Lista de Poemas
Poema da Alemanha
lírios em suas sepulturas de raízes.
OS mortos dos campos da Alemanha escreveram
a história dos homens taciturnos.
Os mortos dos campos da Alemanha enferrujam
a alma aflita de quatro gerações.
Nas madrugadas de chuva os mortos dos campos
da Alemanha lustram as botas dos velhos soldados.
Escurecer o Quarto
esconder o sol em anéis de nuvens cinza
escurecer paredes onde mora o corpo.
Anoitecer a respiração dos móveis
guardar os relógios no mar.
- Meu espírito precisa de silêncio -
Palavras
Simples Cerejas
ao sorvê-las senti
algo dentro de mim.
Um sino libertando os olhos
do velho telhado.
Cantata Para Francisco Carvalho
Singro a água com sentido na barca. Orquídeas
no mastro trazem a força das palavras. Girassóis.
O que somos está nos dedos. Plantamos o trigo e escutamos
o vento. São crônicas das raízes amanhando faces no sono.
Marejamos distância e velamos o arco-íris na praia.
A noite sopra o mistério do Ceará. O som do atabaque
acorda os lábios. O poeta prepara a alquimia. O galope
do Pégaso ronda montanhas e cobre de borboletas a túnica
dos serafins.
Francisco Carvalho compõe sonatas leves como asas de pássaros.
O homem dorme ao som da música. O Aquilão chega, o barco à deriva.
Punhais sangram anjos maus no fim da lua.
O sol nasce, crescem pombas. O poeta veleja imagens e coloca
tâmaras em meus olhos. Sinto a cor da poesia nos poros. Banho
de eucalipto o leito. A chuva é o bálsamo do homem.
Canto o poeta que desfolha nuvens nos dentes:
vive no pêndulo do relógio de Minas. Amadurecendo uvas.
A Voz de Meus Cata-ventos
Marco Antonio faz um seletivo de temáticas abrindo um leque transcendental de conhecimentos exigidos na arte poética. Se de todo os poemas não se mostram na primeira leitura, o leitor descobre a evolução de imagens, a paisagem, a captação mineral silábica dos versos. Do poema "Hora Absurda": "Certos anzóis/ fisgam almas como a servidas hóstias: / Satã." A expressão absurda é uma constante na poesia de Marco Antonio Souza. Uma alquimia descobre o avesso da alma, do corpo, das mãos do poeta. Os vegetais estão presentes e germinam nos lábios. Símbolos, o arbitrário, o inovado, cromatizam a fala. O livro é invadido pelo estado de consciência. O breve poema "O Doente" é de uma realidade tocante: "Cosme cruel, o náusea,/ vestia-se de sujo e já era morto/ com assombradas luas revisitadas pela loucura.
Abandono da pessoa humana ganha amplitude e dualização visual na estrutura poética. Anjos, quintais, horas, avô, flores, figuras, alma, náuseas, sonhos criam uma anatomia. O retrato do poeta já marca o artista dentro do texto. "A Voz de Meus Cata-ventos" indaga o tempo no relógio da sala. Banha o mar interior do leitor, caracterizando um discurso a que não podemos ficar indiferentes. A solidão que encontramos na leitura dos poemas é um exemplo de forma aberta a muitas releituras. A palavra deve ser recebida no silêncio. Almejamos, de certo modo, um andamento ao livro em toda sua conclusão.
O pássaro de Pedra
Sérgio Campos
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão
voava na Estrada da Bica. O flamboyant
florido. O poeta recolhia o silêncio nos olhos.
Pastorava poemas o rosto perdido no tempo.
Ouvia os pardais na janela. Longe, o sonho derretendo
no último verão. O pássaro se esconde do dilúvio.
Os escorpiões estancam o relógio de marrom glacê.
O sal nas paredes, vultos alastram lembranças.
O poeta sente as vértebras soterradas. A liberdade
da mão forma concha e asas morrem no pórtico da casa.
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão sangrou a túnica
do poeta. Levou os pardais. O vento sopra na noite os lábios
de pedra.
Vejo a tocha da poesia no caminho. Coloco âncoras,
os sinos dobram, escuto ladainhas de Ouro Preto.
A clarineta veste a alma e papoulas enfeitam nuvens.
Viaja para o equinócio. Seu corpo é o mito da linguagem.
Coloco o manto de lã repleto de memórias. O vôo leva os pardais.
