MOMENTS - I
I
The hen said «I can fly».
Do you know why?
Over a fence she flew.
The eagle said «Can I fly?»
Can you tell why?
Unto the stars she could not go.
Abram falência à nossa vitalidade!
Abram falência à nossa vitalidade!
Escrevemos versos, cantamos as coisas-falências; não as vivemos.
Como poder viver todas as vidas e todas as épocas
E todas as formas da forma
E todos os gestos do gesto?
O que é fazer versos senão confessar que a vida não basta
O que é arte senão uma esperança que não é ninguém
Adeus, Walt, adeus!
Adeus até ao indefinido do para além do Fim.
Espera-me, se aí se pode esperar,
Quando parte o último comboio?
Quando parte? (Quando partimos)
LITTLE BIRD
Poet
Little bird, sing me a sweet song deep
Of what is not to‑day;
Be it not the future that yet doth sleep
In the hall where Time his hours doth keep,
More than far away.
Sing me a song of the things thou knew'st
And desirest e'er,
Be it a song to which but is used
The heart that has to love refused
What is merely fair.
Bird
Young, too young hither I was brought
From the dells and trees;
Weep with me - I remember them not
Save with a vague and a pining thought:
Can I sing of these?
Poet
Sing, little bird, sing me that song -
None can be more dear -
Come of the spirit that doth long
Not for the past with a sadness strong,
But for what was never here.
Sing me, sing me that song, little bird;
I would also sing
Of sounds I remember yet never heard,
Of wishes by which my soul is stirred
Till then bliss doth sting.
Bird
To breathe that singing I have no might;
Sing it deeply thou!
I sing when the day is clear and bright
And when the moon is so much in night
That thy tears do flow.
But thou, thou sing'st in woe, in ill,
And thy voice is fit
To speak of what the wish doth fill
With pinings indescribable,
Shadows vague of it.
Poet
Ay, little bird, let us sing in all weather
A song, of to‑day,
Come of the sense we feel together
That nothing that doth die and wither
Truly goes away.
Da casa do monte, símbolo eterno e perfeito,
Da casa do monte, símbolo eterno e perfeito,
Vejo os campos, os campos todos,
E eu os saúdo por fim com a voz verdadeira,
Eu lhes dou vivas, chorando, com as lágrimas certas e os vivas exactos —
Eu os aperto a meu peito, como filho que encontrasse o pai perdido.
Vivam, vivam, vivam
Os montes, e a planície, e as ervas!
Vivam os rios, vivam as fontes!
Vivam as flores, e as árvores, e as pedras!
Vivam os entes vivos e os bichos pequenos,
Os bichos que correm, insectos e aves,
Os animais todos, tão reais sem mim,
Os homens, as mulheres, as crianças,
As famílias, e as não-famílias, igualmente!
Tudo quanto sente sem saber porquê!
Tudo quanto vive sem pensar que vive!
Tudo que acaba e nunca se aumenta com nada,
Sabendo, melhor que eu, que nada há que temer,
Que nada é fim, que nada é abismo, que nada é mistério,
E que tudo é Deus, e que tudo é Ser, e que tudo é Vida.
Ah, estou liberto!
Ah, quebrei todas
As algemas do pensamento.
Eu, o claustro e a cave voluntários de mim mesmo,
Eu o próprio abismo que sonhei,
Eu, que vi em tudo caminhos e atalhos de sombra
E a sombra e os caminhos e os atalhos eram eu!
Ah, estou liberto...
Mestre Caeiro, voltei à tua casa do monte
E vi o mesmo que vias, mas com meus olhos,
Verdadeiramente com meus olhos,
Verdadeiramente verdadeiros...
Ah vi que não há muitos abismos!
Vi que (...)
Já estão em mim exaustas,
Já estão em mim exaustas,
Deixando-me transido de horror,
Todas as formas de pensar (...)
O enigma do universo. Já cheguei
A conceber como requinte extremo
Da exausta inteligência que esse Deus,
Que ensinam as igrejas com aqueles
Seus atributos [...]
[...] — existir realmente
Realmente existir e que houvesse
Mas fosse sonho, e não sonho nosso...
Sim cheguei a aceitar como verdade
O que nos dão por ela, e a admitir
Uma realidade não real
Mas sim sonhada como esse Deus cristão.
Mas isto, cuja ideia formidável
Cheia de horríveis possibilidades
Negra e profunda me (...)
A mente, abandonei, não sem tremer,
No caos do meu ser, onde jazem
Juntamente com ela espectros negros
De soluções passageiras, apavoradoras,
Momentâneas, momentâneos
Sistemas horrorosos, pavorosos,
Repletos de infinito. Formidáveis
Não só por isto mas também por serem
Falhados pensamentos e sistemas
Que por falharem só mais negro fazem
O poder horroroso que os transcende
A todos, infinitamente a todos.
