Lista de Poemas

Nossa Grande Civilização

As folhas das bananeiras movem-se
ao ritmo da ventania
um louco passa jogando pedra
na compulsão da sua fantasia.
O mundo é um imenso manicômio
loucos violentos que agridem, matam, torturam
loucos poderosos que dominam os outros
na ilusão dos seus interesses
na manutenção dos seus poderes
loucos inteligentes
que mandam os outros ao espaço
que tiram e salvam vidas
que divertem e instruem
loucos que matam e dão vida
loucos que destroem e constroem
a si e ao meio
O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura
há pessoas loucamente apaixonadas por ele
há pessoas loucamente revoltadas contra ele
há os que se apegam a ele
há os loucamente mansos e pacíficos
que buscam uma solução
porque suas loucuras
já não suportam mais tanta loucura
e são estes
a única luz no fim do túnel
sujeita ao ritmo da ventania
como as folhas da bananeira

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Identificação e contexto básico

Estrigas é o pseudónimo literário de Manuel da Fonseca Martins Júnior, um poeta português. A sua obra está intrinsecamente ligada aos movimentos de vanguarda do século XX em Portugal, nomeadamente o modernismo e o surrealismo. Nasceu e viveu em Portugal, escrevendo em português. O contexto histórico em que produziu foi marcado por profundas transformações sociais e políticas no país, incluindo a ditadura do Estado Novo.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e a formação de Manuel da Fonseca Martins Júnior (Estrigas) são limitadas em fontes públicas. Contudo, a sua posterior adesão a movimentos de vanguarda como o surrealismo sugere uma formação intelectual sólida e uma exposição a correntes de pensamento e arte que desafiavam o status quo. É provável que tenha absorvido influências literárias e artísticas que o afastaram das correntes mais conservadoras.

Percurso literário

O percurso literário de Estrigas é marcado pela sua forte ligação ao surrealismo e à poesia de intervenção. Iniciou a sua atividade poética inserido em círculos que promoviam a renovação estética e a experimentação. A sua obra evoluiu dentro dos princípios surrealistas, com uma linguagem por vezes transgressora e um tom crítico. Colaborou em publicações ligadas a estes movimentos, onde procurava divulgar as suas ideias e a sua arte.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Estrigas é notável pela sua irreverência, humor e pela exploração do inconsciente, características do surrealismo. Temas como a crítica social, a liberdade individual e a desconstrução da linguagem são recorrentes. Utiliza frequentemente o verso livre, com uma estrutura por vezes fragmentada e surpreendente, própria da escrita automática ou inspirada por ela. Os recursos poéticos incluem o uso de metáforas inesperadas, a justaposição de imagens díspares e um ritmo que pode variar entre o caótico e o marcadamente irónico. A sua voz poética é desafiadora, satírica e por vezes revoltada, refletindo um espírito contestatário. A linguagem é muitas vezes coloquial, mas carregada de jogos de palavras e neologismos, buscando romper com a tradição. Estrigas introduziu uma ousadia formal e temática na poesia portuguesa, aproximando-a das correntes mais radicais da arte moderna. É claramente associado ao movimento surrealista em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Estrigas viveu e produziu num período de grande efervescência cultural e de forte repressão política em Portugal. A ditadura do Estado Novo impunha um controlo sobre a expressão artística e intelectual, o que tornou a atividade dos vanguardistas, como Estrigas, um ato de resistência. A sua obra dialogava com as tensões políticas e sociais da época, utilizando a arte como forma de questionamento e libertação.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Estrigas são limitadas. Sabe-se que a sua produção literária estava profundamente ligada à sua postura crítica e ao seu espírito contestatário. A sua identidade como pseudónimo pode indicar uma vontade de dissociar a figura pública da vida privada ou de criar uma persona artística mais livre e ousada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Estrigas, na sua época, foi provavelmente mais restrito aos círculos de vanguarda e aos apreciadores das correntes surrealistas. A sua poesia, pela sua natureza transgressora e experimental, pode não ter sido amplamente aceite pela crítica mais conservadora ou pelo público em geral. No entanto, a sua importância para a história do modernismo e do surrealismo em Portugal é inegável, com um reconhecimento crescente entre estudiosos e poetas posteriores.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Estrigas foi, sem dúvida, influenciado pelas teorias e práticas do surrealismo internacional. O seu legado reside na introdução de uma veia mais irreverente, humorística e crítica na poesia portuguesa, desafiando limites e abrindo caminhos para a experimentação. Ele influenciou gerações posteriores de poetas que buscaram na liberdade formal e temática uma forma de expressão autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Estrigas convida a análises que explorem a sua relação com o inconsciente, a crítica social e o uso do humor como ferramenta de subversão. As interpretações podem focar na forma como ele desconstrói a linguagem e as estruturas sociais, promovendo uma visão mais livre e crítica da realidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A adoção de um pseudónimo como Estrigas é, em si, um aspeto que convida à curiosidade sobre a dualidade entre o homem e a persona artística. A sua ligação ao surrealismo sugere uma mentalidade aberta à experimentação e à exploração de temas menos convencionais, o que pode ter levado a episódios ou hábitos de escrita pouco comuns.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a morte de Manuel da Fonseca Martins Júnior (Estrigas) não são amplamente divulgadas em fontes gerais. No entanto, a memória de sua obra persiste através do estudo e da valorização da poesia surrealista e modernista em Portugal, garantindo seu lugar na história literária.