Luci Collin

Luci Collin

n. 1964 BR BR

Luci Collin é uma poeta brasileira conhecida por sua obra lírica e introspectiva, que explora a complexidade das emoções humanas, as relações afetivas e a condição feminina com uma linguagem delicada e ao mesmo tempo incisiva. Sua poesia se caracteriza pela musicalidade, pela força das imagens e por uma profunda sensibilidade ao abordar temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo e a busca por autoconhecimento. Collin, com sua voz poética única, tece versos que ressoam com a experiência feminina, convidando à reflexão sobre as sutilezas da vida e as profundezas da alma. Sua obra, marcada por uma constante exploração da subjetividade, é um convite à introspeção e à contemplação, consolidando-a como uma voz importante na poesia contemporânea brasileira, especialmente pela forma como desvenda as nuances da alma feminina.

n. 1964, Curitiba

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Alinho

É preciso voltar
às rosas mais antigas
e suas exuberâncias
e seus frêmitos de infinito
às palavras surgentes
às vozes prometidas
nos ecos do que amanhece

é preciso voltar
aos gatos que compõem a noite
às cálidas cantorias
ao flagrante do gosto
aos votos interrompidos
às garatujas nos muros
às cigarras já sem valia

voltar será sempre preciso
girar a chave de formato único
pisar nas tábuas lassas e confessas
ouvir o apelo do oco
a ascese dos líquens no tronco
fazer irromper acenos que
contem não só desfechos.

Os silêncios recuperam
a porosidade das rochas
o advento das peças da flor
o insabido da brasa
e a razão à palavra.

É preciso acalentar
o momento em que se resolve
a história do espinho

e saborear
o estremecimento.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Luci Collin é uma poeta brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Sua obra se insere no panorama da poesia contemporânea brasileira, destacando-se por um lirismo intenso e uma profunda exploração da subjetividade. Atuando na área da literatura, Collin é reconhecida por sua habilidade em construir universos poéticos que tocam a sensibilidade do leitor, especialmente no que diz respeito às experiências femininas. Sua nacionalidade brasileira e a língua portuguesa são o alicerce de sua produção. O contexto histórico em que sua obra se desenvolve é o do Brasil pós-ditadura, um período de redemocratização e efervescência cultural, onde novas vozes e sensibilidades puderam emergir e se consolidar.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Luci Collin são escassas em fontes públicas. No entanto, o desenvolvimento de sua carreira literária sugere uma formação sólida em estudos literários ou áreas afins, além de uma intensa dedicação à leitura e à escrita. A sensibilidade lírica e a profundidade com que aborda temas complexos indicam um percurso de amadurecimento intelectual e artístico, provavelmente alimentado por influências literárias diversas e pela absorção das correntes estéticas que marcaram a poesia contemporânea.

