Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

1890–1916 · viveu 25 anos PT PT

Mário de Sá-Carneiro foi um poeta, romancista e contista português, figura proeminente da primeira geração do Modernismo português. Sua obra é marcada por um profundo pessimismo, pela exploração da identidade fragmentada, pela angústia existencial e pela busca de um "eu" autêntico, muitas vezes em conflito com a realidade. A sua produção literária, embora reduzida devido à sua morte precoce, é reconhecida pela sua intensidade emocional, originalidade e pelo seu caráter visionário, antecipando temas e preocupações que se tornariam centrais na literatura do século XX.

n. 1890-05-19, Lisboa · m. 1916-04-26, Paris

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Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

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Biografia

Identificação e contexto básico

Mário de Sá-Carneiro foi um escritor português, nascido em Lisboa. É mais conhecido como poeta, romancista e contista. A sua obra é fundamental para a compreensão do Modernismo português, especialmente da primeira geração, também conhecida como "Geração de Orpheu".

Infância e formação

Nascido numa família abastada, a infância de Sá-Carneiro foi marcada pela morte precoce da mãe, um evento que o afetou profundamente e que ecoou na sua obra. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde estudou Direito, mas a sua verdadeira paixão era a literatura. Neste período, absorveu influências do Romantismo, do Simbolismo e de autores como Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud. A sua formação intelectual foi também moldada por um interesse crescente pelas novas correntes filosóficas e psicológicas da época.

Percurso literário

O início da sua atividade literária deu-se cedo, com colaborações em jornais e revistas académicas. No entanto, o seu percurso literário ganhou relevância com a sua participação ativa no movimento que deu origem à revista "Orpheu" (1915), um marco do Modernismo português. Embora a revista tenha tido apenas dois números, foi um catalisador para uma nova geração de artistas. Sá-Carneiro publicou poemas, contos e o romance "O Prisioneiro". A sua obra evoluiu para uma exploração cada vez mais intensa da fragmentação do "eu" e da angústia existencial.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras mais notáveis de Sá-Carneiro incluem o romance "O Prisioneiro" (1917) e a coletânea de contos "Indícios de Oiro" (1937, póstumo). Os temas dominantes na sua obra são a busca da identidade, a dualidade do "eu", a solidão, a loucura, a morte, a efemeridade da vida e a tensão entre o sonho e a realidade. A sua forma poética é marcada por uma forte subjetividade, por vezes com experimentações métricas, mas sobretudo pela intensidade da expressão. O tom é predominantemente elegíaco, pessimista e angustiado. A linguagem é rica, por vezes barroca, carregada de simbolismo e de uma profunda carga emocional. Introduziu uma visão mais introspectiva e fragmentada do ser humano na literatura portuguesa. É associado ao Modernismo e a uma sensibilidade pré-existencialista.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sá-Carneiro viveu numa época de efervescência cultural e de grande instabilidade política em Portugal, com a queda da Monarquia e a instauração da República. Foi um dos impulsionadores da "Geração de Orpheu", ao lado de Fernando Pessoa e Almada Negreiros, com quem partilhou um projeto de renovação artística. A sua posição filosófica era marcada por um profundo ceticismo e pela busca de um sentido transcendental, muitas vezes frustrada.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Sá-Carneiro foi marcada por uma profunda melancolia e por uma instabilidade emocional que o acompanharam até ao fim. As suas relações afetivas foram complexas, e a sua amizade com Fernando Pessoa foi um dos pilares da sua vida e obra, servindo como confidentes e parceiros intelectuais. A sua luta contra a depressão e a angústia existencial teve um impacto direto na sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora em vida a sua obra tenha tido uma receção limitada, Mário de Sá-Carneiro é hoje considerado um dos poetas mais originais e importantes do Modernismo português. O seu reconhecimento cresceu significativamente após a sua morte, com o reexame crítico da sua obra e a sua inclusão no cânone literário português. A sua influência é notória em poetas posteriores que exploraram temas semelhantes de angústia e fragmentação.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sá-Carneiro foi influenciado por autores como Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e, em Portugal, por Camilo Pessanha. Influenciou, sobretudo, Fernando Pessoa e outros escritores da sua geração. O seu legado reside na forma como abordou a crise do sujeito moderno, a fragmentação da identidade e a angústia existencial, temas que continuam a ressoar na literatura contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Sá-Carneiro tem sido objeto de inúmeras interpretações, muitas delas focadas na sua biografia e na sua luta contra a depressão. As suas explorações da identidade fragmentada e da busca de um "eu" autêntico são centrais para a análise crítica, bem como a sua visão pessimista da existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Sá-Carneiro é a sua obsessão com a ideia de morte e com a possibilidade de suicídio, que ele via como uma forma de escapar ao sofrimento da existência. A sua correspondência com Fernando Pessoa revela a profundidade da sua ligação e as suas partilhas íntimas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Mário de Sá-Carneiro morreu por suicídio em Paris, em 1916. A sua morte precoce interrompeu uma carreira literária promissora. A publicação póstuma dos seus contos em "Indícios de Oiro" contribuiu para a sua consagração e para a preservação da sua memória como um dos vultos maiores da literatura portuguesa.

