Gregório de Matos

Gregório de Matos

1636–1696 · viveu 59 anos BR BR

Gregório de Matos, conhecido como "Boca do Inferno", foi um poeta barroco brasileiro do século XVII. A sua obra, caracterizada por uma variedade de registos — lírico, satírico, erótico e religioso —, reflete a sociedade colonial do Brasil da época com crueza e humor. É amplamente considerado o primeiro grande poeta brasileiro, conhecido pela sua veia satírica mordaz contra as autoridades e os costumes da Bahia, mas também pela sua lírica amorosa e reflexões existenciais.

n. 1636-12-23, Salvador · m. 1696-11-26, Recife

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Buscando a Cristo

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Gregório de Matos Guerra, conhecido como "Boca do Inferno", foi um poeta brasileiro do período colonial, considerado um dos mais importantes representantes do Barroco no Brasil. Nasceu em Salvador, Bahia, e faleceu em Recife, Pernambuco. Era filho de Fernão de Matos e de Maria da Guerra. A sua obra é vasta e diversificada, mas grande parte dela só foi compilada e publicada postumamente. Escreveu em português e a sua obra é fundamental para a compreensão da literatura e da sociedade brasileira do século XVII.

Infância e formação

Gregório de Matos recebeu uma educação esmerada em Salvador, onde estudou no Colégio dos Jesuítas. Em 1650, foi enviado para Coimbra, Portugal, para estudar Direito na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em 1658. Durante a sua estadia em Portugal, teve contacto com a poesia da época e começou a desenvolver o seu próprio estilo. Voltou ao Brasil em 1661, mas retornou a Portugal em 1673, onde viveu por mais alguns anos antes de se estabelecer definitivamente na Bahia.

Percurso literário

O seu percurso literário foi marcado pela sua veia satírica e pela sua habilidade em retratar a sociedade baiana do século XVII. Foi um poeta que viveu intensamente o seu tempo, criticando os vícios, a corrupção e a hipocrisia da colónia. Embora tenha escrito poesia lírica, religiosa e amorosa, é na poesia satírica que se destaca pela mordacidade e pela criatividade com que usava a linguagem. Não publicou em vida, e grande parte da sua obra foi transmitida oralmente ou através de cópias manuscritas, o que gerou dúvidas sobre a autenticidade de alguns poemas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Gregório de Matos é profundamente barroca, caracterizada pelo jogo de contrastes, pelo uso abundante de figuras de linguagem (antíteses, paradoxos, hipérboles), pela linguagem rebuscada e pela exploração da dualidade entre o sagrado e o profano, o espiritual e o carnal. Os temas abordados são variados: o amor, a fugacidade do tempo, a morte, a vaidade, a crítica social e política. A sua poesia lírica é marcada pela idealização da mulher e pela expressão de um amor que oscila entre o êxtase e o sofrimento. Na poesia satírica, "Boca do Inferno" ataca com veemência as autoridades, os clérigos, os mercadores e os costumes da época. A sua linguagem é rica, inventiva e, por vezes, chocante, utilizando um vocabulário que vai do erudito ao popular.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Gregório de Matos viveu num período de consolidação da colonização portuguesa no Brasil, com uma sociedade hierarquizada, marcada pela escravatura, pela exploração económica e pela forte influência da Igreja Católica. A Bahia era um centro económico e cultural importante, mas também palco de tensões sociais e políticas. O Barroco foi o estilo artístico e literário dominante, refletindo as contradições e os conflitos desse período.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Gregório de Matos teve uma vida boémia e agitada. Era conhecido pelo seu temperamento irascível e pela sua língua afiada, o que lhe valeu o apelido "Boca do Inferno". Por diversas vezes, entrou em conflito com as autoridades, sendo expulso da Bahia e deportado para Angola em 1694. As suas relações pessoais eram complexas, e a sua obra reflete tanto as suas paixões como as suas desilusões.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Em vida, Gregório de Matos foi uma figura polémica e admirada. A sua obra, apesar de não publicada formalmente, circulava amplamente, tornando-o conhecido como um poeta satírico e espirituoso. Após a sua morte, a sua obra foi gradualmente compilada e ganhou reconhecimento como um marco da literatura brasileira. No entanto, a questão da autenticidade de muitos poemas continuou a ser debatida por críticos e estudiosos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Gregório de Matos foi influenciado por autores como Luís de Camões e pela poesia barroca europeia. O seu legado é imenso para a literatura brasileira, pois foi o primeiro poeta a dar voz à realidade social e cultural do Brasil colonial com tamanha vivacidade e originalidade. Abriu caminho para a poesia brasileira ao abordar temas e uma linguagem que refletiam a identidade nacional em formação. A sua obra é estudada como um documento histórico e literário fundamental.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Gregório de Matos é interpretada como um reflexo das contradições e dos contrastes da sociedade barroca colonial. A sua capacidade de transitar entre o sublime e o grotesco, o sagrado e o profano, o amor idealizado e a sátira mordaz, faz dele uma figura complexa e fascinante. A crítica destaca a sua originalidade na adaptação do Barroco europeu à realidade brasileira e a sua ousadia em questionar o poder e os costumes da época.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Gregório de Matos terá sido um homem de saúde frágil, mas de espírito impetuoso. A sua fama de "Boca do Inferno" advinha não só da sua poesia, mas também da sua agudeza de espírito e da sua tendência para a crítica direta. Uma curiosidade é que, apesar da sua vida boémia, demonstrou também uma faceta religiosa e reflexiva na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Gregório de Matos faleceu em Recife, para onde tinha sido exilado. A sua morte em 1695 marcou o fim da vida de um dos poetas mais originais e controversos do Brasil colonial. A memória de "Boca do Inferno" perdura como a de um poeta que ousou dizer o que muitos pensavam, mas não podiam expressar.

