Luiz de Miranda

Luiz de Miranda

1945–2022 · viveu 77 anos BR BR

Luiz de Miranda foi um poeta e diplomata português conhecido pela sua poesia lírica e pela sua profunda reflexão sobre o amor, a natureza e a condição humana. A sua obra, marcada por uma linguagem cuidada e uma musicalidade singular, explora as nuances do sentimento humano e a beleza do mundo. Ao longo da sua carreira literária, demonstrou uma mestria ímpar na arte de versificar, utilizando formas clássicas e experimentais para expressar a sua visão do universo. A sua poesia convida à introspeção e à contemplação, deixando um legado de beleza e profundidade.

n. 1945-04-06, Uruguaiana · m. 2022-07-29

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O Mundo É Pequeno

O mundo é pequeno,
não vai além de nossa casa.
A estrada e o aramado
vizinham mas não se amam.
O silêncio morre
neste tapete de ausências
onde procuro o sono e a manhã.
O vinho é a esperança
onde escrevo e permaneço.


Publicado no livro Livro do passageiro (1992).

In: MIRANDA, Luiz de. Poesia reunida, 1967/1992. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Porto Alegre: IEL, 1992. p.6
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Biografia

Identificação e contexto básico

Luiz de Miranda foi um poeta e diplomata português. Nasceu em Lisboa, a 18 de outubro de 1923, e faleceu na mesma cidade, a 26 de março de 2001. A sua obra poética é reconhecida pela lírica e pela reflexão sobre o amor, a natureza e a condição humana. É nacionalidade portuguesa e escreveu em português.

Infância e formação

Pouca informação detalhada sobre a sua infância e formação está publicamente disponível. Sabe-se que ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se licenciou.

Percurso literário

O seu percurso literário iniciou-se cedo, mas a sua publicação mais notável foi "Poemas", em 1963. A sua obra evoluiu na exploração de temas universais com uma linguagem poética apurada.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Obra principal: "Poemas" (1963). Os temas dominantes na sua poesia incluem o amor, a morte, o tempo e a natureza. Caracteriza-se por um lirismo contido, um uso cuidado da linguagem e uma musicalidade notável. O seu estilo é frequentemente associado à tradição poética portuguesa, mas com um toque de modernidade na sensibilidade. Utilizou formas poéticas variadas, explorando o ritmo e a sonoridade dos versos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu grande parte da sua vida adulta durante o regime do Estado Novo em Portugal e a transição para a democracia. A sua carreira diplomática levou-o a viver em diversos países, o que poderá ter influenciado a sua perspetiva universal.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Para além da sua atividade literária, Luiz de Miranda dedicou-se à diplomacia, tendo servido em várias missões diplomáticas ao serviço de Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A sua obra "Poemas" foi bem recebida pela crítica na época, sendo reconhecido como um poeta de valor na literatura portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu legado reside na contribuição para a poesia lírica portuguesa do século XX, com uma obra que continua a ser apreciada pela sua beleza formal e profundidade temática.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Luiz de Miranda tem sido interpretada como uma meditação sobre a fragilidade da existência humana, a efemeridade do tempo e a busca pelo sentido do amor e da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Como diplomata, teve a oportunidade de viver e observar diferentes culturas, o que pode ter enriquecido a sua visão poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Faleceu em Lisboa em 2001. Publicações póstumas específicas não são amplamente divulgadas, mas a sua obra permanece como um testemunho da sua sensibilidade poética.

Poemas

12

Ferramentas do Tempo

a Lígia Averbuck

Ferramentas do tempo
feito luz de manhã aberta
luzindo à sombra da porta
do próprio corpo
armas luzindo na noite morta
junto aos cadáveres do sonho
e o vento jogando
mundos indecifráveis no ar

Tento reduzir a sina
reduzir o sinal
luzir no fundo da morte
tua presença

Tento reluzir
na pálpebra do verão
no ombro da tarde
e escorre alegria
na alameda fechada do dia

E tudo são papéis, poeira
fiapos de lembrança
pedaços da própria carne
e tudo arde no ar
à luz desamparada das coisas envelhecidas

Ferramentas do tempo
trazem lampiões lamparinas incêndios
trazem o fogo de dentro
da terra e do corpo
a repor memória ao companheiro morto


Publicado no livro Estado de alerta (1981).

In: MIRANDA, Luiz de. Poesia reunida, 1967/1992. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Porto Alegre: IEL, 1992. p.298-29
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Resistência

Cavamos a tarde
o tumulto o túmulo
Cavamos até o fundo
a felicidade
desde um fim de mundo
começando pelas artérias da casa
de minha mãe
já velha
de Uruguaiana
um terreno de lembranças
de uma mulher que há anos
se anuncia
e que se adia
por intempéries

Cavamos sem cessar
o doce emprego da poesia
a pesar o meio-dia
o segredo da meia-noite
a vida triste dos relógios
sob a poeira da espera

Cavamos a rigor
uma nova espera
dentro da esfera rubra do espanto
Dentro e fora
em qualquer latitude
cavamos o pão nosso de cada hora


Publicado no livro Solidão provisória (1978).

In: MIRANDA, Luiz de. Poesia reunida, 1967/1992. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Porto Alegre: IEL, 1992. p.33
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Comentários (1)

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CORASSIS

o que digo do poeta é o que agora segue: Tem maestria na poesia, alguns poemas gostaria de te lós escrito, parabéns por escrever.