Leopoldo María Panero

Leopoldo María Panero

1948–2014 · viveu 65 anos ES ES

Leopoldo María Panero foi um poeta espanhol associado à geração de "Novísimos", conhecida pela sua reinterpretação da tradição poética com influências de outras artes. A sua obra é marcada por um tom confessional, a exploração da marginalidade, da violência, da loucura e de temas existenciais, muitas vezes refletindo as suas próprias experiências de vida.

n. 1948-06-16, Leão · m. 2014-03-05, Las Palmas de Gran Canaria

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Hino a Deus Pai

Tu que contemplas o fluir escuro de minha urina
tu que fazes manar como leite o sêmen do rapaz
que induz o cabelo revolto a se apaixonar pelos pequenos
que se diverte vendo como trama-se o sangue pelos leitos
noturnos
e como o menino bebe o sangue do cervo
dizendo - Oh, meu Deus! Me ajude a pecar nas sombras
para que todo mundo veja como o sangue trama-se
pelos leitos noturnos
onde bebe o cervo e a princesa urina
como se urinar fosse sagrado
como se estivesse pronto o sangue do cervo
para nos acalentar no deserto do meio-dia.
:
HIMNO A DIOS PADRE
Tú que espías el fluir oscuro de mi orina
tú que haces fluir la leche del esperma del muchacho
que llevas el pelo revuelto para enamorar a los pequeños
que te diverte ver cómo se escancia la sangre en los vasos
oscuros
y cómo un niño bebe la sangre del cerdo
diciendo ! Oh mi Dios! Ayúdame a pecar en la sombra
para que todo el mundo vea cómo se escancia la sangre en los
vasos oscuros
en donde bebe el cerdo y la princesa orina
como si orinar fuera sagrado
como si estuviera cerda la sangre del cerdo
para calentarnos en el desierto del mediodía.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Leopoldo María Panero Tortosa foi um poeta espanhol, nascido em Madrid. É um dos mais proeminentes representantes da geração poética conhecida como "Novísimos" ou "Poesia da Experiência". A sua obra é marcada por uma forte carga autobiográfica e pela exploração de temas sombrios.

Infância e formação

Nasceu numa família de classe média alta, sendo filho de Leopoldo Panero e Francisca Tortosa. Cresceu num ambiente literário, com um pai poeta e um tio, Juan Panero, também escritor. Esta proximidade com o mundo literário influenciou a sua formação, embora a sua vida pessoal tenha sido atravessada por dificuldades e experiências marginais.

Percurso literário

O seu percurso literário começou a ganhar notoriedade com a publicação de "Así se cuenta el secreto" (1970), obra que prenuncia o seu estilo característico. A sua inclusão na antologia "Nueve novísimos poetas españoles" (1970), organizada por Josep Maria Castellet, foi um marco na sua carreira e na da sua geração, projetando-o no panorama literário espanhol. Ao longo da sua vida, publicou diversos livros de poesia, consolidando a sua voz única.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Panero caracteriza-se pela crueza, pela confissão e pela exploração de temas como a loucura, a marginalidade, a violência, a sexualidade, a morte e a desintegração do eu. A sua poesia é frequentemente descrita como visceral e sombria, mas também carregada de uma beleza perturbadora. Utiliza um vocabulário que transita entre o coloquial e o erudito, e não hesita em abordar as partes mais obscuras da experiência humana. O "eu" lírico é frequentemente fragmentado e em sofrimento, refletindo uma profunda crise existencial. A influência do cinema, da música pop e da cultura de massas é visível, em linha com as características da geração "Novísimos".

