Guillaume Apollinaire

Guillaume Apollinaire

1880–1918 · viveu 38 anos FR FR

Guillaume Apollinaire foi um poeta, escritor e crítico de arte de origem polaca, mas que desenvolveu a sua obra principalmente em França. Considerado um dos precursores do surrealismo e uma figura central do modernismo europeu, Apollinaire é célebre pela sua poesia inovadora, que explorou novas formas de expressão, como os "calligrammes" (poemas visuais). A sua obra reflete um espírito vanguardista, marcado pela experimentação linguística e temática, abordando temas como o amor, a guerra, a modernidade e o exótico. Foi também um influente crítico de arte, promovendo artistas como Picasso e Matisse.

n. 1880-08-26, Roma · m. 1918-11-09, Paris

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A PONTE MIRABEAU

Sob esta ponte passa o rio Sena
e o nosso amor
lembrança tão pequena
sempre o prazer chegava após a pena

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

Mãos dadas nós fiquemos face a face
enquanto sob
a ponte dos braços passe
de eternas juras tédio que se enlace

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

E vai-se o amor como água corre atenta
e vai-se o amor
ai como a vida é tão lenta
e como só a esperança é violenta

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa

Dias semanas passam à dezena
nem tempo volta
nem nosso amor nossa pena
sob esta ponte passa o rio Sena

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa

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Biografia

Identificação e contexto básico

Guillaume Apollinaire, nascido Wilhelm Albert Wladimir Alexandre Apollinaire de Kostrowitzky, foi um poeta, escritor e crítico de arte. Embora de origem polaca, viveu e escreveu predominantemente em França, tornando-se uma figura seminal do modernismo europeu. Pseudónimos: Apollinaire. A sua obra é escrita em francês. Nasceu em Roma, em 26 de agosto de 1880, e faleceu em Paris, em 9 de novembro de 1918. Pertenceu a uma família aristocrática polaca, embora a sua origem social exata e a relação com o pai tenham sido sempre um tema de debate e mistério.

Infância e formação

Apollinaire teve uma infância e juventude marcadas pela instabilidade e pela ausência da figura paterna. A sua mãe, Angelica Kostrowitzky, de origem polaca e italiana, levou-o a viver em diversas cidades da Riviera Francesa, onde frequentou escolas. Foi um estudante brilhante, autodidata em muitas áreas, especialmente na literatura e nas artes. Teve contacto com a poesia francesa, a filosofia e a arte, que o influenciaram profundamente, absorvendo as vanguardas artísticas e literárias emergentes na Europa.

Percurso literário

O seu percurso literário começou cedo, com a publicação de poemas em revistas. Em 1903, fundou a revista "Le Festin d'Ésophage". A sua obra ganhou notoriedade com a publicação de "Alcools" (1913), uma coletânea que o consagrou como um dos grandes poetas da sua geração. Desenvolveu um estilo único, marcado pela experimentação, que influenciou o surrealismo. Foi também um ativo crítico de arte, escrevendo sobre artistas como Picasso e Matisse, e foi um divulgador das vanguardas artísticas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras principais incluem "Alcools" (1913), "Calligrammes" (1918) e o romance "Les Onze Mille Verges" (1907). Os temas recorrentes são o amor, a morte, a guerra, a modernidade, o tempo, a beleza, o exótico e o fantástico. Apollinaire inovou na forma poética, sendo o criador dos "calligrammes", poemas visuais onde a disposição das palavras forma imagens. Explorou o verso livre e a fragmentação, afastando-se das formas tradicionais. A sua linguagem é rica, imagética e musical, por vezes irónica e melancólica. O seu estilo é considerado uma ponte entre o simbolismo e as vanguardas, notadamente o surrealismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Apollinaire viveu e produziu a sua obra no efervescente ambiente artístico e intelectual de Paris no início do século XX, um período de grande efervescência artística e de importantes mudanças sociais e políticas. Fez parte de círculos artísticos que incluíam Pablo Picasso, Henri Matisse, Erik Satie, entre outros. Era um amigo próximo de Picasso e um grande divulgador do cubismo. O seu envolvimento na Primeira Guerra Mundial teve um impacto significativo na sua obra, especialmente nos "Calligrammes".