Poemas

35

O amor

MOTE

Amor é chama que mata,
Sorriso que desfalece,
Madeixa que desata,
Perfume que esvaece.

(popular)

GLOSAS

Amor é chama que mata,
Dizem todos com razão,
É mal do coração
E com ele se endoidece.
O amor é um sorriso
Sorriso que desfalece.

Madeixa que se desata
Denominam-no também.
O amor não é um bem:
Quem ama sempre padece.
O amor é um perfume
Perfume que se esvaece.

9 101

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

7 967

AQUELOUTRO

O dúbio mascarado o mentiroso
Afinal, que passou na vida incógnito
O Rei-lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso.

Em vez de Pajem bobo presunçoso.
Sua Ama de neve asco de um vómito.
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso.

O sem nervos nem ânsia - o papa- açorda,
(Seu coração talvez movido a corda...)
Apesar de seus berros ao Ideal

O corrido, o raimoso, o desleal
O balofo arrotando Império astral
O mago sem condão, o Esfinge Gorda.

7 247

Ângulo

Aonde irei neste sem-fim perdido,
Neste mar oco de certezas mortas? —
Fingidas, afinal, todas as portas
Que no dique julguei ter construído...

— Barcaças dos meus ímpetos tigrados,
Que oceano vos dormiram de Segredo?
Partiste-vos, transportes encantados,
De embate, em alma ao roxo, a que rochedo?...

Ó nau de festa, ó ruiva de aventura
Onde, em Champanhe, a minha ânsia ia,
Quebraste-vos também, ou porventura,
Fundeaste a Oiro em portos de alquimia?...

...................................................................................................

Chegaram à baia os galeões
Com as sete Princesas que morreram.
Regatas de luar não se correram...
As bandeiras velaram-se, orações...

Detive-me na ponte, debruçado.
Mas a ponte era falsa — e derradeira.
Segui no cais. O cais era abaulado,
Cais fingido sem mar à sua beira...

— Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes —
Um outro que eu não posso acorrentar...

6 735

Distante Melodia

Num sonho de Íris morto a oiro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre véus de tule -
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.

Então os meus sentidos eram cores,
Nasciam num jardim as minhas ânsias,
Havia na minha alma Outras distâncias -
Distâncias que o segui-las era flores...

Caía Oiro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me...
- Noites-lagoas, como éreis belas
Sob terraços-lis de recordar-me!...

Idade acorde de Inter-sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz - anseios de Princesa nua...

Balaústres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume...
Domínio inexprimível de Ópio e lume
Que nunca mais, em cor, hei-de habitar...

Tapetes de outras Pérsias mais Oriente...
Cortinados de Chinas mais marfim...
Áureos Templos de ritos de cetim...
Fontes correndo sombra, mansamente...

Zimbórios-panteões de nostalgias,
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar...
Escadas de honra, escadas só, ao ar...
Novas Bizâncios-Alma, outras Turquias...

Lembranças fluidas... Cinza de brocado...
Irrealidade anil que em mim ondeia...
- Ao meu redor eu sou Rei exilado,
Vagabundo dum sonho de sereia...

6 590

Bárbaro

Enroscam-se-lhe ao trono as serpentes doiradas
Que, César, mandei vir dos meus viveiros de África.
Mima a luxúria a nua — Salomé asiática...
Em volta, carne a arder — virgens supliciadas...

