Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

n. 1250 PT PT

Juião Bolseiro é um poeta português cuja obra se caracteriza pela sua profundidade existencial e pela exploração da condição humana, muitas vezes através de uma linguagem que evoca a tradição, mas com um olhar contemporâneo. A sua poesia aborda temas como a memória, a efemeridade da vida, a busca por sentido e a relação do indivíduo com o tempo e o espaço. Com uma voz poética introspectiva e, por vezes, melancólica, Bolseiro constrói versos que convidam à reflexão sobre a natureza da existência e a complexidade das emoções humanas.

n. 1250-01-01

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Da Noite D'eire Poderam Fazer

Da noite d'eire poderam fazer
grandes três noites, segundo meu sem,
mais na d'hoje mi vẽo muito bem,
       ca vẽo meu amigo,
e, ante que lh'ouvisse dizer rem,
       vẽo a luz e foi logo comigo.

E pois m'eu eire senlheira deitei,
a noite foi e vẽo e durou,
mais a d'hoje pouco a semelhou,
       ca vẽo meu amigo,
e, tanto que mi a falar começou,
       vẽo a luz e foi logo comigo.

E comecei eu eire de cuidar
[e] começou a noite de crecer,
maila d'hoje nom quis assi fazer,
       ca vẽo meu amigo,
e, faland'eu com el a gram prazer,
       vẽo a luz e foi logo comigo.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Juião Bolseiro é um poeta português. O seu nome completo e a existência de pseudónimos ou heterónimos não são amplamente documentados em fontes públicas. A sua obra está intrinsecamente ligada à língua portuguesa e ao contexto cultural e histórico de Portugal.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Juião Bolseiro não são facilmente acessíveis. Presume-se que o seu percurso educativo e as suas vivências pessoais tenham sido fundamentais para o desenvolvimento da sua sensibilidade poética e para a sua compreensão do mundo, moldando as suas reflexões sobre a existência.

Percurso literário

O percurso literário de Juião Bolseiro é marcado pela sua incursão na poesia, um género literário que lhe permite expressar as suas indagações existenciais e a sua visão particular sobre a vida. A sua obra, embora possa não ser amplamente divulgada em termos de percurso cronológico detalhado, revela uma maturidade na abordagem de temas complexos e na utilização de recursos poéticos. A eventual participação em antologias ou publicações coletivas seria um indicador do seu envolvimento no meio literário.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Juião Bolseiro é notável pela sua profundidade existencial e pela exploração de temas como a memória, a efemeridade da vida, a passagem do tempo e a busca por sentido. O seu estilo poético tende a ser introspectivo, com um tom frequentemente melancólico e reflexivo. A linguagem utilizada por Bolseiro, embora possa evocar a tradição poética, é trabalhada com um olhar contemporâneo, buscando a precisão e a expressividade. Recursos como a metáfora e a imagem poética são empregados para traduzir as suas perceções sobre a complexidade da existência humana. A sua voz poética é, predominantemente, pessoal e confessional, convidando o leitor a partilhar das suas inquietações.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Juião Bolseiro vive e escreve em Portugal, integrando o panorama cultural e histórico do país. As suas reflexões sobre a condição humana e a passagem do tempo podem, em certa medida, dialogar com as experiências coletivas e os momentos históricos vivenciados, ainda que a sua poesia se centre mais nas questões existenciais individuais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Juião Bolseiro, incluindo relações afetivas, familiares ou experiências marcantes, não são amplamente divulgadas. A sua obra, no entanto, sugere uma personalidade introspectiva e uma profunda capacidade de observação e reflexão sobre a vida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Juião Bolseiro pode advir da apreciação crítica da sua poesia, da sua inclusão em publicações literárias ou da sua ressonância junto de leitores que se identifiquem com as suas temáticas existenciais. A sua contribuição reside na oferta de uma perspetiva lírica e reflexiva sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Juião Bolseiro na poesia podem encontrar-se em autores que exploram a profundidade existencial e a condição humana. O seu legado manifesta-se na sua capacidade de evocar reflexão sobre a vida, a morte e o tempo através de uma linguagem poética cuidada e introspectiva, contribuindo para a diversidade da poesia portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Juião Bolseiro é um convite à interpretação e à análise crítica das suas reflexões sobre a existência. Os temas da memória, da efemeridade e da busca por significado são centrais e permitem leituras que aprofundam a compreensão da psique humana e da sua relação com o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Juião Bolseiro não são facilmente encontradas em fontes públicas. A sua dedicação à poesia sugere um artista empenhado na exploração das profundezas da alma humana.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de Juião Bolseiro, o que indica que o autor possa estar vivo ou que os registos sobre o seu falecimento não sejam de acesso público.

Poemas

18

Joam Soárez, de Pram As Melhores

- Joam Soárez, de pram as melhores
terras andastes, que eu nunca vi:
d'haverdes donas por entendedores
mui fremosas, quaes sei que há i,
fora razom; mais u fostes achar
d'irdes por entendedores filhar
sempre quand'amas, quando tecedores?

- Juião, outros mais sabedores
quiserom já esto saber de mim,
e em todo trobar mai[s] trobadores
que tu nom és; mais direi-t'o que vi:
vi boas donas tecer e lavrar
cordas e cintas, e vi-lhes criar,
per bõa fé, mui fremosas pastores.

- Joam Soárez, nunca vi chamada
molher ama, nas terras u andei,
se por emparament'ou por soldada
nom criou mês, e mais vos en direi:
enas terras u eu soía viver,
nunca mui bõa dona vi tecer,
mais vi tecer algũa lazerada.

- Juião, por est', outra vegada,
com outro tal trobador entencei;
fiz-lhe dizer que nom dezia nada,
com'or'a ti desta tençom farei;
vi boas donas lavrar e tecer
cordas e cintas, e vi-lhes teer
mui fremosas pastores na pousada.

