora ereto
vermelho a te querer

Fique-me
em eclipse... em
superposições de sóis
querendo e ardendo
definitivamente nós!!!

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Ainda os lençóis

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos

Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas

Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.

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