Percurso literário

O percurso literário de Luci Collin é marcado pela publicação de livros de poesia que gradualmente consolidaram sua voz no cenário literário brasileiro. Sua escrita se desenvolveu em um contexto de renovação da poesia, onde a exploração do eu lírico e a abordagem de temas contemporâneos ganharam destaque. A consistência de sua produção, aliada à qualidade intrínseca de seus versos, permitiu que sua obra fosse reconhecida e apreciada por leitores e críticos. A atuação como poeta, e possivelmente em outras frentes ligadas à literatura, contribui para a sua presença no meio artístico e cultural.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Luci Collin é predominantemente lírica e introspectiva. Seus livros de poesia, como "Trama de Seda" e "Enredos da Alma" (datas de publicação específicas precisam ser consultadas em fontes bibliográficas), exploram temas como o amor, a saudade, a memória, a passagem do tempo, a solidão e a busca por identidade, com um foco particular na experiência feminina. O estilo de Collin é marcado pela delicadeza da linguagem, pela musicalidade dos versos e pela força das imagens poéticas. Utiliza frequentemente o verso livre, permitindo uma maior fluidez e expressividade às suas emoções. Sua voz poética é pessoal, confessional e, ao mesmo tempo, universal, capturando nuances da alma humana com sensibilidade e precisão. O vocabulário é cuidado, sem ser rebuscado, e a densidade imagética convida à contemplação. A obra de Collin dialoga com a tradição lírica, mas a atualiza com uma perspectiva contemporânea e uma sensibilidade genuinamente feminina, sendo associada a uma poesia que valoriza a intimidade e a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Luci Collin escreve em um período de grande diversidade na literatura brasileira, onde a poesia contemporânea se expande em múltiplas direções. Sua obra se insere nesse panorama como uma expressão de lirismo e introspecção, dialogando com a busca por subjetividade e pela exploração de temas existenciais que caracterizam parte da produção literária atual. A sua poesia, ao focar na experiência feminina e nas complexidades das relações humanas, contribui para ampliar o espectro de vozes e temáticas na literatura nacional, refletindo também as discussões sobre gênero e identidade que permeiam a sociedade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Luci Collin, que possam ter influenciado diretamente sua obra, são escassas em fontes públicas. No entanto, a natureza íntima e confessional de sua poesia sugere uma autora que se debruça profundamente sobre suas próprias experiências e sentimentos, bem como sobre as emoções humanas em geral. A exploração da condição feminina e das relações afetivas em seus versos indica uma sensibilidade aguçada para essas questões, que podem ter sido moldadas por vivências pessoais ou por uma profunda empatia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Luci Collin tem recebido um reconhecimento crescente no meio literário brasileiro, sendo sua obra apreciada por leitores e crítica especializada. A qualidade de seu lirismo, a profundidade de suas reflexões e a beleza de sua linguagem poética são aspectos frequentemente destacados. Embora a extensão de sua popularidade e os prémios recebidos possam não ser amplamente divulgados em fontes de acesso geral, sua presença consistente no cenário poético e a circulação de seus livros indicam uma consolidação de seu nome como uma voz importante na poesia contemporânea do país.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Luci Collin tenha sido influenciada por poetas que exploram a linha lírica e introspectiva da poesia, tanto na tradição portuguesa quanto na brasileira. Seu legado reside na sua capacidade de dar voz às sutilezas da experiência feminina e às complexidades das relações humanas, utilizando uma linguagem poética que alia delicadeza e força. Sua obra inspira outros poetas a explorarem a intimidade e a reflexão como fontes de criação, e contribui para a diversidade e a riqueza da poesia brasileira contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Luci Collin pode ser interpretada como uma profunda exploração da subjetividade feminina e das dinâmicas das relações humanas. A análise crítica tende a destacar a forma como ela constrói imagens poéticas que tocam a alma, a musicalidade de seus versos e a autenticidade com que aborda temas universais sob uma perspectiva intimista. Sua poesia convida à reflexão sobre o amor, a perda, a memória e a busca por si mesmo, oferecendo um espelho para as emoções e experiências de seus leitores.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Ainda que detalhes específicos sobre a vida pessoal ou hábitos de escrita de Luci Collin sejam escassos, a própria natureza de sua poesia, que mergulha nas profundezas da alma e nas sutilezas da experiência humana, já sugere uma artista com uma sensibilidade aguçada e uma profunda capacidade de observação do mundo interior e exterior.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Luci Collin encontra-se ativa na produção literária. Sua obra, portanto, continua a crescer e a ser divulgada, garantindo sua memória viva através de seus livros e da recepção que estes continuam a obter.

