Lago Burnett

Lago Burnett

1929–1995 · viveu 65 anos BR BR

Lago Burnett foi um poeta português cuja obra se destacou pela exploração de temas como a solidão, a passagem do tempo e a efemeridade da existência humana. A sua escrita é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade lírica profunda, explorando as nuances da alma e as complexidades das relações interpessoais. A sua poesia convida à reflexão sobre a condição humana e os mistérios da vida.

n. 1929-08-14, São Luís · m. 1995-01-01

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A Última Canção da Ilha

Trarei sempre verde
gaivotas e sal:
a lembrança não perde
a ilha inicial

Nem descuido as brisas
o mar de imundícies
(minhas pesquisas
bóiam às superfícies)

A obsessão do cerco
por ínvias águas
é o em que me perco
entre — agora — mágoas

Autêntico Atlântico
aleou-me todo
quanto de romântico
mergulhou-me em lodo

Oh! velas belas
ao ritmo transeunte
vosso, belas velas
que eu me unte

Trago-me à retina
de mastros e quilhas
cheia a sina
de todas as ilhas

Código pressago
de pássaro marítimo
na alma trago
canto e ritmo

Que é quanto me sobre
por ter-me feliz
ao sol que encobre
minha São Luís

Onde era só
com hábil engenho
quanto virou pó
tudo que não tenho

Idéias descalças
desfiando saias
longas como valsas
pelas praias

A primeira estância
ao céu abstrato
coisas como infância
ritmando com mato

Outros poucos casos
como águas insípidas
Nos olhos rasos
saudades liquidas

(Os Elementos do Mito / l953)

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Biografia

Identificação e contexto básico

Lago Burnett é um nome literário que se consolidou na poesia portuguesa. A sua obra é escrita em língua portuguesa.

Infância e formação

A informação sobre a infância e formação de Lago Burnett é escassa, mas a sua obra sugere uma formação cultural sólida e uma sensibilidade aguçada.

Percurso literário

O percurso literário de Lago Burnett é marcado por uma produção poética que se aprofunda nas complexidades da alma humana. A sua escrita evoluiu explorando temas universais com uma linguagem lírica e introspectiva.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Lago Burnett caracteriza-se por uma profunda exploração de temas como a solidão, a passagem do tempo, a efemeridade da vida e a introspecção. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, com um tom lírico e, por vezes, melancólico. Utiliza frequentemente metáforas e imagens que evocam a fragilidade da existência. A sua poesia tende a ser confessional, convidando o leitor a uma imersão nos sentimentos e reflexões do poeta. A forma poética por vezes explora o verso livre, permitindo uma maior liberdade expressiva para transmitir as suas emoções e pensamentos. As suas obras, embora menos conhecidas em termos de datas específicas de produção, formam um corpo coeso de exploração da condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Lago Burnett insere-se num contexto literário que valoriza a poesia de cariz intimista e reflexivo. A sua obra dialoga com a tradição lírica portuguesa, ao mesmo tempo que reflete sensibilidades contemporâneas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Lago Burnett são limitados, mas a sua obra sugere uma personalidade introspectiva, atenta às subtilezas da vida e às emoções humanas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Lago Burnett tem sido gradual, valorizando-se a sua contribuição para a poesia contemporânea portuguesa pela profundidade lírica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências diretas de Lago Burnett possam variar, o seu legado reside na capacidade de tocar o leitor com a universalidade dos seus temas e a beleza da sua linguagem poética, influenciando aqueles que buscam uma poesia introspectiva e emotiva.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Lago Burnett presta-se a diversas interpretações, convidando à reflexão sobre a solidão, o sentido da vida e a mortalidade. A sua poesia é um espelho das inquietações humanas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos aspetos menos conhecidos de Lago Burnett são documentados publicamente, mas a sua obra sugere um artista dedicado à exploração das profundezas do ser.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória A memória de Lago Burnett é preservada através da sua obra poética, que continua a ser lida e apreciada pela sua qualidade lírica e reflexiva.

Poemas

3

Procurando estrelas

Faz frio! vou em busca de agasalho,
oh! lágrimas... (e luto por contê-las!)
olhos abertos, procurando estrelas,
sigo, e na estrada, minha mágoa espalho.

As flores choram lágrimas de orvalho,
lágrimas vivas, trêmulas e, ao vê-las,
vejo toda a criação chorando pelas
folhas a balançar em cada galho.

Sigo tristonho... Baila pelo espaço
o lamento das cousas que ficaram
sem um amor, sequer, para entendê-las.

Deixo um pouco de dor por onde passo...
Paro. Olho o céu. As mágoas debandaram
ante o esplendor do riso das estrelas!

(Estrela do Céu Perdido / l949)

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O copo dágua

O copo dágua. Insípido
entre o pássaro e a lâmpada.
Lúcido e líquido.

Listras de sol passeiam-lhe a superfície
sem excessos matinais de azul-desperto.
Luz flutuante, o mundo transparente,
o copo dágua resiste.

Sólida contextura, as
firmes paredes de vidro unânimes, eternas,
equilibram o milagre.

O copo dágua. insípido
na antenoite sonora. Simples,
lúcido e líquido.

(Os Elementos do Mito / l953)

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A Última Canção da Ilha

Trarei sempre verde
gaivotas e sal:
a lembrança não perde
a ilha inicial

Nem descuido as brisas
o mar de imundícies
(minhas pesquisas
bóiam às superfícies)

A obsessão do cerco
por ínvias águas
é o em que me perco
entre — agora — mágoas

Autêntico Atlântico
aleou-me todo
quanto de romântico
mergulhou-me em lodo

Oh! velas belas
ao ritmo transeunte
vosso, belas velas
que eu me unte

Trago-me à retina
de mastros e quilhas
cheia a sina
de todas as ilhas

Código pressago
de pássaro marítimo
na alma trago
canto e ritmo

Que é quanto me sobre
por ter-me feliz
ao sol que encobre
minha São Luís

Onde era só
com hábil engenho
quanto virou pó
tudo que não tenho

Idéias descalças
desfiando saias
longas como valsas
pelas praias

A primeira estância
ao céu abstrato
coisas como infância
ritmando com mato

Outros poucos casos
como águas insípidas
Nos olhos rasos
saudades liquidas

(Os Elementos do Mito / l953)

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