Mafalda Veiga

Mafalda Veiga

n. 1965 PT PT

Mafalda Veiga é uma cantora e compositora portuguesa que emergiu na cena musical nos anos 90, destacando-se pela sua voz peculiar e pelas suas letras introspectivas e poéticas. Ao longo da sua carreira, explorou sonoridades que vão do pop ao rock, sempre com uma forte componente lírica nas suas canções. As suas composições abordam temas do quotidiano, relações humanas, questionamentos existenciais e uma sensibilidade particular para a melancolia e a reflexão, conquistando um público fiel e consolidando a sua posição na música portuguesa.

n. 1965-12-24, Lisboa

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Charco

Se chover na madrugada em que eu procuro o meu caminho
Será vaga a nostalgia que outro charco faz viver
A canção lânguida e lenta de quem vai devagarinho
Em cada charco uma mágoa que não se pode esquecer

Tenho ideias que não tenho, sentimentos que não sinto
Sou imagem de outra imagem que se fez não sei de quê
Procurando a minha rota, descobrindo o que não minto
E o que monto atiro fora para nascer outra vez

Não sou forte nem sou pedra nem sou muro levantado
Nem sou obra que se erga pouco a pouco, tempo afora
Antes sou como uma ideia que se despe do passado
Uma planta enraizada na sina da sua hora

Se chover na madrugada em que eu procuro o meu caminho
E eu cair em cada charco mas seguir por onde vou
Deixarei de olhar no rio de todos mas tão baixinho
Porque é mais profundo o charco onde o que vejo é o que sou.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Mafalda Veiga é uma cantora e compositora portuguesa, nascida em Lisboa. Ganhou proeminência na música portuguesa a partir da década de 1990. A sua obra é essencialmente cantada em língua portuguesa.

Infância e formação

Os detalhes sobre a infância e formação de Mafalda Veiga não são amplamente divulgados na esfera pública. No entanto, é evidente na sua obra uma sensibilidade apurada e uma capacidade de observação que sugerem um percurso de desenvolvimento artístico e pessoal.

Percurso literário

O "percurso literário" de Mafalda Veiga manifesta-se primariamente através das suas letras de canções. O seu início na música deu-se nos anos 90, com a edição do seu primeiro álbum, "Lado a Lado", em 1992. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, explorando diferentes sonoridades e temáticas, mas mantendo uma identidade lírica consistente. Colaborou com diversos músicos e produtores, expandindo o seu universo musical.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras mais notáveis incluem álbuns como "Lado a Lado" (1992), "Anjos e Demónios" (1995), "Vitaminas" (1998) e "Ray-o-Man" (2003). Os temas dominantes nas suas canções são o amor, as relações interpessoais, a solidão, a busca por sentido, a efemeridade da vida e a introspeção. O estilo musical transita entre o pop e o rock, com influências acústicas e por vezes eletrónicas, mas a força motriz reside nas suas letras poéticas. A sua voz, com um timbre característico, confere uma interpretação íntima e expressiva às suas composições. A linguagem é direta, por vezes coloquial, mas sempre carregada de significado e emotividade. O tom é frequentemente melancólico, reflexivo e confessional.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Mafalda Veiga emergiu numa época em que a música portuguesa se diversificava, com a consolidação de artistas que traziam novas propostas sonoras e líricas. A sua obra dialoga com as inquietações da sua geração e reflete as dinâmicas sociais e culturais do final do século XX e início do século XXI em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Mafalda Veiga são mantidas com discrição. No entanto, a intimidade expressa nas suas letras sugere uma forte ligação entre as suas experiências pessoais, as suas reflexões e a sua criação artística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Mafalda Veiga alcançou um reconhecimento significativo no panorama musical português. As suas canções tornaram-se populares e a sua obra é apreciada por um público alargado e pela crítica. Embora não seja uma artista de grande projeção internacional, consolidou o seu espaço como uma das vozes femininas mais relevantes da música portuguesa contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Mafalda Veiga na música portuguesa são notórias, especialmente no que diz respeito à forma como as letras de canções podem assumir uma dimensão poética e reflexiva. Influenciou artistas que procuram aliar a música pop a uma escrita mais profunda e pessoal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica As canções de Mafalda Veiga são frequentemente analisadas pela sua capacidade de tocar em temas universais de forma acessível e emotiva. A crítica destaca a sua habilidade em captar nuances do quotidiano e transformá-las em reflexões sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Mafalda Veiga é conhecida pela sua natureza reservada, o que contribui para a aura de mistério em torno da sua figura. A sua abordagem à escrita das letras, muitas vezes inspirada por observações do dia-a-dia e por momentos de introspeção, é um aspeto característico do seu processo criativo.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável, pois Mafalda Veiga está viva e em atividade.