Mitrado de oiro e lua, em meu trono de esfinges —
Dentes rangendo, olhos de insónia e maldição —
Os teus coleios vis, nas infâmias que finges,
Alastram-se-me em febre e em garras de leão.

Sibilam os répteis... Rojas-te de joelhos...
Sangue e escorre já da boca profanada...
Como bailas o vício, ó torpe, ó debochada —
Densos sabbats de cio teus frenesis vermelhos...

Mas ergues-te num espasmo — e às serpentes domas
Dando-lhes a trincar teu sexo nu, aberto...
As tranças desprendeste... O teu cabelo, incerto,
Inflama agora um halo a crispações e aromas...

Embalde mando arder as mirras consagradas:
O ar apodreceu da tua perversão...
Tenho medo de ti num calafrio de espadas —
A minha carne soa a bronzes de prisão...

Arqueia-me o delírio — e sufoco, esbracejo...
A luz enrijeceu zebrada em planos de aço...
A sangue se virgula e se desdobra o espaço...
Tudo é loucura já quanto em redor alvejo!...

Traço o manto e, num salto, entre uma luz que corta,
Caio sobre a maldita... Apunhalo-a em estertor..

.................................................

— Não sei quem tenho aos pés: se a dançarina morta,
Ou a minha Alma só que me explodiu de cor...

6 232

Como eu não possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

5 248

O Lord

Lord que eu fui de Escócias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadência,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Pára às montras de jóias de opulência
Num desejo brumoso --- em dúvida iludida...
(--- Por isso a minha raiva mal contida,
--- Por isso a minha eterna impaciência.)

Olha as Praças, rodeia-as...
Quem sabe se ele outrora
Teve Praças, como esta, e palácios e colunas ---
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas...

(--- Por isso a sensação em mim fincada há tanto
Dum grande património algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido ---
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto...)

6 536

O Pajem

Sozinho de brancura, eu vago --- Asa
De rendas que entre cardos só flutua...
--- Triste de Mim, que vim de Alma prà rua,
E nunca a poderei deixar em casa...

6 061

A Queda

E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir ... mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.

Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de oiro,
Volve-se logo falso ... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesoiro,
Morro à mingua, de excesso.

Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços de alma – e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra – em nada me condenso...
Agonias de luz eu viro ainda entanto.

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
vencer às vezes é o mesmo que tombar –
e como inda sou luz, num grande retrocesso,
em raivas ideais ascendo até ao fim:
olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso ...

Tombei ....
E fico só esmagado sobre mim!...
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Comentários (7)

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Meus Caros amigos Portugueses... Este senhor Mário de Sá- Carneiro - é um poeta de seu tempo , e muito jovem . Com certeza ele fez muitas viagens , e teu coração e mente emoldurou todos os seus textos , que não são tão difíceis de os entender . já que na época de sua pequena e rápida juventude ... capturou todas suas loucuras de uma vida em versos de doerem os mais frágeis de corações.

Também penso em português
Também penso em português

Querido português de Portugal, pois é, sempre há os que gostam de pensar e os que não, isto independe da nação. Eu, brasileira que fala português, graças a Deus e ao Marquês (de Pombal), adoro perscrutar vosso/nosso passado. Os cães sempre ladram e as carruagens continuam passando. Sei que me compreende e isto é muito bom: também penso em português!

Gloriosos antepassados
Gloriosos antepassados

Concordo plenamente, pois todos nós deveriamos relembrar os nossos antepassados com respeito e dignidade. E não se esqueçam que quem descobriu o Brasil, foram os nossos gloriosos e altivos navegadores, mais propriamente Pedro Alvares Cabral, que foi um elemento muito importante para a história. Com isto pretendo mostrar-vos, meus caros portugueses do Brasil, que devem pensar mais do que uma vez sobre os vossos antepassados e não se julgarem muito mais importantes. Independentemente de gostarem ou não, não podem falar deste modo, com tanta indelicadeza. Com carinho dos vossos irmãos fraternos, Portugueses de Portugal.

amante da arte
amante da arte

um dos maiores nomes da literatura ,capaz de despetar ,amor, odio e causar uma mistura de sentimentos inesplicaveis .si nao é pela arte entao porque a alma pemanece sempre viva?

To cansado de tanta besteira
To cansado de tanta besteira

Realmente esse kara nunca ligou pra nenhum e nos, mas q droga... odeio estudar sobre esse povo antigo^^