José Maria de Barros Pinho

José Maria de Barros Pinho

1939–2012 · viveu 72 anos BR BR

José Maria de Barros Pinho foi um poeta, contista, professor e político. Atuou na política cearense como vereador de Fortaleza, deputado estadual pelo Ceará e prefeito de Fortaleza entre 1985 e 1986. Na literatura, destacou-se por uma poesia de tom lírico e modernista, frequentemente marcada por imagens sensoriais, memória, amor e paisagem nordestina.

n. 1939-05-25, Teresina · m. 2012-04-28, Fortaleza

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Ode ao Amor do Mar

Gosto do mar
pelo absurdo
sensual
de suas sereias

pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis

pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas

gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores

gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas

gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.

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Biografia

Nascido na Ribeira do Parnaíba, José Maria de Barros Pinho construiu uma trajetória marcada pela conjugação entre cultura, educação, intervenção social e vida pública. Administrador de Empresas de formação, foi professor, fundador do Colégio Oliveira Paiva, empresário, jornalista e escritor.

Desde cedo envolveu-se na ação política e social, procurando conciliar o exercício da cidadania com a criação literária. Poeta por essência e contista por influência das narrativas populares e da literatura de cordel, pertenceu à geração estudantil de 1964, tendo presidido a J.T.E. de Administração do Ceará. Anteriormente, liderara a União Estadual dos Estudantes e exercera funções como secretário do Centro Estadual Cearense.

Preso político após o movimento de 1964, viria a ser anistiado em 2009. Ao longo da sua vida pública desempenhou diversos cargos, entre eles vereador, deputado estadual, prefeito de Fortaleza, secretário de Cultura do Estado do Ceará e, posteriormente, do Município de Fortaleza. Presidiu ainda o Instituto de Previdência do Município de Fortaleza, a Fundação de Cultura de Maracanaú e exerceu o cargo de chefe de gabinete da Prefeitura daquela cidade.

Escritor por vocação, fez da literatura e da intervenção pública caminhos paralelos de expressão humana e compromisso social.

Poemas

4

Ode ao Amor do Mar

Gosto do mar
pelo absurdo
sensual
de suas sereias

pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis

pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas

gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores

gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas

gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.

939

O Retrato nas Paredes

As casas como as pessoas
guardam cicatrizes
expostas no rosto do tempo.

Às casas sempre voltamos
nelas a vida anda por trás do que passou
existem na existência indo embora.

As casas onde morei para viver
na afoitosa e lúdica adolescência
abrem rugas na face branca das paredes.

De dentro delas saltam sonhos
que não querem envelhecer
e o menino açoitando o vento nas curvas do rio
que se arrasta na carne azul da paixão.

São Luis / junho 1997

1 149

A Gramática nos olhos da Amada

Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.

28.06.97

1 071

Aviso Prévio

o sonho
uma borboleta

quando menos
se espera
a gente acorda

e vai-se
embora
sem deixar
aviso prévio

1 326

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