Haroldo de Campos

Haroldo de Campos

1929–2003 · viveu 73 anos BR BR

Haroldo de Campos foi um poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário brasileiro, figura central do concretismo. Sua obra é marcada pela experimentação linguística e pela busca de uma poesia que transcendesse as barreiras da linguagem tradicional, explorando a visualidade e a sonoridade das palavras. Foi um dos fundadores do movimento concretista no Brasil e um intelectual de vasta influência, com uma produção que abrangeu poesia, teoria literária e tradução.

n. 1929-08-19, São Paulo · m. 2003-08-16, São Paulo

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Se



                                           se
                                           nasce
                                           morre  nasce 
                                           morre  nasce  morre
                                                                          renasce  remorre  renasce
                                                                                         remorre  renasce
                                                                                                        remorre
                                                 re                                                             re
                                     desnasce
                   desmorre  desnasce 
  desmorre  desnasce  desmorre
                                                     nascemorrenasce
                                                     morrenasce
                                                     morre
                                                     se


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Biografia

Identificação e contexto básico

Haroldo de Campos, nome completo e único, foi um poeta, ensaísta, tradutor e crítico literário brasileiro. Nasceu em São Paulo e foi uma das figuras mais proeminentes do concretismo no Brasil.

Infância e formação

Haroldo de Campos nasceu numa família de classe média em São Paulo. Realizou os seus estudos na cidade onde nasceu, demonstrando desde cedo um grande interesse pela literatura e pelas artes. A sua formação intelectual foi marcada por um estudo profundo da linguagem, da filosofia e das vanguardas artísticas do século XX.

Percurso literário

O percurso literário de Haroldo de Campos começou com a sua participação ativa no movimento concretista, fundado em 1952 juntamente com seu irmão Augusto de Campos e Décio Pignatari. Este movimento revolucionou a poesia brasileira ao propor uma poesia visual e experimental. Haroldo de Campos foi um dos principais teóricos do concretismo, desenvolvendo conceitos como "poema-processo" e "transcriação", esta última uma nova forma de pensar a tradução literária. Publicou inúmeros livros de poesia e ensaios, além de ter traduzido obras fundamentais da literatura universal.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras principais de Haroldo de Campos incluem "O Galo Pelado", "Viva Vaia", "A Educação dos Cinco Sentidos" e "Galáxias". Seus temas exploram a relação entre o homem e a máquina, a cidade moderna, a linguagem como forma e conteúdo, e a própria natureza da poesia. Seu estilo é caracterizado pela experimentação radical com a forma e a linguagem, o uso de neologismos, a exploração da visualidade do poema e a "transcriação", que propõe uma recriação da obra em outra língua, indo além da mera tradução literal. Foi um dos pioneiros do concretismo, buscando uma poesia que fosse ao mesmo tempo verbo-visual e sonora.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Haroldo de Campos viveu e produziu durante um período de intensas transformações sociais, políticas e culturais no Brasil e no mundo. O concretismo, movimento do qual foi um dos fundadores, surgiu em um contexto de modernização e busca por uma linguagem artística renovada, dialogando com as vanguardas internacionais. Sua obra reflete as tensões e os debates da época, especialmente no campo das artes e da crítica literária.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Haroldo de Campos teve uma vida dedicada ao estudo e à produção intelectual. Foi casado e teve filhos, mas sua vida pessoal sempre esteve intrinsecamente ligada à sua atividade literária e acadêmica. Sua relação com o irmão Augusto de Campos foi fundamental para o desenvolvimento e a consolidação do concretismo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Haroldo de Campos é amplamente reconhecido como um dos maiores poetas e teóricos da literatura brasileira do século XX. Sua obra influenciou gerações de poetas e críticos, e seus conceitos, como "transcriação", são estudados internacionalmente. Recebeu diversos prêmios e homenagens ao longo de sua carreira, consolidando seu lugar no cânone literário brasileiro.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Haroldo de Campos foi influenciado por poetas como Oswald de Andrade, e pelas vanguardas europeias. Seu legado é imenso, tendo renovado a poesia brasileira e a teoria da tradução. Sua obra continua a ser estudada e admirada, e sua abordagem experimental da linguagem inspira novos artistas e pensadores.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Haroldo de Campos tem sido objeto de inúmeras análises críticas que destacam sua originalidade, sua rigorosidade teórica e sua capacidade de inovar na linguagem poética. Seus poemas convidam a múltiplas interpretações, explorando as ambiguidades e as potencialidades da palavra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Haroldo de Campos era conhecido por sua erudição e dedicação incansável ao trabalho intelectual. Sua casa em São Paulo era um centro de efervescência cultural, onde recebia artistas e intelectuais. Sua habilidade em transpor obras complexas para o português, como os "Cantos" de Ezra Pound, demonstra sua maestria e profundo conhecimento das línguas e das culturas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Haroldo de Campos faleceu em São Paulo, deixando um legado literário e intelectual inestimável. Sua obra continua a ser publicada, estudada e debatida, mantendo viva a memória de um dos mais importantes poetas e pensadores do Brasil.