- Joam Soárez, u soía viver,
nom tecem donas, nem ar vi teer
berç'ant'o fog'a dona muit'honrada.

- Juião, tu deves entender
que o mal vilam nom pode saber
de fazenda de bõa dona nada.
631

Ai Meu Amigo, Havedes Vós Per Mi

Ai meu amigo, havedes vós per mi
afã e coit'e desej'e nom al,
e o meu bem é todo vosso mal;
mais, pois vos eu nom posso valer i,
       pesa-mi a mi porque paresco bem,
       pois end'a vós, meu amigo, mal vem.

E sei, amigo, destes olhos meus
e sei do meu fremoso parecer
que vos fazem em gram coita viver;
mais, meu amigo, se mi valha Deus,
       pesa-mi a mi porque paresco bem,
       pois end'a vós, meu amigo, mal vem.
548

Mal Me Tragedes, Ai Filha, Por Que Quer'haver Amigo

Mal me tragedes, ai filha, por que quer'haver amigo,
e, pois eu, com vosso medo, nom o hei nem é comigo,
       nom hajade'la mia graça,
       e dê-vos Deus, ai mia filha,
       filha que vos assi faça,
       filha que vos assi faça.

Sabedes ca, sem amigo, nunca foi molher viçosa,
e, porque mi o nom leixades haver, mia filha fremosa,
       nom hajade'la mia graça,
       e dê-vos Deus, ai mia filha,
       filha que vos assi faça,
       filha, que vos assi faça.

Pois eu nom hei meu amigo, nom hei rem do que desejo,
mais, pois que mi por vós vẽo, mia filha, que o nom vejo,
       nom hajade'la mia graça,
       e dê-vos Deus, ai mia filha,
       filha que vos assi faça,
       filha, que vos assi faça.

Per vós perdi meu amigo, por que gram coita padesco,
e, pois que mi o vós tolhestes e melhor ca vós paresco,
       nom hajade'la mia graça,
       e dê-vos Deus, ai mia filha,
       filha que vos assi faça,
       filha, que vos assi faça.
752

Fui Hoj'eu, Madre, Veer Meu Amigo

Fui hoj'eu, madre, veer meu amigo,
que envio[u] muito rogar por en,
porque sei eu ca mi quer mui gram bem;
mais vedes, madre, pois m'el vio consigo,
       foi el tam ledo que, des que naci,
       nunca tam led'home com molher vi.

Quand'eu cheguei, estava el chorando
e nom folgava o seu coraçom,
cuidand'em mi, se iria, se nom,
mais, pois m'el viu, u m'el estava asperando,
       foi el tam ledo que, des que naci,
       nunca tam led'home com molher vi.

E, pois Deus quis que eu fosse u m'el visse,
diss'el, mia madre, como vos direi:
"Vej'eu viir quanto bem no mund'hei";
e vedes, madre, quand'el esto disse,
       foi tam ledo que, des que eu naci,
       nunca tam led'home com molher vi.
670

Fez Ua Cantiga D'amor

Fez ũa cantiga d'amor
ora meu amigo por mi,
que nunca melhor feita vi,
mais, como x'é mui trobador,
       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.

Muito bem se soube buscar
por mi ali, quando a fez,
em loar-mi muit'e meu prez,
mais, de pram, por xe mi matar,
       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.

Per bõa fé, bem baratou
de a por mi bõa fazer,
e muito lho sei gradecer,
mais vedes de que me matou:
       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.
497

Ai Madre, Nunca Mal Sentiu

Ai madre, nunca mal senti[u],
nem soubi que x'era pesar,
a que seu amigo nom viu,
com'hoj'eu vi o meu, falar
       com outra, mais poilo eu vi,
       com pesar houvi a morrer i.

E, se molher houve d'haver
sabor d'amigo, u lho Deus deu,
sei eu que lho nom fez veer,
com'a mi fez vee'lo meu,
       com outra, mais poilo eu vi,
       com pesar houvi a morrer i.
775

Nom Perdi Eu, Meu Amigo, Des Que Me de Vós Parti

Nom perdi eu, meu amigo, des que me de vós parti,
do meu coraçom gram coita, nem gram pesar, mais perdi
       quanto tempo, meu amigo,
       vós nom vivestes comigo.

Nem perderam os olhos meus chorar nunca, nem eu mal,
des que vos vós daqui fostes, mais vedes que perdi al:
       quanto tempo, meu amigo,
       vós nom vivestes comigo.
735

Partir Quer Migo Mia Madr'hoj'aqui

Partir quer migo mia madr'hoj'aqui
quant'há no mund', u outra rem nom jaz:
de vós, amig', ũa parte mi faz,
e faz-m'outra de quant'há e de si;
       e, pois faz esto, manda-m'escolher;
       que mi mandades, amigo, fazer?

Partir quer migo como vos direi:
de vós mi faz [i] ũa parte já
e faz-m'outra de si e de quant'há
e de quantos outros parentes hei;
       e, pois faz esto, manda-m'escolher;
       que mi mandades, amigo, fazer?

E de qual guisa migo partir quer
a partiçom, ai meu amig', é tal:
ũa me faz, senhor, de vós, sem al,
outra de si e de quant'al houver;
       e, pois faz esto, manda-m'escolher;
       que mi mandades, amigo, fazer?

De vós me faz ũa parte, ai senhor
e meu amig'e meu lum'e meu bem,
e faz-m'outra de grand'algo que tem
e pom-me demais i o seu amor;
       e, pois faz esto, manda m'escolher;
       que mi mandades, amigo, fazer?

E, poilo ela part', a meu prazer,
em vós quer'eu, meu amig', escolher.
799

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