Poemas

55

Fragilidade

Talvez pudesse o tempo parar
quando tudo em nós de precipita
quando a vida nos desgarra os sentidos
e não espera, ai quem dera

Houvesse um canto pra se ficar
longe da guerra feroz que nos domina
se o amor fosse um lugar a salvo
sem medos, sem fragilidade

Tão bom pudesse o tempo parar
e voltar-se a preencher o vazio
é tão duro aprender que na vida
nada se repete, nada se promete
e é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
e encharcar-me de azul e de longe
acalmar a raiva aflita da vertigem
sentir o teu braço e poder ficar

É tudo tão fugaz e tão breve
como os reflexos da lua no rio
tudo aquilo que se agarra já fugiu
é tudo tão fugaz e tão breve
1 291

O meu abrigo

Olha pra mim
Deixa voar os sonhos
Deixa acalmar a tormenta
Senta-te um pouco aí
Olha pra mim
Fica no meu abrigo
Dorme no meu abraço
E conta comigo
Que eu estarei aqui

Enquanto anoitece
Enquanto escurece
E os brilhos do mundo
Cintilam em nós
Enquanto tu sentes
Que se quebrou tudo
Eu estarei
Sempre que te sentires só

Olha pra mim
Hoje não há batalhas
Hoje não há tristeza
Deixa sair o sol

Olha pra mim
Fica no meu abrigo
Perde-te nos teus sonhos
E conta comigo
1 695

O Lume

Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter

Não percas tempo
O tempo corre
Só quando doi é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti

Não percas tempo
O tempo corre
Só quando doi é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar
1 266

Cúmplices (para o clube de fãs)

A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto

Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
E tantas vezes o que resta do calor

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Trocamos as palavras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer

Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
O olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
1 266

Por esta cidade fora

Nem sempre esta cidade
Anoitece assim
Perdida na maresia
E no nevoeiro
Nem sempre se sabe
Do fim do sonho
Que se guarda inteiro

Às vezes é preciso
Desfazer o nó
Desancorar por dentro
Quem se amou
Deixar seguir
Abrir os braços
E ver o que ficou

A cor da fogueira
É como um barco aceso ao largo
Sem fim nem fronteira sem correr
A companhia é o teu riso
É não deixar esta noite morrer

Há sempre nesta cidade
Um sabor a mar
O som de uma guitarra
E de um fado
Que se enleia no vento assim
Só isso quero
Guardar para mim

A cor da fogueira
É como um barco a ir embora
Sem fim nem fronteira
Quando a noite nos acolhe
À conversa sem ter pressa
Por esta cidade fora
992

O menino do piano (um sonho do Tomás)

vi um menino com um piano
no céu da minha cabeça
veio de tão longe só para me pedir
que nunca o esqueça
vinha a tocar o seu piano
como só nos sonhos pode ser
por entre as nuvens e as estrelas
apareceu quando me viu adormecer

ficou sentado perto de mim
onde mora a fantasia
quis-lhe tocar mas não se pode ter
a noite a iluminar o dia
soprou devagarinho uma estrela
que se acendeu na sua mão
disse-me: podes sempre vê-la
se souberes soprá-la no teu coração

vi um menino com um piano
a despedir-se de mim
com uma nuvem fez o mar e partiu
(nos sonhos pode ser assim)
disse-me: está a nascer o dia
vou pra onde a noite se esconder
volto com a primeira estrela
para tu nunca teres medo ao escurecer
1 207

Ouve-se o mar

Agora
que a chuva cai devagar
lá fora
e a noite vem devorar
o sol
e tudo fica em silêncio
na rua
e ao fundo
ouve-se o mar
ouve-se o mar

agora
talvez te possas perder
devora
o que a saudade te der
a vida
leva pra longe pedaços
do tempo
deixa o sabor de um regaço
e ao fundo
ouve-se o mar

agora
que a água inunda os teus olhos
e o mundo
já não te deixa parar
no escuro
voltam as histórias perdidas
na alma
onde não podes tocar
e ao fundo
ouve-se o mar
1 371

No Rasto do Sol

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Doze luas em ti e sete marés
Sete barcos navegam a procurar
Um porto uma praia
Talvez no fim do mar onde alguém nos venha esperar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu na palma da mão
Dois olhares que se entregam até ao fim
Do corpo e da alma
Em todos os lugares onde o mundo me fala de ti

À tua volta há luz de sete luares
Sete barcos navegam para encontrar
Um fogo um calor
Talvez no fim de tudo haja força pra recomeçar
Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo
1 309

Procura por mim

Quando for já logo à noite na praia
Com o sol a derreter-se enfim
Procura por mim
Com o vento por saia
E em lugar de suor o sargaço.

Eu estarei quieto e assim sozinho
Cheio das dúvidas do universo
À tua espera
A desenhar o caminho
Para te escrever em verso
No meu regaço.

O abraço.
1 334

Nalgum Lugar Perdido

Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar

Eu fico um pouco
Por dentro dos desejos
Por mil caminhos que são mastros e horizontes
Tão livres como estrelas sobre os mares
E atalhos pelos montes

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti
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Maria do Carmo
Maria do Carmo

Gosto muito de Mafalda Veiga! Tem uma voz suave, meiga e sabe bem ouvir! Para ela, os Parabéns!