Rosane Martins

Rosane Martins

n. 1961 BR BR

Escritora, advogada com abordagem holística e terapeuta somática, pós-Graduada em Gerontologia (Furb/SC) e em “Gerencia en Salud para Personas Mayores”. Fundadora do movimento Poetas Independentes na década de 80, presidiu o Conselho Municipal de Cultura de Blumenau por duas gestões.

n. 1961-10-17, Florianópolis

Perfil
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TEMPO DE INCERTEZAS

Governo meus indivíduos
Anátomo e enfermo por si
Políticos e psicóticos por mim

Intervenções e riscos palpáveis
Matriz de todos os não-saberes
Comum às minhas tecnologias

Governo meu desgoverno
Com cenas e dramas inéditos
Em racionalidades desérticas

Reestruturo-me em cada re-surgimento
Tecnológico que me transmuta e transforma
Requalifica-me e me concebe a cada dia

Entre a igreja e a tecnologia
Ergo-me e tenho apenas um poder
De saber quase nada de mim
Enquanto sabem todas minhas transações

O desenvolvimento científico me necessita
Como sistema, fincado nas grades de pedra
Mãos dolorosas penduram-se às celas cheias
E um canto choroso invade e domina sua reação

Elementos cognitivos impossíveis
de mutação e mudança em nosso saber
significantes e significados pouco
governo do eu, povo sem
Deus e homens sem forma!
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Biografia

Escritora, advogada com abordagem holística e terapeuta somática, pós-Graduada em Gerontologia (Furb/SC) e em “Gerencia en Salud para Personas Mayores” (OMS/OPS, México). Fundadora do movimento Poetas Independentes na década de 80, presidiu o Conselho Municipal de Cultura de Blumenau por duas gestões (2006/07). É autora de diversos livros, entre elas “Diário de uma aborrecente” (2007), “Martins ao Cubo” (livro-arte, 2008) e “Clio no Cio escritos livres sobre o corpo” (2010). É idealizadora e presidente do INSTITUTO AME SUAS RUGAS que atua com projetos sociais em prol do envelhecimento ativo, qualidade de vida e longevidade. É organizadora e co-autora dos livros “Ame suas rugas: viver e envelhecer com qualidade” (Nova Letra, 2006) e “Ame suas rugas: aproveite o dia” (Nova Letra, 2007), “Ame suas rugas: pois há muito por viver” (Odorizzi, 2008) e “Ame todas as Suas Idades” (Nova Letra, 2010), os últimos lançados e editados também em Portugal. É palestrante e conferencista internacional nos temas: gênero, feminismo, violência, velhice, qualidade de vida, longevidade, direito e cidadania, empreendedorismo entre outros.

Poemas

5

TEMPO DE INCERTEZAS

Governo meus indivíduos
Anátomo e enfermo por si
Políticos e psicóticos por mim

Intervenções e riscos palpáveis
Matriz de todos os não-saberes
Comum às minhas tecnologias

Governo meu desgoverno
Com cenas e dramas inéditos
Em racionalidades desérticas

Reestruturo-me em cada re-surgimento
Tecnológico que me transmuta e transforma
Requalifica-me e me concebe a cada dia

Entre a igreja e a tecnologia
Ergo-me e tenho apenas um poder
De saber quase nada de mim
Enquanto sabem todas minhas transações

O desenvolvimento científico me necessita
Como sistema, fincado nas grades de pedra
Mãos dolorosas penduram-se às celas cheias
E um canto choroso invade e domina sua reação

Elementos cognitivos impossíveis
de mutação e mudança em nosso saber
significantes e significados pouco
governo do eu, povo sem
Deus e homens sem forma!
561

NOITE E DIA

Seu dia é pouco para palavras vãs

Sua noite é contrário, contraste

E enquanto dorme ensurdece!
565

20 HERANÇAS

20 lembranças trago guardadas
no calabouço do homem.
Possibilidades de eu ser,
visibilidades construídas,
afagos cotidianos da palavra

20 lembranças trago em fortalezas
como se jóias fossem pedaços de gente
esquecidos nas máquinas
que constroem o consumo de hoje.
Avestruzes vorazes da palavra.

20 lembranças deixo esquecidas
porque constatações deixam feridas
abertas no tempo cotidiano.
Permissões para que vivamos mais,
alvarás sem validade, invisível.

20 lembranças me são herdadas,
em rolos de fumo na madrugada fria,
conserto de máquinas e teares,
costuras infinitas de sonhos,
de carteiras secas, vazias.
20 homens desfilam heranças.
Possibilidades articulares de tintas e sons.
Infinidades de conjugações reinventadas.
Tempo presente árido de rimas,
beija-flores que não mais me visitam

20 heranças deixo aqui depositadas,
Em urnas, espíritos de meu tempo sem sombra,
sem amigos, sem colheitas, nem galpões abrigados.
Sem sementes, terra irrigada, deus na contramão.
As palavras destruídas, homens destituídos de si!

Era assim.



575

RESSURREIÇÃO

Ficar pra sempre presa à laje
Cimentada à lápide, frio da pele morta
Gelo de pedra, úmido de chuva
Do inverno antecipado

Morte é gelada
A terra é fria
A morte cinza

Enquanto ela me sorria de lábios colados
Chorávamos tanto e quanto possível
A morte não me falou do vazio que viver é

Morte má, mazelas!

Vieram quase todos e alguns outros
E olhavam para o que não era ela
checavam meu sofrimento

Morto é frio
Morrer não é descanso
É um desespero só!

Seu corpo foi baixado aos poucos
Em menos de sete palmos
Sem terra, sem hinos e salmos

Na mão o celular para coisas urgentes
Um cigarro para depois do orgasmo
E nenhuma possibilidade de uso

Flores que não dão cor, nem perfume
Lágrimas que não significam vida
Nem limpeza do tempo que passou

Ela se foi
Deixou a mim como herança, na esperança da ressurreição!
541

ARDÊNCIA



Meu pulso segura dedos frágeis de carinhos
A pele, antes trêmula, jaz flácida!
Ardências antecipam o Natal
A vela queima a árvore
E a mulher incendiada!
545

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