Poemas

6

Se



                                           se
                                           nasce
                                           morre  nasce 
                                           morre  nasce  morre
                                                                          renasce  remorre  renasce
                                                                                         remorre  renasce
                                                                                                        remorre
                                                 re                                                             re
                                     desnasce
                   desmorre  desnasce 
  desmorre  desnasce  desmorre
                                                     nascemorrenasce
                                                     morrenasce
                                                     morre
                                                     se


9 583

O Instante

o instante
é pluma

seu holograma
radia estável

como quem olha pelo cristal
do tempo

feixe fixo
de luz

(já não se vê se o olho deixa sua seteira)

prisma

o sol
chove
de um teto
zenital

elipse: um estilo de persianas


In: CAMPOS, Haroldo de. Signatia quasi coelum = signância quase céu. São Paulo: Perspectiva, 1979. p. 35. (Signos, 7).
7 999

Nomeação do Azul-Volpi

um
rouxinegro
canta
no azul-
volpi

uma
asa
violeta
a escanteio
triângula
no
branco

volpinveste
um vermelho
de vermelhos
e iça a
bandeira
branca

roságua o
rosa
e abre
para este
canto
onde
o rouxinegro
azula
ogivando-se
e
:
quadrosquadros
zulminâncias
volpilúminos


julho 72

Poema integrante da série 6 Metapinturas e 1 Meta-Retrato.

In: CAMPOS, Haroldo de. A educação dos cinco sentidos: poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 92-93
4 038

Rochester: High Falls - Genesee River

um festival de laser
fluorescendo
contra as rochas

no fundo
— jorro alvíssimo —
o véu da catarata
ora azul ora
rosa
cambiando ao
arbítrio da luz

riscos verdeazúis
cortam o céu noturno
como finos floretes
diglandiando-
se

gatos e ursos e novamente
gatos
— míticos bonecos de walt disney —
dançam
no telão das rochas
ao ritmo do
rock


In: CAMPOS, Haroldo de. Crisantempo: no espaço curvo nasce um. São Paulo: Perspectiva, 1998. p. 303. (Signos, 24).
2 809

Aproximações ao Topázio

o topázio
canibaliza seus amarelos
lente no olho tórrido
da luz
forno solar




aqui se mascam
carvões ardentes


(cinzas, fogos rasurados, cúspides
truncadas: br/asa)



o girassol pensa:
leopázios!


In: CAMPOS, Haroldo de. Singnatia quasi coelum = signância quase céu.
São Paulo: Perspectiva, 1979. p. 53. (Signos, 7).
4 708

hieróglifo para mario schoenberg

o olhar transfinito do mário
nos ensina
a ponderar melhor a indecifrada
equação cósmica

cinzazul
semicerrando verdes
esse olhar
nos incita a tomar o sereno
pulso das coisas
a auscultar
o ritmo micro -
macrológico da matéria
a aceitar
o spavento della materia (ungaretti)
onde kant viu a cintilante lei das estrelas
projetar-se no céu interno da ética

na estante de mário
física e poesia coexistem
como asas de um pássaro -
espaço curvo -
colhidas pela têmpera absoluta de volpi

seu marxismo zen
é dialético
e dialógico

e deixa ver que a sabedoria
pode ser tocável como uma planta
que cresce das raízes e deita folhas
e viça
e logo se resolve numa flor de lótus
de onde
- só visível quando damos conta -
um bodisatva nos dirige seu olhar transfinito.

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