Finjo que não ouço
Se finjo não ouvir aquela voz,
algoz que faz de mim o teu refém,
já vem a culpa, pois eu sei que após
a dor, talvez ouvir-te não convém.
Tentado a procurar-te, estar a sós,
há nós por desfazer, tu sabes bem.
Quisera só pensar que existem prós,
querida, e, para nós, que houvesse amém.
Mas finjo que não ouço o coração,
dizendo para que eu não seja louco
e esqueça do teu nome e do teu cheiro.
Procuro, mas não sei se quero, ou não...
Talvez, por isso faça ouvido mouco,
distante do que sei ser verdadeiro.
Nilza Azzi
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