Lista de Poemas

A Voz das Coisas

E Juca ouviu a voz das coisas. Era um brado:
"Queres tu nos deixar, filho desnaturado?"

E um cedro o escarneceu: "Tu não sabes, perverso,
que foi de um galho meu que fizeram teu berço?"

E a torrente que ia rolar para o abismo:
"Juca, fui eu quem deu a água do teu batismo".

Uma estrela, a fulgir, disse da etérea altura:
"Fui eu que iluminei a tua choça escura
no dia em que nasceste. Eras franzino e doente.
E teu pai te abraçou chorando de contente...
— Será doutor! — a mãe disse, e teu pai, sensato:
— Nosso filho será um caboclo do mato,
forte como a peroba e livre como o vento! —
Desde então foste nosso e, desde esse momento, nós
te amamos, seguindo o teu incerto trilho,
com carinhos de mãe que defende seu filho!"

Juca olhou a floresta: os ramos, nos espaços,
pareciam querer apertá-lo entre os braços:

"Filho da mata, vem! Não fomos nós, ó Juca,
o arco do teu bodoque, as grades da arapuca,
o varejão do barco e essa lenha sequinha
que de noite estalou no fogo da cozinha?
Depois, homem já feito, a tua mão ansiada
não fez, de um galho tosco, um cabo para a enxada?"

"Não vás" — lhe disse o azul. "Os meus astros ideais
num forasteiro céu tu nunca os verás mais.
Hostis, ao teu olhar, estrelas ignoradas
hão de relampejar como pontas de espadas.
Suas irmãs daqui, em vão, ansiosas, logo,
irão te procurar com seus olhos de fogo...
Calcula, agora, a dor destas pobres estrelas
correndo atrás de quem anda fugindo delas..."

Juca olhou para a terra e a terra muda e fria
pela voz do silêncio ela também dizia:
"Juca Mulato, és meu! Não fujas que eu te sigo...
Onde estejam teus pés, eu estarei contigo.
Tudo é nada, ilusão! Por sobre toda a esfera
há uma cova que se abre, há meu ventre que espera...
Nesse ventre há uma noite escura e ilimitada,
e nela o mesmo sono e nele o mesmo nada.

Por isso o que vale ir fugitivo e a esmo
buscar a mesma dor que trazes em ti mesmo?
Tu queres esquecer? Não fujas ao tormento...
Só por meio da dor se alcança o esquecimento.
Não vás. Aqui serão teus dias mais serenos,
que, na terra natal, a própria dor dói menos...
E fica, que é melhor morrer (ai, bem sei eu!)
no pedaço de chão em que a gente nasceu!"


Publicado no livro Juca Mulato (1917).

In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p.59-60. (Prestígio
7 002

Lamentações - 1

"Amor?
Receios, desejos,
promessas de paraísos.
Depois sonhos, depois risos,
depois beijos!
Depois...
E depois, amada?
Depois dores, sem remédio,
depois pranto, depois tédio,
depois... nada!"


Publicado no livro Juca Mulato (1917).

In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p.43. (Prestígio
5 316

Fascinação - 1

Tudo ama!
As estrelas no azul, os insetos na lama,
a luz, a treva, o céu, a terra, tudo,
num tumultuoso amor, num amor quieto e mudo
tudo ama! tudo ama!

Há amor na alucinada
fascinação do abismo,
amor paradoxal humano e forte
que se traduz nas febres do sadismo,
nessa atração perpétua para o Nada,
nessa corrida doida para a Morte.

Por isso quando as lianas
em lascívias florais cercam de abraços
o tronco hirsuto e grosso,
têm, no amplexo mortal, crueldades humanas.
Há no erótico ardor de enlaçá-lo, abraçá-lo,
a assassina violência de dois braços
crispados num pescoço,
atenazando-o para estrangulá-lo!

É que o amor quer a morte. Num momento
resume a vida, os loucos entusiasmos
dos supremos espasmos...
Nesse furor que o invade,
tem a volúpia da ferocidade,
tem o delírio do aniquilamento!

É por isso que sempre vês, por tudo,
uma luta de morte, um desespero mudo:
a insídia da raiz que mina a terra e esgota,
o caule que ergue o fuste, a rama, em sobressalto,
agitando pelo ar a própria dor ignota
no torturante amor do mais puro e mais alto!


Publicado no livro Juca Mulato (1917).

In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p.37. (Prestígio
3 006

I - Praça da República

Os chorões lavaram seus cabelos verdes
nas piscinas de cimento
dentadas de rochedos feitos por marmoristas
e desenhados por Debugras

Há peixes dispépticos que só comem pão-de-ló
servidos pelos dedos lunares das Salomés-normalistas
que sabem de cor as façanhas de Tom-Mix e Tiradentes.

