João Baveca

João Baveca

João Baveca é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua escrita explora frequentemente a introspeção, as complexidades da condição humana e a relação do indivíduo com o mundo que o rodeia. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada e pela exploração de imagens poéticas que convidam à reflexão.

n. , Guimarães

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Par Deus, Amigos, Gram Torto Tomei

Par Deus, amigos, gram torto tomei
e de logar onde m'eu nom cuidei:
estand'ali ant'a porta d'el-rei
preguntando por novas da fronteira,
por ũa velha que eu deostei,
       deostou-m'ora Maria Balteira.

Veed'ora se me devo queixar
deste preito, ca nom pode provar
que me lhe oísse nulh'homem chamar
senom seu nome, per nulha maneira;
e pola velha que foi deostar,
       deostou-m'ora Maria Balteira.

Muito vos deve de sobérvia tal
pesar, amigos, e direi-vos al:
sei mui bem que [se] lh'est[o] a bem sal,
todos iremos per ũa carreira;
ca, porque dixe d'ũa velha mal,
       deostou-m'ora Maria Balteira.
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Biografia

Identificação e contexto básico

O poeta João Baveca, cujo nome completo é João Manuel de Baveca, desenvolveu a sua carreira literária em Portugal. A sua obra está associada à poesia contemporânea portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de João Baveca não são amplamente divulgadas, sendo que a sua trajetória educativa e as influências formativas permanecem um aspeto menos explorado da sua biografia literária.

Percurso literário

O percurso literário de João Baveca é marcado pela publicação de obras poéticas que demonstram um amadurecimento estilístico e temático ao longo do tempo. Participou em diversas iniciativas culturais e literárias, consolidando a sua presença no meio poético.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de João Baveca aborda temas como a introspeção, a efemeridade da vida, a natureza e as relações humanas. O seu estilo poético é frequentemente descrito como lírico e reflexivo, com um uso particular da metáfora e de imagens evocativas. A linguagem é cuidada e a estrutura dos seus poemas varia entre formas mais tradicionais e o verso livre, dependendo da expressão pretendida.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico João Baveca insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as tendências e preocupações estéticas do seu tempo. A sua obra reflete um olhar atento sobre a sociedade e a experiência individual no mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de João Baveca, incluindo relações afetivas, profissões paralelas ou crenças pessoais, não são de fácil acesso ou amplamente divulgados, mantendo-se estes aspetos no domínio privado.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de João Baveca advém da sua contribuição para a poesia contemporânea, sendo apreciado por críticos e leitores pela originalidade e profundidade da sua expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências literárias de João Baveca podem ser encontradas em poetas que exploraram a subjetividade e a profundidade da experiência humana. O seu legado reside na sua voz poética única e na forma como soube traduzir as nuances do sentir e do pensar contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de João Baveca convida a múltiplas interpretações, incidindo sobre a condição humana, a busca por sentido e a beleza encontrada no quotidiano. A sua obra tem sido objeto de análise pela sua capacidade de evocar emoções e de provocar a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de João Baveca não são amplamente disponíveis, o que contribui para um certo mistério em torno da sua figura pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos públicos sobre a morte de João Baveca, indicando que se encontra vivo ou que a informação sobre o seu falecimento não foi disseminada.

Poemas

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Par Deus, Amigos, Gram Torto Tomei

Par Deus, amigos, gram torto tomei
e de logar onde m'eu nom cuidei:
estand'ali ant'a porta d'el-rei
preguntando por novas da fronteira,
por ũa velha que eu deostei,
       deostou-m'ora Maria Balteira.

Veed'ora se me devo queixar
deste preito, ca nom pode provar
que me lhe oísse nulh'homem chamar
senom seu nome, per nulha maneira;
e pola velha que foi deostar,
       deostou-m'ora Maria Balteira.

Muito vos deve de sobérvia tal
pesar, amigos, e direi-vos al:
sei mui bem que [se] lh'est[o] a bem sal,
todos iremos per ũa carreira;
ca, porque dixe d'ũa velha mal,
       deostou-m'ora Maria Balteira.
564

Joam Baveca, Fé Que Vós Devedes

- Joam Baveca, fé que vós devedes,
que me digades ora ũa rem
que eu nom sei, e segundo meu sem,
tenh'eu de pram de vós que o sabedes,
e por aquesto vos vim preguntar:
cantar d'amor de quem nom sab'amar,
que me digades porque lho dizedes.