Poemas

40

Rompe o Poeta

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que não a cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatra?

Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
5 627

Contemplando nas Cousas do Mundo

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra, o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.


In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.

NOTA: Mapa: entenda-se o verso: exibe árvore genealógica; vazo a tripa: defeco, chulo 'estou cagando', isto é 'pouco me importo
9 498

No Fluxo e Refluxo das Marés

Seis horas enche e outras tantas vaza
A maré pelas margens do Oceano,
E não larga a tarefa um ponto no ano,
Depois que o mar rodeia, o sol abrasa.

Desde a esfera primeira opaca, ou rasa
A Lua com impulso soberano
Engole o mar por um secreto cano,
E quando o mar vomita, o mundo arrasa.

Muda-se o tempo, e suas temperanças.
Até o céu se muda, a terra, os mares,
E tudo está sujeito a mil mudanças.

Só eu, que todo o fim de meus pesares
Eram de algum minguante as esperanças,
Nunca o minguante vi de meus azares.


In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992
4 781

À MARGEM DE UMA FONTE QUE CORRIA

A uma dama dormindo junto a uma fonte.

À margem de uma fonte, que corria,
Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.

Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia,

Não dão o parabém à nova Aurora
Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.

Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Aves cheirosas, flores ressonantes.

3 274

Queixa-se o Poeta

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.


In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992
4 177

Segunda Impaciência Do Poeta

Cresce o desejo, falta o sofrimento,
Sofrendo morro, morro desejando,
Por uma, e outra parte estou penando
Sem poder dar alívio a meu tormento.

Se quero declarar meu pensamento,
Está-me um gesto grave acobardando,
E tenho por melhor morrer calando,
Que fiar-me de um néscio atrevimento.

Quem pretende alcançar, espera, e cala,
Porque quem temerário se abalança,
Muitas vezes o amor o desiguala.

Pois se aquele, que espera se alcança,
Quero ter por melhor morrer sem fala,
Que falando, perder toda esperança.

5 817

No Dia Em Que Fazia Anos

No Dia Em Que Fazia Anos Esta Divina Beleza; Este Portento De Formosura Dona Angela, Por Quem o Poeta Se Considerava Amorosamente Perdido, e Quase Sem Remédio Pela Grande Impossibilidade De Poder Lograr Seus Amores: Celebra Obsequiosa, e Primorosamente Suas Florentes Primaveras Com Esta Lindíssima Canção.

1.Pois os prados, as aves, as flores
ensinam amores,
carinhos, e afetos:
venham correndo
aos anos felizes,
que hoje festejo:
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem atentos
as aves canoras
as flores fragrantes
e os prados amenos.

2. Pois os dias, as horas, os anos
alegres, e ufanos
dilatam as eras;
Venham depressa
aos anos felizes,
que Amor festeja.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem deveras
os anos fecundos,
os dias alegres,
as horas serenas.

3.Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas
com Luzes tão belas
auspiciam as vidas,
venham luzidas
aos anos felizes
que Amor publica.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem um dia
a esfera imóvel,
os astros errantes,
e as estrelas fixas.

4.Pois o fogo, água, terra, e os ventos
são quatro elementos,
que alentam a idade,
venham achar-se
aos anos felizes
que hoje se aplaudem.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem constantes
a terra florida,
o fogo abrasado,
o mar furioso,
e as auras suaves.

