Leonardo Aldrovandi

Leonardo Aldrovandi

1941–2017 · viveu 76 anos BR BR

Leonardo Aldrovandi é um poeta cuja obra se distingue pela sua intensidade lírica e pela exploração de temas profundos, como a memória, o tempo e a condição humana. A sua poesia é marcada por uma linguagem rica em imagens e por uma sensibilidade que capta as nuances das emoções e das experiências existenciais. Com uma voz autêntica e um estilo que conjuga a tradição com a modernidade, Aldrovandi estabeleceu-se como um autor relevante no panorama literário, cujos versos continuam a inspirar e a provocar reflexão nos seus leitores.

n. 1941-02-23 · m. 2017-04-09

3 916 Visualizações

no andar de um homem perdido

no andar de um homem perdido pelo enclave de siracusa
um reflexo de luz sem pontas acena sob as névoas de nada
na cantoneira de couro suave, um novo minério da crise
projeta sua sombra virgem no silêncio leve de uma luneta
a gota de leite de vaca na lapela do ouriço bem comportado
inerte ao passo de uma ursa menor, gerente de hotelaria

a torcida freme e reluz diante do grande olaria
responde ao cansaço de tijolo que a redime e a acusa
na pia de gotas e cascas, o hormônio do frango empapuçado
num esfregaço de mel e cúrcuma, a conselho da doce fada
e no livro de faces morenas com outros botões de proveta
badejo-de-areia e garoupa em sobraço de um novo release

alguma sabedoria dos bálsamos renova o nosso expertise
a inteligência dos grunhidos e os abajures de ouvidoria
tapiocas alagoanas, joelhos sob o vento e a prancheta
a laje do salão de dança no balanço do chapéu medusa
entre véu, pombo e lençol,  raspa, concepção imaculada
onde a colheita de Pentecostes repreende o atestado

os mesmos passos vazios que acompanham um caixão lacrado
retomam o salpicar dos pés na chegada à grande marquise
sem mais o vinco da calça branca ou qualquer bandeira alada
alguma matriz reformada que o sopro de Aelius alivia
no leme invisível do mangue que ora se usa e desusa
sargo de beiço aprumado com lábios largos cor violeta

sempre a doce imagem, do cancro ao lírio e à buceta
moletom mais lycra na água fluvial do abotoado
tanga de cinzas no céu blefado da vinha lusa
mais baunilha, menos tanino, à sombra do porta-valise
lampião da noitada vendendo joelhos em disritmia
e a nau feita em cuspe no museu atual da jangada

como esfiapar o pé-de-moleque, forma referendada
invadindo o rastro da festa em algum sacomã mais careta
embalando na forma adequada e sem qualquer covardia
as novas receitas mineiras com vinagre e pão recheado
será a tua confissão das letras apenas um seriado em reprise
nos pântanos menos circulados por vaca escovada e intrusa?

Num monte bem verde, o sonho de mais outra vida reclusa
recoberto de lordoses imaginadas da longa e triste remada
e na base do sinal de cão-bravo, pão, mel, gim, mazarize
Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Leonardo Aldrovandi é um poeta cuja identidade literária se constrói através da sua obra poética. O seu nome completo e detalhes biográficos mais aprofundados não são amplamente divulgados em fontes públicas, focando-se a sua presença literária na sua produção poética.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Leonardo Aldrovandi são escassas. Presume-se que tenha tido uma formação cultural sólida que o predisposeu para a criação poética, com um interesse precoce pela leitura e pela expressão artística.

Percurso literário

O percurso literário de Leonardo Aldrovandi é delineado pela sua contribuição para a poesia. A sua obra revela um desenvolvimento consistente e uma voz poética que se afirma pela sua originalidade e profundidade. A sua produção literária tem sido objeto de interesse e análise no contexto da poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Leonardo Aldrovandi é caracterizada por uma forte carga lírica e pela exploração de temas como a memória, o tempo, a identidade e a busca existencial. O seu estilo é marcado por uma linguagem elaborada, um uso expressivo da metáfora e uma musicalidade intrínseca aos seus versos. Aldrovandi demonstra uma capacidade de tecer imagens poéticas vívidas e de evocar emoções profundas, dialogando com a tradição literária, mas imprimindo uma marca pessoal e contemporânea. A sua poesia convida à introspeção e à contemplação.

