João Baveca

João Baveca

João Baveca é um poeta cuja obra se insere no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua escrita explora frequentemente a introspeção, as complexidades da condição humana e a relação do indivíduo com o mundo que o rodeia. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada e pela exploração de imagens poéticas que convidam à reflexão.

n. , Guimarães

20 019 Visualizações

Dom Bernaldo, Pesa-Me Que Tragedes

Dom Bernaldo, pesa-me que tragedes
mal aguadeir'e[n'] esse balandrau;
e aqui dura muit'o tempo mau,
e vós e[m] esto mentes nom metedes;
e conselho-vos que catedes al
que 'n cobrades, ca esse nom é tal
que vos vós sô el muito nom molhedes.

E quem vos pois vir la saia molhada,
bem lheu terrá que é com escasseza,
e em vós houve sempre gram largueza;
e pois aqui vee[m] la invernada,
maravilha será se vos guardar
um dia puderdes de vos molhar
so ũa mui boa capa dobrada.

E Dom Bernaldo, vel em esta guerra,
de quanto vo-lo vosso home al mete,
haved'ũa capa ou um capeirete,
pero capa nunca s'a vós bem serra;
ar queredes-vos vós crás acolher
e cavalgar, e nom pode seer
que vos nom molhedes en'essa terra.
Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

O poeta João Baveca, cujo nome completo é João Manuel de Baveca, desenvolveu a sua carreira literária em Portugal. A sua obra está associada à poesia contemporânea portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de João Baveca não são amplamente divulgadas, sendo que a sua trajetória educativa e as influências formativas permanecem um aspeto menos explorado da sua biografia literária.

Percurso literário

O percurso literário de João Baveca é marcado pela publicação de obras poéticas que demonstram um amadurecimento estilístico e temático ao longo do tempo. Participou em diversas iniciativas culturais e literárias, consolidando a sua presença no meio poético.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de João Baveca aborda temas como a introspeção, a efemeridade da vida, a natureza e as relações humanas. O seu estilo poético é frequentemente descrito como lírico e reflexivo, com um uso particular da metáfora e de imagens evocativas. A linguagem é cuidada e a estrutura dos seus poemas varia entre formas mais tradicionais e o verso livre, dependendo da expressão pretendida.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico João Baveca insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as tendências e preocupações estéticas do seu tempo. A sua obra reflete um olhar atento sobre a sociedade e a experiência individual no mundo atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de João Baveca, incluindo relações afetivas, profissões paralelas ou crenças pessoais, não são de fácil acesso ou amplamente divulgados, mantendo-se estes aspetos no domínio privado.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de João Baveca advém da sua contribuição para a poesia contemporânea, sendo apreciado por críticos e leitores pela originalidade e profundidade da sua expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências literárias de João Baveca podem ser encontradas em poetas que exploraram a subjetividade e a profundidade da experiência humana. O seu legado reside na sua voz poética única e na forma como soube traduzir as nuances do sentir e do pensar contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de João Baveca convida a múltiplas interpretações, incidindo sobre a condição humana, a busca por sentido e a beleza encontrada no quotidiano. A sua obra tem sido objeto de análise pela sua capacidade de evocar emoções e de provocar a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de João Baveca não são amplamente disponíveis, o que contribui para um certo mistério em torno da sua figura pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos públicos sobre a morte de João Baveca, indicando que se encontra vivo ou que a informação sobre o seu falecimento não foi disseminada.

Poemas

31

Vossa Menag', Amigo, Nom É Rem

Vossa menag', amigo, nom é rem,
ca, de pram, houvestes toda sazom
a fazer quant'eu quisesse e al nom,
e por rogo nem por mal nem por bem
       sol nom vos poss'esta ida partir.

Nunca vos já de rem hei a creer,
ca sempr'houvestes a fazer por mi
quant'eu mandass', e mentides-m'assi;
e, pero faç'i todo meu poder,
       sol nom vos poss'esta ida partir.

Que nom houvess'antre nós qual preito há,
per qual [bem] vos foi sempre [mui] mester
devíades por mi a fazer que quer;
e, pero vos mil vezes roguei já,
       sol nom vos poss'esta ida partir.
401

Ora Veerei, Amiga, Que Fará

Ora veerei, amiga, que fará
o meu amigo, que nom quis creer
o que lh'eu dix'e soube-me perder:
ca de tal guisa me guardam del já
       que nom hei eu poder de fazer rem
       por el, mais esto buscou el mui bem.

