odes animais e variados informes
I
a raposa
pulsa o pânico
e engatilha o mêdo
em trânsito
ergue a vida
em decúbito
e alinhava a paisagem
quase em susto
II
de ser elefante
saiba-se escândalo
de carnes, paciência
e espanto
anônima tonelada
sonhe nos quilos já leve
os átomos frugais
de paquiderme
e arquitete a tromba
como andaime inato
de construir a paciência
no meu olho raso
III
garça já não seja
apenas tanto pássaro
mais um pedaço urgente
de beleza
lírica não esteja
gravada apenas lúdicamente
nas costas da natureza
IV
albatroz
não se infinite
como um verbo desgarrado
da laringe
teça seu vôo
em pauta mais unânime
e reverta meu sonho em desalinho
do tamanho exato do meu sangue
V
formiga
ninguém se obriga
a subir a vida
em descida
minúscula
ninguém escuta
nos trovões do peito
a maciez da luta
VI
quando tigre
raie a madrugada
no limite mais incauto
de toda sua plástica
e flua fartamente
qualquer sonho exausto
nos dias que se arquivam
nas paredes do seu salto
VII
mesmo leão
não me disponha
a permitir que me perca
em tudo que é sonho
e cultive o rugido
com pertinácia e conseqüência
em cada e qualquer grito
que parta da consciência
VIII
se tão corcel
palmilhe a estrada
com a vasta sofreguidão
da madrugada
e revolva caminhos
por quem andara
renhida a solidão
de quem não para
IX
assim rinoceronte
me custe a carapaça
em me cobrir de passos
amarrotados nos sapatos
e me construa lídimo
apesar de gasto
e que me seja tanto
apesar de parco
X
e adredemente humano
me rascunhe no horizonte
com os traços que a luta
escreva no meu sangue
a raposa
pulsa o pânico
e engatilha o mêdo
em trânsito
ergue a vida
em decúbito
e alinhava a paisagem
quase em susto
II
de ser elefante
saiba-se escândalo
de carnes, paciência
e espanto
anônima tonelada
sonhe nos quilos já leve
os átomos frugais
de paquiderme
e arquitete a tromba
como andaime inato
de construir a paciência
no meu olho raso
III
garça já não seja
apenas tanto pássaro
mais um pedaço urgente
de beleza
lírica não esteja
gravada apenas lúdicamente
nas costas da natureza
IV
albatroz
não se infinite
como um verbo desgarrado
da laringe
teça seu vôo
em pauta mais unânime
e reverta meu sonho em desalinho
do tamanho exato do meu sangue
V
formiga
ninguém se obriga
a subir a vida
em descida
minúscula
ninguém escuta
nos trovões do peito
a maciez da luta
VI
quando tigre
raie a madrugada
no limite mais incauto
de toda sua plástica
e flua fartamente
qualquer sonho exausto
nos dias que se arquivam
nas paredes do seu salto
VII
mesmo leão
não me disponha
a permitir que me perca
em tudo que é sonho
e cultive o rugido
com pertinácia e conseqüência
em cada e qualquer grito
que parta da consciência
VIII
se tão corcel
palmilhe a estrada
com a vasta sofreguidão
da madrugada
e revolva caminhos
por quem andara
renhida a solidão
de quem não para
IX
assim rinoceronte
me custe a carapaça
em me cobrir de passos
amarrotados nos sapatos
e me construa lídimo
apesar de gasto
e que me seja tanto
apesar de parco
X
e adredemente humano
me rascunhe no horizonte
com os traços que a luta
escreva no meu sangue
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