As astúrias cortaram suas tranças "à la garçonne"
e ouvem lições de geometria no espaço
de sábios buxos cubistas...

Praça da República cheia de mulheres públicas
de detritos humanos, como um porto cosmopolita onde os táxis atracam,
velhas catraias urbanas
que vogam nos canais de asfalto das alamedas.

Álvares de Azevedo, o último Romântico,
condenado às galés da imortalidade,
cospe na praça noturna,
do alto de sua herma,
o seu desdém de bronze.


Publicado no livro Chuva de Pedra (1925). Poema integrante da série Impromptus Urbanos.

In: DEL PICCHIA, Menotti. Poesias, 1907/1946. São Paulo: Martins, 1958. p.67. (Obras de Menotti del Picchia
1 714

I - Torre de Babel

Eles ergueram a torre de Babel
bem na Praça Antônio Prado.
O esqueleto de aço cobriu-se de carne de cimento
e as vigas e guindastes
eram braços agarrando estrelas
para industrializá-las em anúncios comerciais.

Italianos joviais,
húngaros de olhos de leopardo,
caboclos de Tietê arrastando o caipira,
bolchevistas da Ucrânia,
polacos de Wrangel,
nipões jaldes como gnomos nanicos talhados em âmbar
entre as pragas dos contramestres,
os rangidos das tábuas do andaime,
o estridor metálico
das vigas de aço e dos martelos sonoros,
no céu libérrimo de S. Paulo,
fizeram a confusão das línguas,
sem perturbar a geometria rigorosa
do ciclópico arranha-céu!

Lá do alto, o paulista,
bandeirante das nuvens,
mirou o prodígio da Cidade alucinada:
uma casa de três andares
pôs-se a crescer bruscamente
como nos romances de Wells;
outra apontou a cabeça arrepelada de caibros
acima do viaduto do Chá;
e começou a desabalada carreira
do páreo do azul.
O formidável arranha-céu
com a cabeça nas nuvens
abrigou no seu ventre de concreto
o drama da nova civilização.

Onde estás meu seráfico Anchieta,
erguendo com o barro de Piratininga,
pelo milagre da tua persuasão,
as paredes rasteiras do Colégio?


Publicado no livro República dos Estados Unidos do Brasil: poema (1928). Poema integrante da série Babel.

In: DEL PICCHIA, Menotti. Poesias, 1907/1946. São Paulo: Martins, 1958. p.195-196. (Obras de Menotti del Picchia
2 528

Língua Brasileira

O povo menino
no seu presepe de palmeiras
aguardou as oferendas de Natal.

A nau primeira
trouxe o Rei do Ocidente
que lhe deu o tesouro sem-par
do Cantar de Amigo,
dos Autos de Gil Vicente
e, depois, a epopéia de Camões.

No navio negreiro
veio o Melchior do mocambo
talhado em azeviche como um ídolo benguela,
com a oferta abracadabrante e gutural
dos monossílabos de cabala.

Nos transatlânticos e cargueiros,
o Rei Cosmopolita,
que tem as cores do arco-íris
e os ritmos de todos os idiomas,
trouxe-lhe o régio presente
das articulações universais.

Os três reis fizeram um acampamento das raças
e ensinaram o povo menino
a falar a língua misturada
de Babel e da América.

E assim nasceste,
ágil, acrobática, sonora, rica e fidalga,
ó minha língua brasileira!


Publicado no livro República dos Estados Unidos do Brasil: poema (1928). Poema integrante da série História.

In: DEL PICCHIA, Menotti. Poesias, 1907/1946. São Paulo: Martins, 1958. p.135-136. (Obras de Menotti del Picchia
2 332

III - Avenida Paulista

Todos os estilos ancoraram no cais mole
do asfalto fidalgo...
Dentro daquele parque
fuma goiano um califa enriquecido
com uma fábrica de alpargatas da rua 25 de Março.

O sr. Conde está bebendo Chianti
servido por um criado de libré.

Até as colunas de mármore são de cimento armado.

E domingo, em Roles Royce ou em Ford
passaremos em revista
na parada do corso
todos os candidatos à consagração da Avenida.


Publicado no livro Chuva de Pedra (1925). Poema integrante da série Impromptus Urbanos.