Poemas

12

DE SOMBREAÇÃO

quando eu vivia na casa da rua anis
os cômodos e os exemplos eram imensos
calor abatumado na água-furtada
os insetos tergiversavam
e as rãs e os sorrisos eram de cristal holoédrico

uma mão regia os contratempos
os cometas eram inexplicáveis
as uvas de cera eram jacobinas
o amuo era sustado com água vegetomineral

elogio à lerdeza e à pantofagia
baralhando as notícias do jornal
um quelônio às vezes emergia da horta
para surpresa dos anões estáticos
para desespero da tia-avó manquitola
para a emoção do mamoneiro 

quando viviam todos na casa e ainda eu
os genuflexórios levavam a alturas máximas
e eram temíveis as quedas e as vertigens súbitas
e eram temíveis as asas enferrujadas
e eram temíveis os olhos búricos

os sapatos haviam conhecido todas as ruas
as sacolas haviam carregado curiosos pesos
os compassos haviam desenhado todos os círculos
os ombros haviam acumulado elegias

eu dançava para que as  acácias brotassem
eu dançava para que o doce desse ponto
eu dançava para que os vértices coincidissem
eu dançava pela alma dos afogados


me impressionavam as hagiografias
me impressionavam as vidas das criadas
a prataria escurecendo me impressionava
as joias na caixa me impressionavam muito
os dentes podres

a tabuada era um tratado de versificação
os espelhos tinham valsas embutidas
o tule sinonimizava voto e desejo
os desvãos do corpo eram grandezas incertas

e grudada nos rostos e colada às mãos e à pele
e às vozes mais delicadas mais desaplaudidas
ia      insistia     afincava
a aula magna do tempo
689

TENTAME

e entre nós e as palavras, o nosso querer falar
                                                                                                                                          M. Cesariny

não havia palavra que coubesse
na carícia que os dedos fazem nas cordas
palavra que frutificasse ao falar
do deserto

um instrumento desafinado
que arranha a plenitude do lago
que quase inexiste
traz uma dor desconcebível e úmida
de dia frio                 de voz rachada     
de sobreavisos

não havia palavra que se aproximasse
da carícia feita nas cordas deste instrumento inabitado
e a voz desconjuntada se esforçava para trazer
a manhã de volta

eu permeável pudesse nesta giga saber
que uma aridez ternária jamais não dói
não esboça certeza nem parelha
é arrítmica esta inquietação de perfumes abandonados

voz subsistida no som das carícias
nas horas eriçadas                na suspensão


e eu aqui querendo que a palavra que fala
não seja só
o próprio deserto
665

READILHO

isto que é uma coisa obsoleta
o conteúdo não salvo
a alvura do tempo presente

isto diacrônico e de origem obscura
envelhecido aos doze anos
aos treze sangrando
a voz mais oca nas conversações de inocência
uma fruta incluindo meus braços
incluindo as falhas que manifesto

isto que é alagadiço e eufórico
nesta nova temporada
as palavras repousam sobre os cílios
quem vem são camaleões e votos fuscos
estes homens grandes têm passos que valem
ouros

isto é a cidade da tela que é apenas luzes e umidades
é combinação de suspiros amarfanhados
numa grande angular o tabuleiro vira a pista molhada
acusações e controvérsias não cabem
num copo

os que querem por primeiro
são os favoritos da tia rose
mas suas músicas desapareceram das jukeboxes
e os dias líquidos e enfileirados não param de rir
os remendos lutam com suas vozes de banheiro

como é possível conspirar contra o concreto
as pontes têm esta precisão encomendada
as emancipadas linhas e o subir escadarias
este chacoalhar do metrô e esta guerra
são o último gole
já em si
576

Deveras

o poeta finge
e enquanto isso
cigarras estouram
pontes caem
azaleias claudicam
édipos ressonam
vacinas vencem
a bolsa quebra e
o poeta finge
e enquanto isso
vagalhões explodem
o pão adoece
astros desviam-se
manadas inteiras se perdem
a noite range
o vento derruba ninhos e
o poeta finge
e enquanto isso
vozes racham
veias entopem
galeões afundam
medeias abatem crias
turvam-se as corredeiras
o sapato aperta e
o poeta finge
que as mãos cheias de súbitos
não são as suas
1 037

NAQUELE MAIO

as certezas chegavam oficialmente pelo correio
você guardara as máscaras numa maleta
e a maleta num baú antigo
e o baú fora enterrado a metros e metros
ou jogado no fundo do fundo do oceano índico
junto com as chaves
com os segredos do cofre
com o zoológico de cristal
              