O Retrato de Biel
Gabriel Archanjo de Mendonça)
Vestia o inverno, na foto marcando viagem. Os olhos vinham das águas, do rio, dos pássaros que voavam em seu corpo. A voz cantava uma canção. Canção embrenhada na distância. No silêncio, a risada de Biel. Existia um olhar aberto à procura dos seres que formavam o caule da vida. Reencontro de amigos. O mistério do espírito se preparando ao hiato da ausência. Biel desenhava no porão. Os olhos em vigília. Olhava os campos calcinados, onde borboletas secas dormiam. Biel, inflexão do corpo criando versos de origem, criando grãos no espaço. Biel menino. Ah, os cabelos de Biel! O canário nos dedos trazia o sol. Biel, viajante de tudo que já foi visto. Rindo, rindo, rindo, do barco à espera. Tantas flores chegando. A festa de Biel
O desamparo arrastando o sino. Formigas retalhando memórias. O desgaste no oco dos olhos. Poemas guardados em álbuns amarelados, trazendo emoções. Fazia frio no dia 31 de julho de 1996. Tarde de Biel. De poemas. À margem da praia distante vejo o texto crescendo. Uma flor azul entre as pedras dorme o fim. Biel menino, poeta, desenhista, cantor de canções perdidas. Nada explica o professor do vento da velha São João Nepomuceno.
Leio sua poesia, vejo o retrato vestido de inverno. Encarno a geografia de sua vida. O vôo não foi rasteiro. Plantaram a semente. Depois o pânico do silêncio. Lá fora a chuva marca o nascimento do poeta.
O Retrato
Na tarde o perfume da gardênia
os sóis entrando na vidraça.
O retrato navega no oceano
com olhos de tempestade.
Nasce uma rosa em março
nascem passos de ausência
na alma.
Na cristaleira o licor
o licor guardado
na interminável partida.
Vieste alimentar os pássaros
no alpendre
vieste guarnecer de lágrima os olhos.
Há dias preparo as paredes
preparo a cadeira marrom
preparo a carcaça.
Tua figura traz uma mensagem
que se desfaz no espaço
no vento.
O afeto o afeto
devassa os elementos do ser.
Resta o verão o jardim os violinos
o desespero do rosto
que jamais veremos.
Mar Interior
cicatrizes do rosto. Espero a maré.
A volta da vela branca purificando
os olhos.
No horizonte o azul estagnado.
A ternura do tempo das amêndoas.
O beijo ficou além da geografia
e crucificou o lábio seco.
Sou marinheira do cansaço, da aceitação.
O desamor toma conta do mar interior.
Salgo a retina na água verde. O vazio
contorna os dedos. Dedos esquecidos do calor.
O que existe além dos nossos olhos?
Uma flor branca esperando o branco dente.
O exílio se alonga e a vida é cardume.
Há de chegar o vento. A imensidão dos anos.
Pouso da terra.
Comentários (0)
NoComments
My Summer 🪸 1º vídeo do Canal
EQM-PARTE I-DE MARTA GONÇALVES
EQM-PARTE II-DE MARTA GONÇALVES
Marta Pereira da Costa: Tiny Desk Concert
Talks MOCHE | Marta Gonçalves & Cálculo
Histórias APAV na primeira pessoa | Marta Gonçalves
Marta Gonçalves
marta gonçalves ♥
Testemunho Fisioterapeuta Marta Gonçalves
Classe Pilates Clínico Core - Marta Gonçalves
Reggaetón - Marta Goncalves student group @ Salsa Libre
pomni
MARTA GONÇALVES - SD
Deputada Marta Gonçalves fala de sua atuação na Assembleia que prioriza a inclusão de pessoas
Martinha #Marta Goncalves Casamento em 2014
Testemunho da Fisioterapeuta Marta Gonçalves
Marta Goncalves, Agnieszka Koś, Ricardo Marques - Samba - presentation @ Salsa Libre Danc Studio
Classe Pilates Clínico Membros Inferiores - Marta Gonçalves
Marta Gonçalves | Abraão (cover)
Vanessa Maia, Marta Gonçalves & Gonçalo Sampaio - Perdidamente [Ghent2013 Euroconcert]
Untitled video
Marta Gonçalves |Deus está contigo (cover)
Jonathan Gonçalves - Marta (Marco Pereira)
Maria Marçal | Deserto #MKnetwork
CIDADE LOW POLY Marta Gonçalves 13227
Marta Gonçalves 22555 - programa eleitoral de TV 📺
MARTA GONÇALVES - TORNEIO OUTONO 2013 - SD
Marta Gonçalves- Grupo Raviera - Autocast #060
3 de dezembro de 2023
Try me
VIDEOCAST "O Segredo da Cândida" com Marta Gonçalves
29 de maio de 2022
25 de Janeiro de 2016
Classe Pilates Clínico Mobilidade da Coluna - Marta Gonçalves
Tv Terra do Sol Depoimento Dia da Mulher - MARTA GONÇALVES (08.03.2021)
Marta Gonçalves - Agent Introduction (CENTURY 21 Realty Art Farol)
9 de janeiro de 2022
12 de agosto de 2019
Martinha #Marta Goncalves Casamento (Soninho/Mario e convidadas) - Catedral - Patos de Minas
31 de janeiro de 2023
Fallin Teaser by Why Dont We💖
10 de outubro de 2021
12 de outubro de 2021
8 de outubro de 2021
Lift off! (Performance Track)
3 de janeiro de 2022
Calypso time (Performance Track)
Dra Marta Gonçalves: A Cuidar do seu Sorriso há mais de 20 anos
SUMMER 2019
1 de janeiro de 2024