El quis comprir sempre seu coraçom
e soub'assi sa fazenda trager
que tod'home nos podia 'ntender,
e por aquest'as guardas tantas som
       que nom hei eu poder de fazer rem
       por el, mais esto buscou el mui bem.

E, pero lh'eu já queira des aqui
o maior bem que lhi possa querer,
pois nom poder, nom lhi farei prazer;
e digo-vos que me guardam assi
       que nom hei eu poder de fazer rem
       por el, mais esto buscou el mui bem.

E vedes vós: assi conteç'a quem
nom sab'andar em tal preito com sem.
472

Joam Baveca, Fé Que Vós Devedes

- Joam Baveca, fé que vós devedes,
que me digades ora ũa rem
que eu nom sei, e segundo meu sem,
tenh'eu de pram de vós que o sabedes,
e por aquesto vos vim preguntar:
cantar d'amor de quem nom sab'amar,
que me digades porque lho dizedes.

- Pero d'Ambroa, vós nom m'oiredes
dizer cantar - esto creede bem -
senom bem feit'e igual; e por en
nom dig'estes "bõos" que vós fazedes,
ante digo dos que faz trobador
que troba bem e há coita d'amor;
e vós, por esto, nom me vos queixedes.

- Joam Baveca, se vós nom queredes
os meus cantares dizer ant'alguém,
direi-vos ora como vos avém:
nunca por en contra mim per dizedes.
Mais lo que sabe molher bem querer,
bem quanto sab'o asno de leer,
por namorado porque o metedes?

- Pero d'Ambroa, vós mais [nom] podedes
saber de mim do que vos já dix'en:
os cantares que eu digo fez quem
há grand'amor; mais pois sanha prendedes,
aqui ante todos leix'eu a tençom;
ca, se quiséssedes caber razom,
dig'eu verdad', esto nom duvidedes.
810

Filha, de Grado Queria Saber

- Filha, de grado queria saber
de voss'amig'e de vós ũa rem:
como vos vai ou como vos avém.
- Eu vo-lo quero, mia madre, dizer:
       quero-lh'eu bem e que-lo el a mi
       e bem vos digo que nom há mais i.

- Filha, nom sei se há i mais, se nom,
mais vejo-vos sempre com el falar
e vejo-vos chorar e el chorar.
- Nom vos terrei, madre, i outra razom:
       quero-lh'eu bem e que-lo el a mi
       e bem vos digo que nom há mais i.

- Se mi o negardes, filha, pesar-mi-á,
ca, se mais há i feit', a como quer,
outro conselh'havemos i mester.
- Já vos eu dixi, madre, quant'i há:
       quero-lh'eu bem e que-lo el a mi
       e bem vos digo que nom há mais i.
706

Como Cuidades, Amiga, Fazer

- Como cuidades, amiga, fazer
das grandes juras que vos vi jurar
de nunca voss'amigo perdoar?
Ca vos direi de qual guisa o vi:
que, sem vosso bem, creede per mi,
que lhi nom pode rem morte tolher.

- Tod'ess', amiga, bem pode seer,
mais punharei eu já de me vingar
do que m'el fez, e, se vos en pesar,
que nom façades ao voss'assi;
ca bem vistes quanto lhi defendi
que se nom foss', e nom me quis creer.

- Par Deus, amiga, vinga tam sem sem
nunca vós faredes, se Deus quiser,
a meu poder, nem vos era mester
de a fazer, ca vedes quant'i há:
se voss'amigo morrer, morrerá
por bem que fez e nom por outra rem.

- Amiga, nom poss'eu teer por bem
o que m'el faz, e a que mo tever
por bem, tal haja daquel que bem quer;
mas, sem morte, nunca lhi mal verrá,
per bõa fé, que mi nom prazerá;
pero del morrer nom mi praz'á en.
735

Pero D'ambroa, Sodes Maiordomo

Pero d'Ambroa, sodes maiordomo
e trabalhar-s'-á de vos enganar
o albergueiro; mais d'escarmentar-
-lo havedes. E direi-vos eu como:
se vos mentir do que vosco poser,
seja de vós e de nós, como quer,
é brita[r]-lh'os narizes no momo.

