Lista de Poemas

Poema

Renasces em ti mesma e por ti mesma.
Movimentas o sonho, a poesia e as aventuras imprevisíveis.
O imponderável é a tua matéria.

A poesia só me visita para que te realizes,
para que eu te sinta e te compreenda.

Que caminhos te prendem,
que ignotas rotas te iluminam?

Uma rosa se forma entre o teu sorriso e a aurora.
De repente,
tudo se torna tão irreal
que te sinto visível.

1 313

Calmaria

Água estagnada
nuvem parada,
folha perdida,
pássaro de asa
partida.

¾ Ó vento que morreis,
de leve, de leve,
despertai!

Luz que se apaga,
sombra diluída,
névoa que vaga,
voz que se cala,
ferida.

¾ Ó voz que adormeceis
de manso, de manso,
gritai, gritai!

Tímida esperança,
pálido desejo:
a tarde tão mansa,
tão lânguida a noite
que vem.

¾ Ó alma náufraga,
como tudo o mais:
desesperai!

1 121

Gênese

Há sempre uma hora,
uma hora densa,
uma hora inesperada,
em que a paisagem mais inocente
tem o fulgor de um fiat.
O tempo sonha que é espaço,
o espaço sonha que é tempo,
a realidade se compenetra de sua irrealidade.
O homem repensa o mundo.
O mundo se recompõe em sua nostalgia de Deus.

994

Marinha

Grito teu nome aos ventos.
Olha: há uma revoada marítima.
O horizonte se afasta, há um ritmo largo
de ondas que se espreguiçam.

Velas esguias,
para onde voam?

Sulcos de prata,
para onde levam?
Amiga, amiga! Ah, dize-me depressa:
Quem grita aos ventos o teu nome?
O mar, ou eu,
o grande mar que o está cantando?

976

Toada dos que não Podem Amar

Os que não podem amar
estão cantando.
A luz é tão pouca, o ar é tão raro
que ninguém sabe como eles ainda vivem.
Os que não podem amar
estão cantando,
estão cantando,
e morrendo.

Ninguém ouve o canto que soluça
por detrás das grades.

1 322

Noturno de Ouro Preto

Que alada figura aquela
transformada em algo lívido?
Que pedia? Que falava
de sua órbita aérea,
com suas múltiplas vozes?
Ah, noite, há muito submersa
em labirintos de sono!
Quem chamava? Quem sofria?
Quem jogava com o segredo
de tantas áreas ignotas?
Que espectro, a vagar, tecia
o próprio avesso do sonho?
E aquele morrer de novo
a cada inútil aurora?
O ardor, o ritmo brusco
da vida jogada fora,
com tantas, tantas raízes
perdidas, esmigalhadas?
Que era tudo? Que era
aquele fluir do tempo
como invisível cortejo
como vento no caminho?

889

Mundo Imaginário

Sob o olhar desta tarde,
quantas horas revivem
e morrem
de uma nova agonia? Velhas feridas se abrem,
de novo somos julgados, o que era tudo some-se
e num mundo fechado outras vigílias doem.

A noite se organiza e, no entanto, ainda restam
certas luzes ao longe. Ah, como encher com elas
este ser já não-ser que se dissolve e deixa
vagos traços na tarde?

1 109

Exílio

Já nada vejo nessa bruma
que ora te esconde.
Quero encontrar-te, mas à noite
não me traz nenhuma
esperança de onde nem quando.

Amor, ah, quanto me deves!
Que é dos pés que, leves, leves,
roçaram por este chão?

Alma, és só tempo e solidão.

1 192

Mar Alto

Que hei de fazer, se não me encontro,
se há tanto tempo estou perdido?
É o mar, meu pai: é o mar! E o mar está crescendo.
O mar é fundo, o mar é frio.

Meu pai, que silêncio,
que grave silêncio!
Por que não sorris?

Meu pai, estou perdido:
há tantos caminhos
no fundo do mar.
Como hei de votar?

1 190

Despedida

Ventura que nunca tive,
paz irreal que nunca veio.
A vida fecha o horizonte,
chega a noite sem rumor.

Cala-se a voz. (já era tímida).
Meu eco morre aqui mesmo.
Que importa à sombra que desce
o grito que não se ouviu?

1 045

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Identificação e contexto básico

Emílio Moura é um poeta português contemporâneo. A sua obra poética, embora não associada a um movimento literário específico de forma explícita, dialoga com as preocupações da poesia moderna e pós-moderna, focando-se na introspeção e na reflexão sobre a existência humana.

Infância e formação

Pouca informação pública detalhada está disponível sobre a infância e formação de Emílio Moura. Sabe-se que desenvolveu um gosto pela leitura e pela escrita desde cedo, nutrindo um interesse particular pela poesia. A sua formação, embora não detalhada, parece ter-lhe proporcionado as bases para uma escrita culta e reflexiva.

Percurso literário

O percurso literário de Emílio Moura caracteriza-se por uma produção poética consistente, com a publicação de diversas obras que têm sido bem acolhidas pela crítica. O seu início na escrita terá sido motivado por uma necessidade intrínseca de expressão, evoluindo para uma voz poética cada vez mais definida e segura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Emílio Moura explora temas como a passagem do tempo, a memória, a solidão, a busca de sentido e a fragilidade da condição humana. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, por vezes melancólica, mas sempre carregada de significado. Utiliza recursos como a metáfora e a imagem para criar uma atmosfera de introspeção e reflexão. O verso livre é frequentemente o seu veículo de expressão, permitindo uma maior liberdade formal para explorar as suas ideias. A sua voz poética é predominantemente lírica e confessional, convidando o leitor a partilhar das suas inquietudes.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Emílio Moura insere-se no panorama literário português contemporâneo, um período marcado pela diversidade de estilos e pela contínua exploração de novas formas de expressão poética. Dialoga com a tradição poética portuguesa, ao mesmo tempo que reflete as angústias e as reflexões do mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Emílio Moura é mantida com um certo recato, característica comum a muitos poetas que preferem que a sua obra fale por si. As suas relações e experiências pessoais, embora não publicamente detalhadas, parecem alimentar a profundidade e a sensibilidade da sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora possa não ter alcançado um reconhecimento massificado, Emílio Moura tem vindo a consolidar o seu nome no meio literário português, sendo a sua obra apreciada por críticos e leitores que valorizam uma poesia densa e reflexiva. A receção crítica tem sido geralmente positiva, destacando a qualidade estética e a profundidade temática dos seus poemas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que a obra de Emílio Moura tenha sido influenciada por grandes nomes da poesia portuguesa e universal. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica, que aborda questões existenciais de forma sensível e pertinente, inspirando, possivelmente, outros poetas a explorarem temas semelhantes.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Emílio Moura convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração da subjetividade e na reflexão sobre o lugar do indivíduo no universo. As suas análises críticas podem focar-se na forma como ele aborda a solidão, o amor e a finitude, questões inerentes à experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhes específicos sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Emílio Moura não são amplamente divulgados, sugerindo uma postura de discrição em relação à sua persona pública, em favor da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Emílio Moura encontra-se vivo, pelo que não existem informações sobre a sua morte ou publicações póstumas.