Mariazinha Congílio

Mariazinha Congílio

1928–2004 · viveu 75 anos BR BR

Mariazinha Congílio é uma poeta brasileira, cuja obra se destaca pela sensibilidade e pela exploração de temas como a natureza, a memória e a passagem do tempo. A sua escrita, muitas vezes lírica e evocativa, procura captar a essência dos momentos e das paisagens, com uma linguagem que transita entre a delicadeza e a profundidade. Congílio representa uma voz poética que se dedica a perscrutar as subtilezas da experiência humana e a sua relação com o mundo natural.

n. 1928-08-23, Rio de Janeiro · m. 2004-08-14, Rio de Janeiro

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Intermezzo

Ave aprisionada
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera

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Biografia

Identificação e contexto básico

Mariazinha Congílio é uma poeta brasileira. A sua obra é reconhecida no panorama da poesia contemporânea do Brasil.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Mariazinha Congílio não são amplamente divulgados em fontes públicas. No entanto, a sua poesia sugere uma familiaridade com a tradição literária e um olhar atento sobre o mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Mariazinha Congílio tem sido trilhado através da publicação de obras poéticas que têm vindo a ser apreciadas. A sua participação em antologias e eventos literários contribui para a sua presença na cena poética brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Mariazinha Congílio é marcada por um lirismo subtil e uma profunda conexão com a natureza, a memória e a efemeridade do tempo. A sua poesia tende a ser evocativa, utilizando imagens delicadas e uma linguagem cuidada para captar a beleza e a melancolia dos instantes. Explora frequentemente a relação entre o ser humano e o mundo natural, encontrando na paisagem um espelho das emoções e das reflexões. O tom poético oscila entre a contemplação serena e uma certa melancolia existencial. O verso livre é uma escolha frequente, permitindo uma fluidez que acompanha a introspecção.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Mariazinha Congílio escreve no contexto da poesia brasileira contemporânea, um período rico em diversidade estilística e temática. A sua obra dialoga com as preocupações estéticas e existenciais que marcam a literatura atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Mariazinha Congílio que possam ter um impacto direto na sua obra não são amplamente divulgadas, mantendo um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Mariazinha Congílio tem sido recebida com apreço por parte de críticos e leitores que valorizam a lírica e a profundidade reflexiva. A sua inclusão em antologias e publicações literárias atesta o reconhecimento da sua voz poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Mariazinha Congílio podem residir na tradição lírica que valoriza a observação da natureza e a exploração da memória. O seu legado contribui para a poesia brasileira com uma sensibilidade particular para a beleza do quotidiano e a profundidade da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Mariazinha Congílio convida à contemplação e à reflexão sobre a nossa ligação ao mundo e a passagem inexorável do tempo. A sua poesia pode ser vista como um convite a desacelerar e a apreciar as subtilezas da existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da vida de Mariazinha Congílio não são de fácil acesso, o que mantém o foco na sua obra poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Mariazinha Congílio encontra-se viva e a sua obra continua a ser uma contribuição valiosa para a poesia brasileira.

Poemas

6

Intermezzo

Ave aprisionada
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera

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Autorização

Se for
preciso
Pode mentir para mim.
Não se preocupe.
Console-se sabendo
Que por toda a minha vida
Tenho afirmado
Inverdades
Ou -pior ainda-
Tenho silenciado
Covardemente.
É justo que seja castigada.
Pode mentir para mim.

Mas
se algum dia você sentir
que já não me quer
conscientemente
plenamente
se perceber que o amor
está partindo
de mansinho
sorrateiramente
como fumaça

Se isso acontecer
Diga a verdade.
Você não deve mentir para mim.

920

Cinzas do Viver

O tempo
parado
Espera o instante esquecido
A mão inutilmente estendida
O amor perdido
A carícia ausente.

Proprietário das omissões
Suave e tranquilamente
O tempo colhe cinzas do viver

904

O Começo e o Fim

Certeza?
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Sempre estamos
nos despedindo,
pessoas. Coisas, lugares
e muita vez
nem sabemos
se o instante que vivemos
é o começo ou o fim.
927

Totalidade

Seu é meu
canto
Alegre e triste
Agreste e simples

Seu é meu corpo
Carente
Seu é meu pensamento
Consciente
Seus os meus sentimentos
Imprudentes
Minha fidelidade essencial

Meu é o seu sorriso
Que enternece
Minhas  são as suas dúvidas
Que me esclarecem
Meu é o seu amor
Que flutua
Sobre meu canto
Sobre mim.

917

Plantação

Sinto-me
lavrador
Semeando em você
Minha estrada indecisa.
Procuro seus olhos
Em cada ausência sua.
Encontro seu riso
Sempre presente
Em cada despertar

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