2 777

Ao Sanctissimo Sacramento Estando para Comungar

Tremendo chego, meu Deus,
Ante vossa divindade,
que a fé é muito animosa,
mas a culpa mui cobarde.
À vossa mesa divina
como poderei chegar-me,
se é triaga da virtude,
e veneno da maldade?
Como comerei de um pão,
que me dais, porque me salve?
um pão, que a todos dá vida,
e a mim temo, que me mate.
Como não hei de ter medo
de um pão, que é tão formidável
vendo, que estais todo em tudo,
e estais todo em qualquer parte?
Quanto a que o sangue vos beba,
isso não, e perdoai-me:
como quem tanto vos ama,
há de beber-vos o sangue?
Beber o sangue do amigo
é sinal de inimizade;
pois como quereis, que o beba,
para confirmarmos pazes?
Senhor, eu não vos entendo;
vossos preceitos são graves,
vossos juízos são fundos,
vossa idéia inescrutável.
Eu confuso neste caso
entre tais perplexidades
de salvar-me, ou de perder-me,
só sei, que importa salvar-me.
Oh se me déreis tal graça,
que tenho culpas a mares,
me virá salvar na tábua
de auxílios tão eficazes!
É pois já à mesa cheguei,
onde é força alimentar-me
deste manjar, de que os Anjos
fazem seus próprios manjares:
Os Anjos, meu Deus, vos louvem,
que os vossos arcanos sabem,
e os Santos todos da glória,
que, o que vos devem, vos paguem.
Louve-vos minha rudeza,
por mais que sois inefável,
porque se os brutos vos louvam,
será a rudeza bastante.
Todos os brutos vos louvam,
troncos, penhas, montes, vales,
e pois vos louva o sensível,
louve-vos o vegetável,

2 160

Ao Mesmo Assumpto e na Mesma Occasião

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

2 930

Finge que Defende a Honra

Uma cidade tão nobre,
uma gente tão honrada
veja-se um dia louvada
desde o mais rico ao mais pobre:
cada pessoa o seu cobre,
mas se o diabo me atiça,
que indo a fazer-lhe justiça
algum saia a justiçar,
não me poderão negar
que por direito, e por Lei
esta é a justiça, que manda El-Rei

O Fidalgo de solar
se dá por envergonhado
de um tostão pedir prestado
para o ventre sustentar:
diz que antes o quer furtar
por manter a negra honra,
que passar pela desonra
de que lhe neguem talvez;
mas se o virdes nas galés
com honras de Vice-Rei,
esta é a justiça, que manda El-Rei

A Donzela embiocada
mal trajada, e mal comida,
antes quer na sua vida
ter saia, que ser honrada:
à pública amancebada
por manter a negra honrinha,
e se lho sabe a vizinha
e lho ouve a clerezia,
dão com ela na enxovia
e paga a pena da lei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

A Casada com adorno,
e o Marido mal vestido,
crede que este tal Marido
penteia monho de corno:
se disser pelo contorno
que se sofre a Frei Tomás
por manter a honra o faz,
esperai pela pancada,
que com carocha pintada
de Angola há de ser Visrei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

Os Letrados Peralvilhos
citando o mesmo Doutor
a fazer de réu o Autor
comem de ambos os carrinhos:
se se diz pelos corrilhos
sua prevaricação,
a desculpa, que lhe dão,
é a honra de seus parentes
e entonces os requerentes
fogem desta infame grei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

O Clérigo julgador,
que as causas julga sem pejo,
não reparando que eu vejo
que erra a Lei, e erra o Doutor:
quando vêem de Monsenhor
a sentença revogada
por saber que foi comprada
pelo jimbo, ou pelo abraço,
responde o Juiz madraço,
minha honra é minha Lei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

O Mercador avarento,
quando a sua compra estende,
no que compra, e no que vende,
tira duzentos por cento:
não é ele tão jumento,
que não saiba que em Lisboa
se lhe há de dar na gamboa;
mas comido já o dinheiro
diz que a honra está primeiro,
e que honrado a toda Lei:
esta é justiça, que manda El-Rei.

A Viúva autorizada,
que não possui um vintém,
porque o Marido de bem
deixou a casa empenhada:
ali vai a fradalhada,
qual formiga em correição,
dizendo que à casa vão
manter a honra da casa;
se a virdes arder em brasa,
que ardeu a honra entendei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

O Adônis da manhã,
o Cupido em todo dia,
que anda correndo a coxia
com recadinhos da Irmã:
e se lhe cortam a lã,
diz que anda naquele andar
por a honra conservar
bem tratado, e bem vestido,
eu o verei tão despido,
que até as costas lhe verei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

Se virdes um Dom Abade
sobre o púlpito cioso,
não lhe chameis religioso,
chamai-lhe embora de frade:
e se o tal paternidade
rouba as rendas do convento
para acudir ao sustento
da puta, como da peita,
com que livra da suspeita
do Geral, do Viso-Rei:
esta é a justiça, que manda El-Rei.

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GEOVANA PNC
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GEOVANA FOFOQUEIRA E INVEJOSA

COME CU
COME CU

EU DARIA PRO BOCA DE FOGO

André Matheus
André Matheus

E muito massa