Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, em 1946. Licenciada em Filologia Românica, foi professora do Ensino Secundário, docente de Didáctica da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Tem colaborado em programas de televisão, revelando os seus pontos de vista sobre questões não só ligadas à literatura como também à realidade do dia-a-dia.Autora consagrada, a partir dos anos oitenta do século XX, as suas obras têm marcado a mais recente novelística portuguesa e têm-lhe valido diversos prémios de prestígio, além de traduções em outras línguas.A primeira incursão de Lídia Jorge na área da escrita para os mais novos deu-se com o livro História do nadador (ilustrações de Alain Corbel) que coloca em paralelo um espaço de reflexão sobre o passar do tempo e das coisas e breves vivências da praia de um grupo de cinco adolescentes que despertam para o desejo e a vida. Em O grande voo do pardal (ilustrações de Inês Oliveira), propõe-nos uma história sobre os valores da amizade e da liberdade, construída, com uma certa dimensão filosófico-moral, em torno dos afectos entre um homem e um pardal. Romance do grande Gatão (ilustrações de Danuta Wojciechowska), por seu lado, narra a história e as aventuras nocturnas, por vezes dolorosas, de um gato que oscila entre duas famílias, diferentes, mas ambas afectuosas. O livro aborda, de modo sensível, a relação homem-gato e a busca de felicidade e de afirmação por parte do animal. Em todas as obras, deparamos com uma escrita de qualidade e marcada pela dimensão poética. Bibliografia selectiva: História do nadador (1995), Lisboa: Contexto; O grande voo do pardal (2007), Lisboa: Dom Quixote; Romance do grande Gatão (2010), Lisboa: Dom Quixote.Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia Guerreiro Jorge nasceu em Boliqueime em 1946. Licenciada em Filologia Românica, foi professora liceal em Lisboa e em África – Angola e Moçambique – para onde partiu em 1970. Ali viveu o marcante ambiente da Guerra Colonial, que mais tarde descreveria no romance A Costa dos Murmúrios através da perspectiva de uma personagem feminina, a mulher de um oficial do exército português de serviço em Moçambique. De regresso a Lisboa continuou a actividade docente e, em 1980, publicou o romance O Dia dos Prodígios, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa. Esta sua primeira obra publicada deve um impulso à revolução de Abril de 1974: O Dia dos Prodígios constrói-se como uma alegoria do país fechado e parado que Portugal era sob a ditadura, permanentemente à espera de uma força que o transformasse. O romance teve grande impacto junto do público e da crítica e Lídia Jorge foi de imediato saudada como uma das mais importantes revelações das letras portuguesas e uma renovadora do nosso imaginário romanesco. A linguagem narrativa deste romance e do seguinte – O Cais das Merendas – remete para a atmosfera do realismo mágico, sobrepondo vários planos narrativos numa estrutura polifónica de onde se destacam personagens que adquirem uma dimensão metafórica, ou mesmo mítica. A autora tem entretanto vindo progressivamente a adoptar um tom mais realista, nomeadamente em O Jardim sem Limites, onde à pequena aldeia de Vilamaninhos, que simbolizava no seu primeiro romance o Portugal pequenino e arcaico, se substitui Lisboa, a metrópole europeia onde se cruzam todas as influências e se rarefazem identidades e territórios. Nos romances de Lídia Jorge, a condição sócio-cultural das personagens, sobretudo as femininas, reflecte-se em diálogos, testemunhos a que não é alheia a atenção que a autora dispensa à tradição oral, em relação directa com a crónica da nossa história recente, antes e depois da revolução. A sua peça para teatro (A Maçon) procura um tempo mais remoto, os primeiros anos da ditadura, para retratar a condição feminina imposta pela ideologia do Estado Novo e a perda de liberdades (também) por parte das mulheres. A par da actividade literária, Lídia Jorge foi professora convidada da Faculdade de Letras de Lisboa, actividade que interrompeu para desempenhar funções na Alta Autoridade para a Comunicação Social, entre 1990 e 1994. Os seus livros têm-lhe merecido variadíssimos prémios e estão traduzidos para diversas línguas.