               Isto não se sabe

E eu seguira regando os gerânios
as prímulas e os telegramas vindos de longe
afofando a forragem no cocho
desenterrando ossuários
ocupada não fora ao baile
cuidara dos detalhes da brotação
cerzira albores e antefaces

                   Isto se sabe
669

Alinho

É preciso voltar
às rosas mais antigas
e suas exuberâncias
e seus frêmitos de infinito
às palavras surgentes
às vozes prometidas
nos ecos do que amanhece

é preciso voltar
aos gatos que compõem a noite
às cálidas cantorias
ao flagrante do gosto
aos votos interrompidos
às garatujas nos muros
às cigarras já sem valia

voltar será sempre preciso
girar a chave de formato único
pisar nas tábuas lassas e confessas
ouvir o apelo do oco
a ascese dos líquens no tronco
fazer irromper acenos que
contem não só desfechos.

Os silêncios recuperam
a porosidade das rochas
o advento das peças da flor
o insabido da brasa
e a razão à palavra.

É preciso acalentar
o momento em que se resolve
a história do espinho

e saborear
o estremecimento.
695

Uma tarde que cai

Quando o vemos está sentado no banco da praça
Ela está em casa presa à trama silenciosa

Na praça pássaros e flores são sinceros
Na janela pássaros são fantasmagóricos

Com o lenço do bolso ele seca o suor da testa
Ela enxuga os olhos com a manga

Ele rosna mas só por dentro
Ela supura mas nunca aos domingos

Ele lastima porque o pão é azul
Ela suspira e a tarde muda se avelhanta

Ele pergunta se as janelas são sinceras
Ela pensa em se atirar nalguma água

São fantasmagóricos os azuis que saem dos olhos
A gangrena e a borra são absolutos

Quando o vemos está em frente à TV imaterial
Ela está de costas de bruços de borco

Ele está palitando os dentes à espera
Ela vazia

Ele está entardecente e flama
Ela boia sobre a água azulíssima

Ele tosse cospe resmunga lanceia vage
Ela fez as unhas e o bolo simples

A previsão do tempo anuncia chuva
Ela toca a pedra friíssima

Ele se ofende
Ela se ofélia
677

Ontivo

Nos encontraremos e eu estarei atarefada
e você estará imerecível
e eu estarei cansada para o cafezinho
e você estará exausto para um cinema
e eu estarei amorfa
e você palimpsesto
e eu estarei rendida às evidências mais ocultas
e você descompassado às vivências absolutas
e eu estarei com pressa
e você naquela hora imprevisível
e eu estarei naquela hora portentosa
e você estará naquele momento incrível
e eu estarei naquela manhã chuvosa
e você estará naquela noite audível
e eu retrocederei até auroras
e você avançará aos ocidentes
e eu compreenderei infinitudes
e você desvestirá os contratempos
e eu deslizo pela superfície e vou embora
e você mergulha mar adentro e refloresce
932

peça

o homem
em mim
esculpe
___(lentamente)
cicatrizes

a mulher
em mim
refaz
___(ponto por ponto)
a estrada

a estátua
___(olho por olho)
refaz
em mim
a mulher

o homem
em mim
fabula
___(solenemente)
cigarras
735

aos pés da letra

não sei você
mas eu por dentro estou quase num
nem existo______quase na lona no limbo
na face escura da lua
na rua a ver navios
quase imprevisto

não sei você mas eu
por dentro estou com um estrepe um engasgo
parece indeferimento
por dentro é rés movimento
é sem balanço___sem serventia
por dentro um estrago

não fosse o colibri aqui faz pouco
tinha me abstido dessa cena
tinha desistido desse filme
— espelho bissexto e algo turvo —
não fora o sol que entendi esplêndido
passava batido o entardecer vermelho

pela natureza desse ofício
pelo oficioso desse esforço
não sei você mas eu por dentro
sou só
_________texto
730

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