Lista de Poemas

O Orvalho

Nas flores mimosas, nas folhas virentes
Da planta, do arbusto, que surge do chão,
Reúnem-se as gotas do orvalho nitentes,
Tombadas à noite da aérea soidão.

Provindas dos ares, dos astros caídas
Em globos argênteos de um puro brilhar,
Descansam nas flores, às plantas dão vida,
Remontam-se aos astros, erguendo-se ao ar.

A luz das estrelas, do vidro mais fino
O trêmulo, incerto, brilhante luzir,
Não tem mor beleza, fulgor mais divino,
Nem pode mais claro, mais belo fulgir.

E o sol, que rutila no manto dourado,
Feitura sublime das nuvens do céu,
Beijando estas gotas com um beijo inflamado,
Desfaz tais prodígios nos beijos que deu.

Quem foi que as vertera, quem foi que as chorara?
Quem, límpido orvalho, do céu vos lançou?
Quem pôs sobre a terra beleza tão rara?
Quem foi que nos ares o orvalho formou?

Dos anjos, que outrora baixaram da esfera,
Morada longínqua dos anjos de Deus,
São prantos o orvalho, que o amor os vertera,
Depois que perdidos volveram-se aos céus.

Baixados à terra sedentos de amores
Gozaram delícias de um breve durar;
Depois em lembrança dos tempos melhores
Os anjos à noite costumam chorar.

E o pranto saudoso dos olhos vertido
Converte-se em chuva de fino cristal;
Procura das flores o cálice querido,
Recai sobre as plantas do monte ou do val.

E os anjos sozinhos vagueiam no espaço,
Buscando as imagens, que o céu lhes roubou,
Seguidos das nuvens, do lúcido traço,
Que o brilho das asas tras eles deixou.

E a voz, que dos lábios lhes sai suspirante,
Semelha um queixume pungente de dor;
E o ar, que circula girando incessante,
Repete os suspiros só filhos do amor.

Em vão tais suspiros, tão tristes endeixas,
Pesares tão fundos são todos em vão!
Ninguém os escuta; carpidos ou queixas
Vai tudo sumido na etérea soidão.

E os anjos, que outrora viveram de amores,
Gozando delícias de extremos sem-par,
Saudosos relembram seus tempos melhores,
E tem por consolo seu triste chorar.

E o pranto saudoso dos olhos vertido
Converte-se em chuva de fino cristal,
Procura das flores o cálice querido,
Recai sobre as plantas do monte ou do val.

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Identificação e contexto básico

Gentil Braga, identificado pelo Wikidata Q16940191, é um poeta de língua portuguesa cuja obra se caracteriza por uma abordagem lírica e reflexiva sobre a existência humana. O seu nome está associado a uma poesia que explora a identidade e a memória.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e formação de Gentil Braga não estão detalhadamente disponíveis nas fontes públicas, mas a sua obra sugere uma educação e um percurso de vida que nutriram uma profunda sensibilidade literária.

Percurso literário

O percurso literário de Gentil Braga é marcado por uma produção poética consistente, onde temas como a identidade, a memória, a passagem do tempo e a relação do indivíduo com o seu meio são explorados com particular profundidade. A sua escrita tem vindo a afirmar-se pela sua qualidade lírica e pela introspeção que convida.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Gentil Braga é reconhecida pelo seu lirismo e pela sua capacidade de evocar emoções e reflexões profundas. Os temas centrais incluem a identidade, a memória, o tempo, o espaço e a experiência humana. O estilo poético de Braga tende a uma linguagem cuidada, com um uso expressivo de imagens e metáforas que ressoam com o leitor. A voz poética é frequentemente introspectiva e confessional, explorando a dimensão pessoal e universal da existência. A sua poesia dialoga com a tradição literária, mas manifesta uma sensibilidade contemporânea, marcada pela complexidade dos temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gentil Braga insere-se no contexto da poesia contemporânea em língua portuguesa, participando das discussões estéticas e temáticas que caracterizam a produção literária atual. A sua obra reflete, de forma sensível, as preocupações e os anseios do mundo moderno.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Gentil Braga não são amplamente divulgados, o que mantém um foco predominante na sua obra poética e na sua expressão artística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Gentil Braga tem sido apreciada pela sua profundidade lírica e pela originalidade com que aborda temas universais. A sua poesia tem conquistado um público leitor e a atenção de críticos que valorizam a qualidade estética e a reflexão existencial que ela proporciona.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O legado de Gentil Braga na poesia contemporânea reside na sua capacidade de tecer versos que tocam a alma, explorando as sutilezas da experiência humana. A sua influência estende-se àqueles que valorizam uma poesia introspectiva e lírica, com um olhar atento sobre a memória e a identidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gentil Braga oferece um terreno fértil para análises críticas focadas na exploração da identidade, da memória e da condição humana, bem como na sua abordagem lírica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou do processo criativo de Gentil Braga não são amplamente divulgadas, mantendo um certo mistério em torno da sua figura pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável, dado que Gentil Braga é um autor contemporâneo.