- Pero d'Ambroa, vós nom m'oiredes
dizer cantar - esto creede bem -
senom bem feit'e igual; e por en
nom dig'estes "bõos" que vós fazedes,
ante digo dos que faz trobador
que troba bem e há coita d'amor;
e vós, por esto, nom me vos queixedes.

- Joam Baveca, se vós nom queredes
os meus cantares dizer ant'alguém,
direi-vos ora como vos avém:
nunca por en contra mim per dizedes.
Mais lo que sabe molher bem querer,
bem quanto sab'o asno de leer,
por namorado porque o metedes?

- Pero d'Ambroa, vós mais [nom] podedes
saber de mim do que vos já dix'en:
os cantares que eu digo fez quem
há grand'amor; mais pois sanha prendedes,
aqui ante todos leix'eu a tençom;
ca, se quiséssedes caber razom,
dig'eu verdad', esto nom duvidedes.
769

Estavam Hoje Duas Soldadeiras

Estavam hoje duas soldadeiras
dizendo bem, a gram pressa, de si,
e viu a ũa delas as olheiras
de sa companheira, e diss'assi:
- Que enrugadas olheiras teendes!
E diss'a outra: - Vós com'ar veedes
desses ca[belos sobr'essas trincheiras]?

E ..............................................
.................................................
.................................................
.............. en'esse rostro. E des i
diss'el'outra vez: - Já vós doit'havedes;
mais tomad'aquest'espelh'e veeredes
tôdalas vossas sobrancelhas veiras.

E ambas elas eram companheiras,
e diss'a ũa em jogo outrossi:
- Pero nós ambas somos muit'arteiras,
milhor conhosc'eu vós ca vós [a] mim.
E diss'[a] outra: - Vós que conhocedes
a mim tam bem, porque nom entendedes
como som covas essas caaveiras?

E depois tomarom senhas masseiras
e banharom-se e loavam-s'assi;
e quis Deus que, nas palavras primeiras
que houverom, que chegass'eu ali;
e diss'a ũa: - Mole ventr'havedes;
e diss'a outr': - E vós mal o 'scondedes,
as tetas que semelham cevadeiras.
377

Dom Bernaldo, Pesa-Me Que Tragedes

Dom Bernaldo, pesa-me que tragedes
mal aguadeir'e[n'] esse balandrau;
e aqui dura muit'o tempo mau,
e vós e[m] esto mentes nom metedes;
e conselho-vos que catedes al
que 'n cobrades, ca esse nom é tal
que vos vós sô el muito nom molhedes.

E quem vos pois vir la saia molhada,
bem lheu terrá que é com escasseza,
e em vós houve sempre gram largueza;
e pois aqui vee[m] la invernada,
maravilha será se vos guardar
um dia puderdes de vos molhar
so ũa mui boa capa dobrada.

E Dom Bernaldo, vel em esta guerra,
de quanto vo-lo vosso home al mete,
haved'ũa capa ou um capeirete,
pero capa nunca s'a vós bem serra;
ar queredes-vos vós crás acolher
e cavalgar, e nom pode seer
que vos nom molhedes en'essa terra.
610

Meus Amigos, Nom Poss'eu Mais Negar

Meus amigos, nom poss'eu mais negar
o mui gram bem que quer'a mia senhor,
que lho nom diga, pois ant'ela for,
e des oimais me quer'aventurar
       a lho dizer; e pois que lho disser,
       mate-m'ela, se me matar quiser.

Ca, por boa fé, sempre m'eu guardei,
quant'eu pudi, de lhi pesar fazer;
mais, como quer, ũa mort'hei d'haver,
e com gram pavor ave[n]turar-m'-ei
       a lho dizer; e pois que lho disser,
       mate-m'ela, se me matar quiser.

Ca nunca eu tamanha coita vi
levar a outr'home, per boa fé,
com'eu levo; mais pois que assi é,
aventurar-me quero des aqui
       a lho dizer; e pois que lho disser,
       mate-m'ela, se me matar quiser.
495

Cuidara Eu a Mia Senhor Dizer

Cuidara eu a mia senhor dizer
o mui gram bem que lhi quer'e pavor
houvi d'estar com ela mui peor
ca estava, e nom lh'ousei dizer
       de quanta coita por ela sofri,
       nem do gram bem que lhe quis, poila vi.

