Lista de Poemas

Ofertório

Cerca-te a nobre fronte uma auréola bendita.
Na nostalgia azul dos teus olhares leio
Uma Balada atroz com Lágrimas escrita.

És para mim, ó Mãe, o vigoroso esteio
Que sustenta de pé a velha e augusta Cripta,
A colunata de oiro erguida em frágil seio,

Para amparar a Torre Astral dos Meus Cismares,
E impedir que ela tombe, em pó desfeita, em ruínas.
A tua voz espalha, em ondas, pelos ares,

Suaves, doridos sons de aflitivas surdinas,
Enchendo o Oceano, enchendo os Céus, enchendo os Mundos.
Como um Réquiem cantado através de neblinas.

Vieste para extinguir os tormentos profundos!
Vieste para apagar as velhas cicatrizes,
Para descortinar o Céu aos moribundos!

Vieste para aliviar a Dor dos infelizes!
Vieste para espancar as Trevas de MinhAlma,
Para arrancar à Dor as rígidas raízes!

Arcanjo de asa branca e protetora espalma,
Emissário de Deus, ó Mãe, tu me trouxeste,
Como uma Bênção do Alto, a esplendorosa calma.

Abrandas a Agonia, exterminas a Peste,
Escravizas o Leão ao teu olhar piedoso,
E o Corvo teme, e o Tigre, a alvura que te veste.

Arcanjo, Santa, Lírio, Estrela, Sol glorioso,
Filtro que os Corações Humanos fortalece,
Tamareira que ensombra o deserto arenoso,

Mater! Suprema Força! Acolhe minha prece!

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Símbolo dos Símbolos

Caveira! Tu conténs a Síntese do Mundo!
Trazes dentro de ti o impalpável Mistério.
És o louro mudado em tinhorão funéreo,
És o Azul transformado em báratro profundo!

Destronados Satãs de olhar meditabundo,
Andam dentro de ti como num cemitério,
E os Faustos doutorais, de aspecto mudo e sério,
Descem do informe Caos ao tenebroso fundo.

Cabalístico signo exótico do Nada,
Sofres, e a tua Dor, Caveira, é sufocada,
Gemes, e o teu gemido esvai-se em Ironia...

Resta-te agora só, depois de tantas glórias,
A lembrança cruel das passadas vitórias
E essa amar a expressão de funda nostalgia!

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Símbolo d’arte

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo darte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

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Elbert
Elbert

Falta poemas.

Identificação e contexto básico

Félix Pacheco é um poeta reconhecido pela sua obra, que frequentemente se debruça sobre questões sociais e existenciais. O seu nome está associado a uma poesia de intervenção, mas também de profunda sensibilidade lírica. A sua nacionalidade e a língua em que escreveu são portuguesas. O contexto histórico em que viveu foi marcado por importantes transformações sociais e políticas, as quais, sem dúvida, influenciaram a sua visão do mundo e a sua produção literária.

Infância e formação

A infância e a formação de Félix Pacheco foram decisivas na moldagem da sua consciência social e da sua sensibilidade poética. As leituras que o marcaram, o ambiente familiar e social em que cresceu, e a educação que recebeu, ajudaram a formar o seu pensamento e a sua expressão artística. A absorção de ideias de movimentos literários, filosóficos ou políticos da sua época terá sido significativa.

Percurso literário

O percurso literário de Félix Pacheco é iniciado com a sua entrada no mundo da escrita e evolui ao longo do tempo, refletindo as suas preocupações e amadurecimento. A publicação das suas obras, a participação em revistas e antologias literárias, e a sua atividade como crítico ou editor, se existirem, traçam o caminho da sua carreira literária.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Félix Pacheco caracteriza-se por uma forte veia de poesia social e de intervenção, abordando temas como a injustiça, a desigualdade e a luta por um mundo mais justo. Ao mesmo tempo, a sua poesia revela uma capacidade lírica de explorar a alma humana, a condição existencial e a busca por significado. A linguagem de Pacheco é frequentemente direta e contundente, mas também capaz de uma grande beleza expressiva e musicalidade. O seu estilo, por vezes inovador, dialoga com as tendências literárias da sua época, buscando uma forma de dar voz aos oprimidos e de inspirar a mudança.

Contexto cultural e histórico

Félix Pacheco viveu e produziu a sua obra num período de significativas convulsões sociais e políticas, tanto em Portugal como no mundo. A sua poesia reflete este contexto, posicionando-se em relação a acontecimentos históricos e a movimentos sociais. O seu diálogo com outros escritores e intelectuais da sua época, e a sua inserção numa determinada geração literária, são aspetos cruciais para a compreensão da sua obra.

Vida pessoal

Os aspetos da vida pessoal de Félix Pacheco, como as suas relações afetivas, familiares, amizades e possíveis crises ou envolvimentos cívicos, podem ter tido um impacto direto na sua criação poética. As suas convicções filosóficas e políticas, assim como as suas experiências de vida, moldaram a sua visão do mundo e a sua escrita.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento e a receção da obra de Félix Pacheco são importantes para avaliar o seu lugar na literatura. Os prémios, as distinções e a forma como a sua poesia foi recebida pela crítica e pelo público, quer em vida quer postumamente, indicam a sua relevância e o seu impacto.

Influências e legado

Analisar as influências que moldaram Félix Pacheco e o legado que a sua obra deixou para as gerações futuras de poetas é fundamental. O impacto da sua poesia na literatura nacional e internacional, e os estudos dedicados ao seu trabalho, revelam a sua importância duradoura.

Interpretação e análise crítica

As interpretações e análises críticas da obra de Félix Pacheco permitem desvendar as suas múltiplas camadas de significado, explorando os seus aspetos sociais, filosóficos e existenciais. Possíveis debates críticos em torno do seu trabalho também contribuem para a sua valorização.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da sua personalidade, hábitos de escrita, ou episódios curiosos da vida de Félix Pacheco podem oferecer uma perspetiva mais completa e humanizada do poeta e da sua obra.

Morte e memória

A morte de Félix Pacheco e as eventuais publicações póstumas, bem como a forma como a sua memória é mantida viva através de estudos e homenagens, completam o seu perfil biográfico e literário.