Lista de Poemas

De redondo cu

de redondo cu
eu cúbica te quero
como cólera química ou paz comum
que nada tão navega
a tua nádega núbica
de redondo nenúfar
nu furioso.

no volume do cu
velo o teu lume
ocioso cio de culher
nos colhões que te encosto
pelas costas
no cu que te descubro
pelo olho
no volume que rasgo
pela vela
do duro coração na cumoção
de ter-te pelas tetas
culocada na posição
decúbita
culada
da comunicação.

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Paga e repaga

A paga

eu gostaria muito sim talvez
dar uma enorme foda todo o mês
numa mulher que se chamasse Inês
e que tivesse um gato siamês
que não me chateasse cada vez
que nela me pusesse de viés
porque as mulheres pensam que talvez
no foder se paga tudo de uma vez

mas nunca se lembram que ao invés
o pagar nada tem com as fodas que dês
porque ainda ontem dei ai umas dez
e a paga que tive foi um chato burguês

A repaga

não penses tu proleta fodilhão
que lá por seres caralho
tens razão
nem que todas as fodas que me dês
são a fácil desforra
do tesão

porque a cona é que sabe
do vir ou do não vir
e só no seu sorrir
é que o caralho sobe

mas se és mal pago
não vais morrer de fomes
e se me pagas
não pagas o que comes.

(e o chato talvez
não seja mais
que o teu retrato
português)

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Identificação e contexto básico

Ernesto de Melo e Castro (1932-2019) foi um poeta, professor e ensaísta português, uma figura central na renovação da poesia em Portugal, especialmente no campo da poesia visual e concreta. Pseudónimo: E.M.C. Nasceu em São Romão de Arões, Vale de Cambra. A sua obra é escrita em português.

Infância e formação

Nascido em 1932, Melo e Castro teve uma infância marcada pelas experiências comuns a muitos portugueses da época. A sua formação académica incluiu estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa. Desde cedo, demonstrou um interesse profundo pela linguagem e pelas artes, o que o levaria a explorar caminhos menos convencionais na poesia.

Percurso literário

O percurso literário de Ernesto de Melo e Castro começou a ganhar forma a partir da década de 1950, mas foi nas décadas seguintes que a sua experimentação se consolidou. Foi um dos fundadores do movimento Poesia 61, um marco na modernização da poesia portuguesa. Mais tarde, destacou-se como pioneiro da poesia visual e concreta em Portugal, explorando a dimensão gráfica e espacial da palavra. Colaborou ativamente em diversas publicações e antologias, tanto nacionais como internacionais, e também exerceu a crítica literária e artística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Melo e Castro é vasta e diversificada, abrangendo poesia, prosa, ensaio e crítica. As suas obras principais incluem "Obra Poética" (1972), "Poesia Concreta" (1973), "O Fio da Palavra" (1981) e "Poesia Visual" (1996). Os temas abordados são variados, indo da reflexão sobre a linguagem e a comunicação à crítica social e existencial. A sua característica mais distintiva é a experimentação com a forma poética, utilizando a palavra como elemento visual e sonoro. O verso livre e a exploração de novas estruturas são recorrentes, assim como o uso da metáfora e do ritmo para criar efeitos singulares. O tom da sua poesia pode variar entre o lírico, o conceptual e o lúdico. A sua linguagem é inovadora, muitas vezes desconstruindo a sintaxe e o significado tradicional. Melo e Castro introduziu em Portugal as tendências da poesia concreta e visual, influenciado por movimentos internacionais. Está associado ao Modernismo e a correntes de vanguarda.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ernesto de Melo e Castro viveu e produziu a maior parte da sua obra num período de grandes transformações em Portugal, incluindo o final da ditadura do Estado Novo e a transição para a democracia. Foi um dos intelectuais que impulsionou a renovação cultural e artística do país. Fez parte de uma geração de poetas que procurava romper com as tradições literárias e abraçar as novas linguagens artísticas do século XX. A sua posição política e filosófica era, em geral, progressista e voltada para a liberdade de expressão e a experimentação.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Ernesto de Melo e Castro foi também professor universitário, dedicando parte da sua vida ao ensino e à divulgação da literatura e da arte. As suas relações pessoais e os seus contactos com outros artistas e escritores foram fundamentais para a troca de ideias e para a consolidação dos movimentos artísticos em que esteve envolvido. A sua paixão pela arte e pela palavra moldou profundamente a sua vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Ernesto de Melo e Castro como um dos grandes inovadores da poesia portuguesa cresceu consideravelmente ao longo do tempo. Recebeu diversos prémios e distinções pela sua obra literária e artística. A sua poesia visual e concreta é estudada em universidades e centros de arte, consolidando o seu lugar no cânone da literatura portuguesa e internacional.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Melo e Castro foi influenciado por poetas concretos internacionais como Eugen Gomringer e pelos movimentos de vanguarda do século XX. Por sua vez, o seu trabalho influenciou gerações de poetas, artistas visuais e designers em Portugal e no estrangeiro. O seu legado reside na abertura de novos caminhos para a poesia, mostrando que a palavra pode ser explorada para além das suas fronteiras convencionais. A sua obra é objeto de estudo académico e tem sido difundida internacionalmente.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Melo e Castro convida a uma análise crítica que explore a intersecção entre literatura e artes visuais, a desconstrução da linguagem e a crítica aos sistemas de comunicação. As suas reflexões sobre a polissemia da palavra e a sua capacidade de evocar múltiplos sentidos são centrais nas interpretações da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Melo e Castro é a sua habilidade em transitar entre diferentes disciplinas artísticas, demonstrando uma visão integrada da arte. Os seus poemas visuais frequentemente contêm mensagens ocultas ou críticas sociais subtis, que só se revelam numa observação atenta.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ernesto de Melo e Castro faleceu em 2019, deixando um legado imenso para a arte e a literatura portuguesas. A sua memória é celebrada através de exposições, publicações e estudos que continuam a explorar a sua obra inovadora e o seu impacto duradouro.