Oh horror! Oh mistério! Oh existência!
Para que lado não me virarei
Onde abrirei os olhos — olhos d'alma —
Que o mistério não me atormente, e eu
Não avance tremendo para ele?
E... Para que falar? O que dizer?
Tudo é horror e o horror é tudo!
Entreguei-te o coração,
Entreguei-te o coração,
E que tratos tu lhe deste!
É talvez por estar estragado
Que ainda não mo devolveste...
Às vezes passam
Às vezes passam
Em mim relâmpagos do pensamento
Intuitivo e aprofundador
Que angustiadamente me revelam
Momentos dum mistério que apavora;
Duvidosos, deslembrados, confrangem-me
De terror que entontece o pensamento
E vagamente passa, e o meu ser volve
À escuridão e ao menor horror.
No sangue frio que nas veias minhas
Gira, no ar que sorvo, luz que vejo,
Circula, entra, nada-me uma dor;
E eu talvez à ternura outrora afeito
(Se o pensamento me não dominasse)
Sinto — como não sei — a alma mirrada
E pálida no ser.
Não é apenas, (...), o pensamento
Que assim me traz; é o pensamento fundo,
A consciência funda e absoluta
De todos os problemas minuciosos
Do mundo, transsentidos no meu ser.
SAUDAÇÃO [b]
Heia? Heia o quê e porquê?
O que tiro eu de heia! ou de qualquer coisa,
Que valha pensar em heia!?
Decadentes, meu velho, decadentes é que nós somos...
No fundo de cada um de nós há uma Bizâncio a arder,
E nem sinto as chamas e nem sinto Bizâncio
Mas o Império finda nas nossas veias aguadas
E a Poesia foi a da nossa incompetência para agir...
Tu, cantador de profissões enérgicas, Tu o Poeta do Extremo, do Porto,
Tu, músculo da inspiração, com musas masculinas por destaque,
Tu, afinal, inocente em viva histeria,
Afinal apenas “acariciador da vida”,
Mole ocioso, paneleiro pelo menos na intenção,
— Bem... isso era contigo — mas onde é que aí está a Vida?
Eu, engenheiro como profissão, Farto de tudo e de todos,
Eu, exageradamente supérfluo, guerreando as coisas
Eu, inútil, gasto, improfícuo, pretensioso e amoral,
Bóia das minhas sensações desgarradas pelo temporal,
Âncora do meu navio já quebrada pr'ó fundo
Eu feito cantor da Vida e da Força — acreditas?
Eu, como tu, enérgico, salutar, nos versos —
E afinal sincero como tu, ardendo em ter toda a Europa no cérebro,
No cérebro explosivo e sem diques,
Na inteligência mestra e dinâmica,
Na sensualidade carimbo, projector, marca, cheque
P’ra que diabo vivemos, e fazemos versos?
Raios partam a mandriice que nos faz poetas,
A degenerescência que nos engana artistas,
O tédio fundamental que nos pretende enérgicos e modernos,
Quando o que queremos é distrair-nos, dar-nos ideia da vida
Porque nada fazemos e nada somos, a vida corre-nos lenta nas veias.
Vejamos ao menos, Walt, as coisas bem pela verdade...
Bebamos isto como um remédio amargo
E concordemos em mandar à merda o mundo e a vida
Sem quebranto no olhar, e não por desprezo ou aversão
Isto, afinal é saudar-te?
Seja o que for, é saudar-te,
Seja o que valha, é amar-te,
Seja o que calhe, é concordar contigo...
Seja o que for é isto. E tu compreendes, tu gostas,
Tu, a chorar no meu ombro, concordas, meu velho, comigo —
(Quando parte o último comboio? —
Vilegiatura em Deus...)
Vamos, confiadamente, vamos...
Isto tudo deve ter um outro sentido
Melhor que viver e ter tudo...
Deve haver um ponto da consciência
Em que a paisagem se transforme
E comece a interessar-nos, a acudir-nos, a sacudir-nos...
Em que comece ti haver fresco na alma
E sol e campo nos sentidos despertos [...]
Seja onde for a Estação, lá nos encontraremos...
Espera-me à porta, Walt; lá estarei...
Lá estarei sem o universo, sem a vida, sem eu-próprio, sem nada...
E relembraremos, a sós, silenciosos, com a nossa dor
O grande absurdo do mundo, a dura inépcia das coisas
E sentirei, o mistério sentirei tão longe, tão longe, tão longe,
Tão absoluta e abstractamente longe,
Definitivamente longe.
MOMENTS - III
III
A philosopher of name
In the best of mind once said:
«Man is... » the rest is immaterial
And need not be chronicled.
