RESSURREIÇÃO
Ficar pra sempre presa à laje
Cimentada à lápide, frio da pele morta
Gelo de pedra, úmido de chuva
Do inverno antecipado
Morte é gelada
A terra é fria
A morte cinza
Enquanto ela me sorria de lábios colados
Chorávamos tanto e quanto possível
A morte não me falou do vazio que viver é
Morte má, mazelas!
Vieram quase todos e alguns outros
E olhavam para o que não era ela
checavam meu sofrimento
Morto é frio
Morrer não é descanso
É um desespero só!
Seu corpo foi baixado aos poucos
Em menos de sete palmos
Sem terra, sem hinos e salmos
Na mão o celular para coisas urgentes
Um cigarro para depois do orgasmo
E nenhuma possibilidade de uso
Flores que não dão cor, nem perfume
Lágrimas que não significam vida
Nem limpeza do tempo que passou
Ela se foi
Deixou a mim como herança, na esperança da ressurreição!
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