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Fernando Fábio Fiorese Furtado

Fernando Fábio Fiorese Furtado

m. , Engelbrekt

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Mulher Dormindo

apenas a alma dorme
o corpo insone
trabalha
os minérios do sono
sustenta o pânico
o naufrágio
na penumbra
fogo e relva
os músculos dançam
debruçados sobre o nada

os olhos não
os olhos sonham
à sombra da alma
- e sobrevivem
ao dilúvio

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Poemas

3

Mulher Dormindo

apenas a alma dorme
o corpo insone
trabalha
os minérios do sono
sustenta o pânico
o naufrágio
na penumbra
fogo e relva
os músculos dançam
debruçados sobre o nada

os olhos não
os olhos sonham
à sombra da alma
- e sobrevivem
ao dilúvio

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A Casa

na rua da casa não passe.
o futuro será póstumo

a fachada da Casa não olhe.
os olhos serão outros

na calçada da Casa não pise.
a terra será queda

os frutos da Casa não coma.
dentro as paixões disparam

aos viventes da Casa não fale.
qualquer palavra é rendição

os cômodos da Casa não visite.
os gatos enlouquecem de tanta beleza

na Casa eu vivo.
os ausentes são minha família

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Manhã

na claridade do pátio
nada se move.

apenas o mármore das colunas
duela com o vento.

todo o solo prenuncia a queda
a palavra que fenda a manhã.

emigrado da sombra
me entrego ao desgaste do vento.

ah o azul
o azul me desampara.

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