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Panero emerge num período de transição em Espanha, com o fim da ditadura franquista. A geração "Novísimos" reagiu contra a poesia social e política do período anterior, abrindo caminho para uma poesia mais intimista, culturalista e com influências internacionais. A sua obra dialoga com outros poetas da sua geração, como Pere Gimferrer e Félix de Azúa.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Leopoldo María Panero foi marcada por profundas dificuldades pessoais, incluindo problemas de saúde mental, dependência de drogas e longos períodos em instituições psiquiátricas. Estas experiências dolorosas permearam intensamente a sua obra, conferindo-lhe uma autenticidade crua e uma voz única na literatura espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora a sua obra tenha sido reconhecida pela sua originalidade e força, Panero foi um poeta que viveu muitas vezes à margem do reconhecimento mainstream. No entanto, a sua figura e poesia conquistaram um culto de seguidores e um lugar de destaque na poesia espanhola contemporânea, especialmente entre aqueles que se interessam por uma abordagem mais radical e confessional.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Panero foi influenciado por poetas como Baudelaire, Rimbaud e os poetas beat. O seu legado reside na sua capacidade de dar voz ao sofrimento, à marginalidade e à complexidade da psique humana, abrindo caminho para uma poesia mais transgressora e introspectiva em Espanha. A sua obra continua a ser estudada e admirada pela sua honestidade brutal e pela sua beleza sombria.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Panero é frequentemente analisada sob a ótica da relação entre a sua vida pessoal e a sua produção poética. As críticas destacam a sua capacidade de transformar a dor em arte, a sua exploração da identidade e da subjetividade num contexto de crise, e a sua audácia em abordar temas tabu. A desconstrução do "eu" e a busca por um sentido num mundo caótico são centrais nas suas análises.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Leopoldo María Panero manteve uma relação complexa com a sua família e com a sua própria condição de poeta. A sua vida em hospitais psiquiátricos, longe de ser apenas um fardo, tornou-se também uma fonte de inspiração e material para a sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Leopoldo María Panero faleceu em Madrid. A sua morte deixou um vazio na poesia espanhola, mas a sua obra perdura, continuando a impactar leitores e escritores pela sua intensidade e originalidade.

Poemas

13

Auto de fé

Deus o cão me chama e o ar queima um homem
horizonte de corpos ardendo intensamente
quinze anjos velam onde esteve minha testa
sou o negro, o obscuro: ardendo está meu nome.
O cavalo me busca e pronuncia meu nome
com o machado partiram de dois em dois meus dentes
longe, no ocaso, alguém diz algo ou mente
sou o negro, o obscuro: ardendo está meu nome.
A lei é o silêncio e também a blasfêmia
é mostrar aos homens uma cruz nos lábios
e dizer-lhes que arde, vela acesa,
minha alma na penumbra como blasfêmia
Deus mudo, escultura de sombra, pétalas pétreas
e o lance de dados de um cego encerra o poema.
:
AUTO DE FE
Dios el perro me llama el aire quema a un hombre
horizonte de cuerpos ardiendo intensamente
quince ángeles velan donde estuvo mi frente
soy el negro, el oscuro: ardiendo está mi nombre.
Mi caballo me busca y pronuncia mi nombre
con el hacha rompieron de dos en dos mi frente
lejos, en el ocaso, alguien dice algo o miente
soy el negro, el oscuro: ardiendo está mi nombre.
Es la ley el silencio y también la blasfemia
es mostrar a los hombres una cruz en la boca
y decirles que arde, como cabo de vela
mi alma en la penumbra como una blasfemia
Dios el mudo, escultura de sombra, florecer de roca
y los dados de un ciego que cierran el poema.
1 165

Nascimento de Jesus

Os cavalos em vento se transformam
o deserto entre minhas mãos nasce
o medo é Jesus Cristo entre meus olhos
estrela que no nada jaz
O medo diante da neve se ajoelha
o medo diante da escuridão é o nada
uma mulher que entre os homens nasce.
:
NACIMIENTO DE JESÚS
Los caballos en viento se mudan
el desierto entre mis manos nace
el miedo es Jesuscristo entre mis ojos
como una estrella que en la nada yace.
El miedo ante la nieve se arrodilla
el miedo ante lo oscuro es una nada
como una mujer que entre los hombres nace.
743

Ora et labora, I

Senhor, longo tempo levo teus restos no pescoço
e ainda
minha boca solitária, me ajoelho ante as tardes
e orando evaporo,
como habitasse as cinzas.
É
como se não existisse, como se a oração
pedira aos deuses a esmola do meu nome
pela tarde inteira.
Nunca soube o que era o céu:
talvez a tarde, talvez
amar mais que tudo
minha mãe, as cinzas.
Oh, contemple!
Afaste teu olhar de mim, fiz um voto
torne secreta minha morte.
:
ORA ET LABORA, I
Señor, largo tiempo llevo tus restos en el cuello
y aún
mi boca sola, y me arrodillo ante las tardes
y en el rezo me evaporo,
como si fuera mi casa la ceniza.
Es
como si no existo, como si el rezo
pidiera a los dioses la limosna de mi nombre
ante la tarde entera.
Nunca supe lo que el cielo era:
quizá la tarde, tal vez
amar más que ninguno
a mi madre, la ceniza.
! Oh, espía!
De mí aparta tu ojo, hice un voto
haz secreta mi muerte.
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