Ode a minha amada por qualquer data inexpressiva
as horas
não serão possíveis
enquanto em tua boca
não vicejar o verbo
em que me ouço
e arrancarei
meus segundos
na inadiável felicidade
de perdurar em tua face
em qualquer tarde
e as datas
serão imprescindíveis
apenas para conter na sua forma
os risíveis instantes da vida
em que me entornas
nenhum tempo
constrangerá meu riso
à vista do teu corpo
as horas mais enormes
flutuarão
e comeremos o tempo
na frugal rebelião
de todos os insones
e ainda por muitos corpos
viajaremos amiúde
na exasperante dialética
de tudo aquilo que eu pude
e assim
por todos os momentos
as datas fluirão solertes
na ponta de nossos dedos
de teus olhos
fugirá a bruma
que embrulhará meu peito
e afagará meu sangue
e em tua veia
latejará impune
meu riso
de poeta amordaçado
calarei o sonho
com a noite em riste
e esquecerei que às vezes
algum poeta é triste.
não serão possíveis
enquanto em tua boca
não vicejar o verbo
em que me ouço
e arrancarei
meus segundos
na inadiável felicidade
de perdurar em tua face
em qualquer tarde
e as datas
serão imprescindíveis
apenas para conter na sua forma
os risíveis instantes da vida
em que me entornas
nenhum tempo
constrangerá meu riso
à vista do teu corpo
as horas mais enormes
flutuarão
e comeremos o tempo
na frugal rebelião
de todos os insones
e ainda por muitos corpos
viajaremos amiúde
na exasperante dialética
de tudo aquilo que eu pude
e assim
por todos os momentos
as datas fluirão solertes
na ponta de nossos dedos
de teus olhos
fugirá a bruma
que embrulhará meu peito
e afagará meu sangue
e em tua veia
latejará impune
meu riso
de poeta amordaçado
calarei o sonho
com a noite em riste
e esquecerei que às vezes
algum poeta é triste.
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