In: DEL PICCHIA, Menotti. Poesias, 1907/1946. São Paulo: Martins, 1958. p.69. (Obras de Menotti del Picchia
2 316

Tarde Fazendeira

Tarde cabocla
com banzo de pretos nas sombras,
carícias de escravas mulatas
nas palmas dos longos coqueiros.
Um rouco ribombo de bombo
nos ecos; um trilo de estrídulos grilos
nas moitas; tarde cabocla
com um sol de miçangas, de gangas vermelhas
nos flancos das serras,
com um hálito fresco de folhas pisadas, de verdes pomares
pejados de frutas-de-conde, de mangas maduras,
com aros de lua nascente nos céus e nas águas,
tarde cabocla
com vagas preguiças de redes nas ramas,
com longos bocejos de luz nas encostas,
foi numa tarde como esta
que vieram ao mundo
os mestiços da raça...


Publicado no livro República dos Estados Unidos do Brasil: poema (1928). Poema integrante da série Paisagem.

In: DEL PICCHIA, Menotti. Poesias, 1907/1946. São Paulo: Martins, 1958. p.154. (Obras de Menotti del Picchia
1 883

Germinal - 1

Nuvens voam pelo ar como bandos de garças.
Artista boêmio, o sol, mescla na cordilheira pinceladas esparsas
de ouro fosco. Num mastro apruma-se a bandeira
de S. João desfraldando o seu alvo losango.
Juca Mulato cisma. A sonolência vence-o.

Vem na tarde que expira e na voz de um curiango
o narcótico do ar parado, esse veneno
que há no ventre da treva e na alma do silêncio.

Um sorriso ilumina o seu rosto moreno.

No piquete relincha um poldro; um galo álacre
tatala a asa triunfal, ergue a crista de lacre,
clarina a recolher entre varas de cerdos
mexem-se ruivos bois processionais e lerdos
e num magote escuro a manada se abisma
na treva.
Anoiteceu.
Juca Mulato cisma.


Publicado no livro Juca Mulato (1917).

In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p.17. (Prestígio
1 613

Germinal - 5

Juca Mulato cisma. Olha a lua e estremece.
Dentro dele um desejo abre-se em flor e cresce
e ele pensa, ao sentir esses sonhos ignotos,
que a alma é como uma planta, os sonhos como brotos,
vão rebentando nela e se abrindo em floradas...
Franjam de ouro, o ocidente, as chamas das queimadas

Mal se pode conter de inquieto e satisfeito.
Adivinha que tem qualquer coisa no peito
e, às promessas do amor, a alma escancara ansiado
como os áureos portais de um palácio encantado!...

Mas a mágoa que ronda a alegria de perto
entra no coração sempre que o encontra aberto...

Juca Mulato sofre... Esse olhar calmo e doce
fulgiu-lhe como a luz, como luz apagou-se.
Feliz até então tinha a alma adormecida...
Esse olhar que o fitou o acordou para a vida!
A luz que nele viu deu-lhe a dor que ora o assombra
como o sol que traz a luz e, depois, deixa a sombra...


Publicado no livro Juca Mulato (1917).

In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p.21. (Prestígio
1 757

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Identificação e contexto básico

**Nome completo:** Paulo Menotti del Picchia **Pseudónimos:** Menotti del Picchia **Data e local de nascimento:** 20 de junho de 1892, São Paulo, SP **Data e local de morte:** 19 de maio de 1988, São Paulo, SP **Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem:** Filho de imigrantes italianos, sua família pertencia à classe média paulistana. Cresceu imerso em um ambiente cultural efervescente na São Paulo em rápido desenvolvimento. **Nacionalidade e língua(s) de escrita:** Brasileiro, escrevia em português. **Contexto histórico em que viveu:** Viveu um período de intensas transformações no Brasil e no mundo, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Semana de Arte Moderna, a Era Vargas e o pós-guerra. Foi testemunha e participante de importantes movimentos culturais e políticos.

Infância e formação

**Origem familiar e ambiente social:** Seus pais, Guseppe Del Picchia e Paschoalina Magnani Del Picchia, cultivavam um ambiente familiar voltado para as artes e a cultura, influenciando desde cedo seus interesses. **Educação formal e autodidatismo:** Cursou Direito na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde se formou em 1913. Paralelamente, dedicou-se intensamente à leitura e ao estudo das artes, desenvolvendo um vasto conhecimento autodidata. **Influências iniciais (leituras, cultura, religião, política):** Foi fortemente influenciado pela literatura clássica italiana, pela poesia parnasiana e simbolista francesa, além de correntes filosóficas e místicas, como o espiritismo. **Movimentos literários, filosóficos ou artísticos que absorveu:** Absorveu influências do parnasianismo e do simbolismo, mas logo se tornou um dos expoentes máximos do Modernismo brasileiro, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922. **Eventos marcantes na juventude:** A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um divisor de águas em sua trajetória, consolidando sua posição como um dos líderes do movimento e impulsionando sua carreira literária e artística.