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Apollinaire foi marcada por relações amorosas intensas e, por vezes, tumultuosas, que frequentemente inspiraram a sua poesia. A sua mãe, Angelica, exerceu uma influência duradoura. A sua participação na Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido na cabeça, deixou sequelas. Era conhecido pela sua personalidade carismática e pelo seu espírito boémio.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Apollinaire foi uma figura reconhecida e respeitada no seu tempo, embora a total dimensão do seu génio tenha sido plenamente apreciada postumamente. A sua audácia formal e temática desafiou muitas convenções literárias. A sua obra é hoje considerada fundamental para a compreensão da poesia do século XX e para o desenvolvimento das vanguardas artísticas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Foi influenciado por poetas simbolistas como Rimbaud e Verlaine. Por outro lado, Apollinaire exerceu uma influência decisiva sobre o surrealismo e sobre inúmeros poetas posteriores. É considerado um dos pais da poesia moderna, pela sua experimentação formal e pela sua capacidade de capturar o espírito do seu tempo. Os seus "calligrammes" continuam a ser estudados e admirados.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Apollinaire tem sido interpretada de diversas formas, destacando-se a sua modernidade, a sua capacidade de antecipar o surrealismo e a sua visão do mundo em transformação. As críticas centram-se na sua inovação formal, na sua exploração do inconsciente e na sua visão do amor e da guerra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Apollinaire foi preso em 1911, sob suspeita de roubo da Mona Lisa, embora tenha sido posteriormente ilibado. Era um entusiasta do ocultismo e da magia. O seu nome "Apollinaire" significa "aquele que ama o belo", um nome que escolheu para si próprio.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Guillaume Apollinaire faleceu em Paris, em 9 de novembro de 1918, vítima da gripe espanhola, poucos dias antes do fim da Primeira Guerra Mundial. A sua morte prematura privou o mundo literário de um dos seus génios mais originais. Várias obras foram publicadas postumamente, consolidando o seu lugar na história da literatura.

Poemas

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A PONTE MIRABEAU

Sob esta ponte passa o rio Sena
e o nosso amor
lembrança tão pequena
sempre o prazer chegava após a pena

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

Mãos dadas nós fiquemos face a face
enquanto sob
a ponte dos braços passe
de eternas juras tédio que se enlace

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

E vai-se o amor como água corre atenta
e vai-se o amor
ai como a vida é tão lenta
e como só a esperança é violenta

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa

Dias semanas passam à dezena
nem tempo volta
nem nosso amor nossa pena
sob esta ponte passa o rio Sena

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa

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LAÇOS

Cordas feitas de gritos

Sons de sinos através da Europa
Séculos enforcados
Carris que amarrais nações
Não somos mais que dois ou três homens
Livres de todas as peias
Vamos dar-nos as mãos

Violenta chuva que penteia os fumos
Cordas
Cordas tecidas
Cabos submarinos
Torres de Babel transformadas em pontes

Aranhas-Pontífices
Todos os apaixonados que um só laço enlaçou

Outros laços mais firmes
Brancas estrias de luz
Cordas e Concórdia

Escrevo apenas para vos celebrar
Ó sentido ó sentidos caros
Inimigos do recordar
Inimigos do desejar

Inimigos da saudade
Inimigos das lágrimas
Inimigos de tudo o que eu amo ainda

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TROMPAS DE CAÇA

A nossa história nobre e trágica
como máscara de tirano
não drama de acaso ou mágica
nenhum detalhe de engano
faz patético o amor

E Thomas De Quincey emborcando
ópio veneno doce e casto
de sua Ana triste sonhando
passemos pois tudo passa
para trás me irei voltando

Lembranças trompas de caça
ecos no vento acabando

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Le chat

Le chat

Je souhaite dans ma maison :

Une femme ayant sa raison,

Un chat passant parmi les livres,

Des amis en toute saison

Sans lesquels je ne peux pas vivre.

3 119

Livros

8

Videos

50

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