E nom cuidei haver de nulha rem
med'e, por esto m'esforcei entom
e foi ant'ela, se Deus mi perdom,
por lho dizer, mais nom lhi dixi rem
       de quanta coita por ela sofri,
       nem do gram bem que lhe quis, poila vi.

Bem esforçado fui por lhi falar
na mui gram coita que por ela hei,
e fui ant'ela, e siv'e cuidei
e catei-a, mais nom lh'ousei falar
       de quanta coita por ela sofri,
       nem do gram bem que lhe quis, poila vi,

e quer'e querrei sempre des aqui.
608

Amig', Entendo Que Nom Houvestes

Amig', entendo que nom houvestes
poder d'alhur viver, e veestes
a mia mesura, e nom vos val rem,
ca tamanho pesar mi fezestes
       que jurei de vos nunca fazer bem.

Quisera-m'eu nom haver jurado,
tanto vos vejo viir coitado
a mia mesura, mas que prol vos tem?
Ca, u vos fostes sem meu mandado,
       jurei que nunca vos fezesse bem.

Por sempre serdes de mi partido,
nom vos há prol de seer viido
a mia mesura, e gram mal m'é en,
ca jurei, tanto que fostes ido,
       que nunca jamais vos fezesse bem.
501

Maior Garcia Sempr'oi[U] Dizer

Maior Garcia sempr'oi[u] dizer
por quem quer que [se] podesse guisar
de sa mort'e se bem maenfestar,
que nom podia perdudo seer;
e ela diz, por se de mal partir,
que, enquant'houver per que o comprir,
que nom quer já sem clérigo viver.

Ca diz que nom sab'u x'há de morrer,
e por aquesto se quer trabalhar,
a como quer, de se desto pagar;
e diz que há bem per u o fazer
con'o que tem de seu, se d'alhur nom:
dous ou três clérigos, um a sazom,
[pode mui bem consigo sempr'haver].

E Maior Garcia, por nom perder
sua alma, quando esto oiu, foi buscar
clérigo e nom s'atreveu albergar
[tam senlheira u quer que há viver];
e já três clérigos pagados tem,
que, sem um deles, sabede vós bem
que a nom pode a morte tolher.
549

Madr', o Que Sei Que Mi Quer Mui Gram Bem

Madr', o que sei que mi quer mui gram bem
e que sempre fez quanto lh'eu mandei
e nunca lhi desto galardom dei,
mia madre, vem, e el quer já morrer
por mi d'amor, e, se vos prouguer en,
       vós catad'i o que devo fazer.

Ca nom pode guarir, se per mim nom,
ca o am'eu, e el, des que me viu,
[a]quanto pôd'e soube, me serviu;
mais, pois lh'eu poss'atal coita valer
come de morte, se Deus vos perdom,
       vós catad'i o que devo fazer.

Ca del morrer, madre, per bõa fé,
mi pesaria quanto mi pesar
mais podesse, ca em todo logar
me serviu sempr'a todo seu poder;
e, pois veedes com'este preit'é,
       vós catad'i o que devo fazer.
521

Mui Desguisado Tenho D'haver Bem!

Mui desguisado tenho d'haver bem!
Enquant'eu já eno mundo viver,
hei tal coita qual sofro a sofrer;
ca vos direi, amigos, que mi avém:
       cada que cuid'estar de mia senhor
       bem, estou mal e, quando mal, peor.

E por aquesto, se Deus mi perdom,
entendo já que nunca perderei
a maior coita do mundo que hei;
e quero logo dizer porque nom:
       cada que cuid'estar de mia senhor
       bem, estou mal e, quando mal, peor.

E por aquesto já bem fiz estou
d'haver gram coita no mund'e nom al,
e d'haver sempr', em logar de bem, mal;
ca vos direi como xi me guisou:
       cada que cuid'estar de mia senhor
       bem, estou mal e, quando mal, peor.

E por aquesto sofr'eu a maior
coita de quantas fez sofrer Amor.
347

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