E de nosso ................
[...]

E ..........................
[...]

E pois mercade lo al: logo cedo
vos amonstr'a roupa que vos dará;
e se pois virdes que vo-la nom dá,
ide sarrar la porta, vosso quedo,
e desses vossos narizes log'i
fiqu'o seu cuu quebrantad', assi
que já sempr'haja d'espanhoes medo.
580

Bernal Fendudo, Quero-Vos Dizer

Bernal Fendudo, quero-vos dizer
o que façades, pois vos querem dar
armas e "dona salvage" chamar:
se vos com mouros lid'acaecer,
sofrede-os, ca todos vos ferrám,
e, dando colbes em vós, cansarám,
e havedes pois vós a vencer.

E ali log', u s'há lide a volver,
verrám-vos deles deante colpar;
des i os outros, por vos nom errar,
ar querram-vos por alhur cometer;
mais sofrede[-os], feiram per u quer,
ca, se vos Deus em armas bem fezer,
ferindo em vós, ham eles de caer.

Pero, com’há mui gram gente a seer,
muitas vezes vos ham a derrobar;
mais sempre vos havedes a cobrar
e eles ham mais a enfraquecer,
pero nom quedarám de vos ferir
de todas partes; mais, ao [fiir],
todos morrerám em vosso poder.
611

Ai Amiga, Hoje Falou Comigo

- Ai amiga, hoje falou comigo
o voss'amigo e vi-o tam coitado
por vós que nunca vi tant'home nado,
ca morrerá, se lhi vós nom valedes.
- Amiga, quand'eu vir que é guisado,
valer-lh'-ei, mais nom vos maravilhedes
       d'andar por mi coitado meu amigo.

- Per bõa fé, amiga, bem vos digo
que, u estava mig'em vós falando,
esmoreceu, e bem assi andando
morrerá, se vos del dóo nom filha.
- Si, filhará, ai amiga, já quando,
mais nom tenhades vós por maravilha
       d'andar por mi coitado meu amigo.

- Amiga, tal coita d'amor há sigo
que já nunca dorme noite nem dia
coidand'em vós, e, par Santa Maria,
sem vosso bem non'o guarirá nada.
- Guarrei-o eu, amiga, todavia,
mais nom vos façades maravilhada
       d'andar por mi coitado meu amigo.
971

Amiga, Dizem Que Meu Amig'há

Amiga, dizem que meu amig'há
por mi tal coita que nom há poder
per nulha guisa d'um dia viver
se per mi nom; e vedes quant'i há:
       se por mi morre, fic'end'eu mui mal,
       e se lh'ar faç'algum bem, outro tal.

E tam coitad'é, com'aprendi eu,
que o nom pode guarir nulha rem
de morte já, se lh'eu nom faço bem;
mais vedes ora com'estou end'eu:
       se por mi morre, fic'end'eu mui mal,
       e se lh'ar faç'algum bem, outro tal.

Dizem que é por mi coitad'assi
que quantas cousas eno mundo som
nom lhi podem dar vida, se eu nom;
e este preito cae-m'ora assi:
       se por mi morre, fic'end'eu mui mal,
       e se lh'ar faç'algum bem, outro tal.

E, amiga, por Deus, conselho tal
mi dade vós que nom fique end'eu mal.
543

Pesa-Mi, Amiga, Por Vos Nom Mentir,

Pesa-mi, amiga, por vos nom mentir,
d'ũas novas que de mi e do meu
amig'oí, e direi-vo-las eu:
dizem que lh'entendem o grand'amor
que há comig', e, se verdade for,
por maravilha pod'a bem sair.

E bem vos digo que, des que oí
aquestas novas, sempre trist'andei,
ca bem entend'e bem vej'e bem sei
o mal que nos deste preit'averrá
pois lh'entenderem, ca posto x'é já
de morrer eu por el e el por mi.

Ca, poilo souberem, el partid'é
de nunca jamais viir a logar
u me veja, tanto m'ham de guardar;
vede'lo morto por esta razom,
pois bem sabedes vós de mi que nom
poss'eu sem el viver, per bõa fé.

Mais Deus, que sabe o gram bem que m'el quer
e eu a el, quando nos for mester,
nos guarde de mal, se vir ca bem é.
562

Livros

1

Videos

3

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.