Depois de não ter dormido,
Depois de não ter dormido,
Depois de já não ter sono,
Interminável madrugada em que se pensa sempre sem se pensar,
Vi o dia vir
Como a pior das maldições —
A condenação ao mesmo
Contudo, que riqueza de azul verde e amarelo dourado de vermelho
No céu eternamente longínquo —
Nesse oriente que estragaram
Dizendo que vêm de lá as civilizações;
Nesse oriente que nos roubaram
Com o Conto do Vigário dos mitos solares,
Maravilhoso oriente sem civilizações nem mitos,
Simplesmente céu e luz,
Material sem materialidade...
Todo luz, mesmo assim
A sombra, que é a luz da noite dada ao dia,
Enche por vezes, irresistivelmente natural.
O grande silêncio do trigo sem vento,
O verdor esbatido dos campos afastados,
A vida e o sentimento da vida.
A manhã inunda toda a cidade.
Meus olhos pesados do sono que não tivestes,
Que amanhã inundará o que está por trás de vós.
Que é vós,
Que sou eu?
pode alguem me ajudar em relacao da referencia de publicao deste livro
Sim Fernando
Amo Fernando Pessoa, e o meu preferido é AQUI NA ORLA DA PRAIA...
O Cosmos descortinado...O sonho coberto de poesias...Assim é Fernando Pessoa.
Great Man ...
e lindo
Tantas citações que poderiam usar, e usam logo uma que a Internet lhe tem atribuído erradamente...
alguem podia me fazer uma interpretação do poema sff?
Gostei do blog
O Fernando Pessoa é um exemplo para qualquer "Pessoa", Rsrsrs.
adorei por ele foi muito emportate eu adorei a historia dele
bem eu acho que ele tem uma forma unica de se expresar apesar de tudo que ele pasou na infancia nao desistiu dos seus sinho em nenhum momento e isso que temos que capitar ou seja jugar mais nossos pensamentos
Fernando Pessoa escreveu com coração as vezes triste outra vez felíz,foi lindo.
È muito entereçante da estoria e das epocas que foram lançadas na quele tau dia e é só obrigado. Ass;ESDRAS.
eu acho que fernando pessoa foi um grande homem porque nao teve uma infancia facil mas nem assim desistiu,saiu do pais aprendeu uma lingua nova e tb renunciou ao seu verdadeiro amor por causa do seu trabalho e da sua profissão. por isso é que ele é um grande poeta e um grande escritor
eu acho que fernando pessoa foi um grande poeta mas tambem um grande homem a nivel pessoal. ja li um dos livros que falava sobre a sua vida e gostei,ele tambem não teve uma infancia facil como nos temos agora por isso é que eu admiro muito o fernando pessoa como escritor e poeta. tambem ele teve que renunciar ao seu verdadeiro amor para proceguir com a sua carreira nós provavelmente nao faria-mos isso.por isso não devemos julgar as pessoas pela sua aparencia fisica mas sim pelo seu interior. eu gosto de fernando pessoa
adoro fernando pessoa, então agora desde que comecei a compreender...
É estremamente profunda, a simplicidade de um toque, o fato de se sentir tocado por uma pessoa que supostamente te faz feliz... é explendido e verdadeiro. Diana.
Que pena!Hoje em dia os jovens não serem apreciadores de uma bôa obra literária.Fernando Pessoa foi um dos poetas mais sincero que tive o prazer de ler,ele se conhecia...
Simplesmente, Fernando Pessoa foi e sempre será um grande mestre da Poesia. Adoro seus poemas, suas crônicas, enfim, tudo o que Ele escreveu.
oi ele e tudo de bom , que ler fernando pessoa ,fica a cada dia melhor como pessoa e aluno .bjs
muito bom vemos grandes sabedorias,belos poemas de muita classe,basta ter bom senso para adimitir seu belo trabalho!!!!
Adorei
O jeito dele de escrever, o seu caráter é raro hoje em dia, ninguém mais se preocupa com a linguagem! Muitos ainda parece que nem sabe o que é isso, nem se interessam com os poemas, que são lindos, e os deles são interessantíssiiiimos!
fdz olha como ela é grande!
é grande, mais vale a pena
Eu amei tudos os poemas E adimiro bastante o poeta Fernando Pessoa ele tem uns poemas Muito lindo que meche com agente Gostei muito mesmo
amei isso e de mais
gostei muito
olha...e bom saber sobre...mas bem q poderia da uma resumida boa nessa boigrafia
gostei muito
eu acho uma poca vergonha andarem a escrever coisas mas de Fernando Pessoa vosses secalhar ja leram os livros dele e gostaram. Olha eu gostei
fernabdo pessoa foi um grande poesta e sera no nosso coralao
Eu acho que ele foi um grande poeta e que sociedade nunca o espuecerá............
horror
Eu nao gostei nada ele é boé cota arranjem alguem novo
Muito lindoo