Percurso literário

**Início da escrita (quando e como começou):** Começou a escrever poesia na adolescência, publicando seus primeiros versos em jornais e revistas da época. Sua estreia literária oficial se deu com o livro "Poemas de 1915". **Evolução ao longo do tempo (fases, mudanças de estilo):** Sua obra passou por diferentes fases, desde um lirismo mais formalista e parnasiano, evoluindo para um estilo mais livre e experimental com o Modernismo, explorando temas nacionais e universais. **Evolução cronológica da obra:** Iniciou com poesia ("Poemas de 1915"), passou pela prosa ("Juca Mulato", "Angélica"), teatro e ensaios, sempre com um olhar voltado para a realidade brasileira. **Colaborações em revistas, jornais e antologias:** Colaborou ativamente com diversas publicações importantes de seu tempo, como "O Estado de S. Paulo", "Revista da Academia Brasileira de Letras" e "Fon-Fon". **Atividade como crítico, tradutor ou editor:** Foi crítico literário e artístico, e também atuou como jornalista e editor em algumas publicações.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias **Obras principais com datas e contexto de produção:** - "Poemas de 1915" (1915): Marca inicial de sua carreira poética. - "Juca Mulato" (1921): Romance que aborda a temática da mestiçagem e da identidade brasileira. - "Angélica" (1923): Romance que explora a vida urbana e as relações sociais. - "Asfalto Selvagem" (1931): Poesia que retrata a vida na metrópole. - "Hino à Bandeira Nacional" (letra, 1906): Embora anterior à sua fase modernista, tornou-se um marco. **Temas dominantes:** Nacionalismo, misticismo, a condição humana, a metrópole, a cultura brasileira, o amor, a morte, a espiritualidade. **Forma e estrutura:** Utilizou tanto formas tradicionais quanto o verso livre, demonstrando grande versatilidade e experimentação. **Recursos poéticos (metáfora, ritmo, musicalidade):** Sua poesia é rica em metáforas, aliterações e assonâncias, conferindo grande musicalidade e força expressiva aos seus versos. **Tom e voz poética:** Variou entre o lírico, o épico, o satírico e o confessional, sempre com uma voz vibrante e engajada. **Voz poética (pessoal, universal, fragmentada, etc.):** Sua voz poética podia ser pessoal e confessional, mas também buscava o universal e o representativo da alma brasileira. **Linguagem e estilo:** Linguagem rica, expressiva, com vocabulário amplo e imagética forte. Seu estilo é caracterizado pela densidade e pela capacidade de evocar sensações. **Inovações formais ou temáticas introduzidas na literatura:** Foi um dos precursores da linguagem coloquial na poesia e na prosa, e um dos primeiros a explorar temas genuinamente brasileiros com uma nova visão estética. **Relação com a tradição e com a modernidade:** Buscou conciliar a tradição literária com as novas propostas estéticas modernistas, criando uma obra de transição e inovação. **Movimentos literários associados (ex: simbolismo, modernismo):** Principalmente o Modernismo, mas com ecos do Parnasianismo e Simbolismo em suas primeiras obras. **Obras menos conhecidas ou inéditas:** Escreveu também peças de teatro e contos, e sua produção abrangeu também a pintura, com obras expostas em galerias.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico **Relação com acontecimentos históricos (guerras, revoluções, regimes):** Viveu durante importantes momentos históricos brasileiros, como a Semana de Arte Moderna, a Revolução de 1930 e o período do Estado Novo, posicionando-se de forma crítica em relação a alguns desses eventos. **Relação com outros escritores ou círculos literários:** Foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna e conviveu com importantes nomes da literatura brasileira, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Graça Aranha. **Geração ou movimento a que pertence (ex.: Romantismo, Modernismo, Surrealismo):** Pertence à primeira geração do Modernismo brasileiro. **Posição política ou filosófica:** Inicialmente engajado com ideais nacionalistas e culturais, teve uma trajetória política complexa, chegando a se filiar ao Partido de Representação Popular (PRP), de orientação fascista, nos anos 1940. **Influência da sociedade e cultura na obra:** A efervescência cultural de São Paulo, as transformações sociais do Brasil e a busca por uma identidade nacional foram fontes de inspiração constantes. **Diálogos e tensões com contemporâneos:** Participou ativamente dos debates estéticos de sua época, muitas vezes em posições controversas, como em sua aproximação com o fascismo em um determinado período. **Receção crítica em vida vs. reconhecimento póstumo:** Teve reconhecimento em vida, especialmente como um dos pais do Modernismo, mas sua figura e obra também geraram polêmicas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal **Relações afetivas e familiares significativas e como moldaram a obra:** Casou-se com a também escritora Neide Del Picchia, com quem teve filhos. A família foi um tema recorrente em sua obra. **Amizades e rivalidades literárias:** Manteve amizades com muitos artistas e intelectuais, mas também esteve envolvido em debates e, por vezes, em conflitos literários. **Experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos:** Enfrentou desafios pessoais e crises ao longo da vida, como muitos artistas de sua geração. **Profissões paralelas (se não viveu só da poesia):** Foi advogado, jornalista, professor e crítico. **Crenças religiosas, espirituais ou filosóficas:** Teve uma forte inclinação para o misticismo e o espiritismo, temas que frequentemente aparecem em sua obra. **Posições políticas e envolvimento cívico:** Sua trajetória política foi marcada por mudanças, incluindo um período de adesão ao fascismo, o que gerou controvérsias.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção **Lugar na literatura nacional e internacional:** É considerado um dos pilares do Modernismo brasileiro, com um lugar consolidado na história da literatura nacional. **Prémios, distinções e reconhecimento institucional:** Recebeu diversos prêmios literários e foi membro da Academia Brasileira de Letras. **Receção crítica na época e ao longo do tempo:** Sua obra foi amplamente discutida e analisada desde o Modernismo. Enquanto algumas de suas posições políticas geraram críticas, sua importância literária é inquestionável. **Popularidade vs reconhecimento académico:** Goza de reconhecimento tanto no meio acadêmico quanto entre leitores, sendo suas obras frequentemente estudadas e reeditadas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado **Autores que o influenciaram:** Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine, os parnasianos brasileiros. **Poetas e movimentos que influenciou:** Sua poesia influenciou gerações posteriores de modernistas e outros escritores brasileiros, especialmente pela sua liberdade formal e temática. **Impacto na literatura nacional e mundial e gerações posteriores de poetas:** Foi fundamental na renovação da linguagem poética brasileira e na afirmação de uma identidade literária nacional. **Entrada no cânone literário:** Com certeza, sua obra faz parte do cânone da literatura brasileira. **Traduções e difusão internacional:** Algumas de suas obras foram traduzidas para outros idiomas, mas sua difusão internacional é menor comparada a outros modernistas. **Adaptações (música, teatro, cinema):** "Juca Mulato" foi adaptado para o cinema. **Estudos académicos dedicados à obra:** Sua obra é objeto de inúmeros estudos acadêmicos, teses e dissertações.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica **Leituras possíveis da obra:** A obra de Menotti del Picchia permite leituras sob a ótica do nacionalismo, do misticismo, da crítica social e da busca por uma identidade brasileira. **Temas filosóficos e existenciais:** Aborda temas como a transitoriedade da vida, a busca por sentido, a relação entre o indivíduo e a coletividade. **Controvérsias ou debates críticos:** Sua filiação ao fascismo nos anos 1940 é um ponto de grande debate e controvérsia, que por vezes ofusca sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos **Aspetos menos conhecidos da personalidade:** Além de escritor e poeta, era também pintor e músico, demonstrando um talento multifacetado. **Contradições entre vida e obra:** A contradição entre seus ideais modernistas de liberdade e sua posterior aproximação com regimes autoritários é um ponto de reflexão. **Episódios marcantes ou anedóticos que iluminam o perfil do autor:** Sua participação ativa na Semana de Arte Moderna, com discursos inflamados e polêmicos, o tornou uma figura central do evento. **Objetos, lugares ou rituais associados à criação poética:** São poucos os relatos detalhados sobre rituais de escrita, mas a cidade de São Paulo e suas transformações urbanas frequentemente aparecem em sua obra. **Hábitos de escrita:** Era conhecido por sua dedicação à escrita e por sua participação ativa na vida cultural. **Episódios curiosos:** A forma como a "Semana de Arte Moderna" foi recebida pelo público e pela crítica, com escândalos e aplausos, é um dos episódios curiosos e importantes de sua carreira. **Manuscritos, diários ou correspondência:** Possui um acervo de manuscritos, diários e correspondência que são fontes importantes para o estudo de sua obra e vida.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória **Circunstâncias da morte:** Faleceu aos 95 anos, em São Paulo, de causas naturais. **Publicações póstumas:** Continuam a ser lançadas coletâneas e estudos sobre sua obra, garantindo sua memória e relevância.