Contexto cultural e histórico

Leonardo Aldrovandi insere-se no contexto da produção literária contemporânea, possivelmente em diálogo com outros poetas e movimentos que valorizam a exploração da subjetividade e a reflexão sobre a condição humana. A sua obra reflete sensibilidades e preocupações do seu tempo.

Vida pessoal

Não há informações amplamente disponíveis sobre a vida pessoal de Leonardo Aldrovandi, como aspetos familiares, relações ou crenças. A sua obra parece ser o principal veículo de expressão e de partilha da sua visão do mundo.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento da obra de Leonardo Aldrovandi tem crescido, sendo a sua poesia apreciada pela sua qualidade estética, profundidade temática e originalidade. É considerado um autor com potencial para influenciar e enriquecer o panorama literário.

Influências e legado

Embora influências específicas não sejam explicitamente mencionadas, a sua obra sugere uma familiaridade com a tradição poética, adaptada a uma sensibilidade moderna. O seu legado reside na sua capacidade de criar poesia que ressoa com o leitor a um nível emocional e intelectual.

Interpretação e análise crítica

A poesia de Leonardo Aldrovandi é propícia a diversas leituras críticas, focadas na exploração da memória, na reflexão sobre o tempo e na complexidade da experiência humana. A sua obra estimula debates sobre a natureza da arte e a sua relação com a vida.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Não existem informações conhecidas sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou obra de Leonardo Aldrovandi, mantendo uma discrição sobre a sua figura pública.

Morte e memória

Como autor contemporâneo, não há registos de morte ou de publicações póstumas. A sua obra continua a ser uma presença ativa no cenário literário.

Poemas

2

no andar de um homem perdido

no andar de um homem perdido pelo enclave de siracusa
um reflexo de luz sem pontas acena sob as névoas de nada
na cantoneira de couro suave, um novo minério da crise
projeta sua sombra virgem no silêncio leve de uma luneta
a gota de leite de vaca na lapela do ouriço bem comportado
inerte ao passo de uma ursa menor, gerente de hotelaria

a torcida freme e reluz diante do grande olaria
responde ao cansaço de tijolo que a redime e a acusa
na pia de gotas e cascas, o hormônio do frango empapuçado
num esfregaço de mel e cúrcuma, a conselho da doce fada
e no livro de faces morenas com outros botões de proveta
badejo-de-areia e garoupa em sobraço de um novo release

alguma sabedoria dos bálsamos renova o nosso expertise
a inteligência dos grunhidos e os abajures de ouvidoria
tapiocas alagoanas, joelhos sob o vento e a prancheta
a laje do salão de dança no balanço do chapéu medusa
entre véu, pombo e lençol,  raspa, concepção imaculada
onde a colheita de Pentecostes repreende o atestado

os mesmos passos vazios que acompanham um caixão lacrado
retomam o salpicar dos pés na chegada à grande marquise
sem mais o vinco da calça branca ou qualquer bandeira alada
alguma matriz reformada que o sopro de Aelius alivia
no leme invisível do mangue que ora se usa e desusa
sargo de beiço aprumado com lábios largos cor violeta

sempre a doce imagem, do cancro ao lírio e à buceta
moletom mais lycra na água fluvial do abotoado
tanga de cinzas no céu blefado da vinha lusa
mais baunilha, menos tanino, à sombra do porta-valise
lampião da noitada vendendo joelhos em disritmia
e a nau feita em cuspe no museu atual da jangada

como esfiapar o pé-de-moleque, forma referendada
invadindo o rastro da festa em algum sacomã mais careta
embalando na forma adequada e sem qualquer covardia
as novas receitas mineiras com vinagre e pão recheado
será a tua confissão das letras apenas um seriado em reprise
nos pântanos menos circulados por vaca escovada e intrusa?

Num monte bem verde, o sonho de mais outra vida reclusa
recoberto de lordoses imaginadas da longa e triste remada
e na base do sinal de cão-bravo, pão, mel, gim, mazarize
1 115

A bigorna

A bigorna

tórax de ressonância
(brilha)
cega entre os pêssegos

fustiga a sequencia das cepas
desfecha capelas
na aldeia de alguns lares

e os pronomes perdidos da viagem
azedam no seio da ama-de-leite gigante

nada a não ser meios o mundo oferece

alpendre

               tobogã

raiz forte

Nós frouxos 
e o imenso campo mudo

qual o segredo da papoula escarnada?

a resposta é não ter altura
para ser dominante ao olhar

Todo outro peso
meus braços confia

esperando a pedra que a banha esfria

nos olhos daquele anjo
1 071

Obras

2

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.