À Camarada Antônia
à Camarada Selma Bandeira, in memoriam
nem mais teu verbo
ressurgirá tão ávido
que recomponha tua carne
na pouquidão da tarde
ainda que as praças de Recife
guardem no seu átomo mais largo
os pedaços de rosa dos teus pulmões
esculpidos à pulso em palavras
ainda que nos olhos da gente
repouse teu retrato mais amargo
nem mesmo o fim conseguirá reter
o início lógico da madrugada
teus músculos
dilacerados em vão
pulsarão nos sonhos
que ainda trazemos nas mãos
nem mais teu verbo
ressurgirá tão ávido
que recomponha tua carne
na pouquidão da tarde
ainda que as praças de Recife
guardem no seu átomo mais largo
os pedaços de rosa dos teus pulmões
esculpidos à pulso em palavras
ainda que nos olhos da gente
repouse teu retrato mais amargo
nem mesmo o fim conseguirá reter
o início lógico da madrugada
teus músculos
dilacerados em vão
pulsarão nos sonhos
que ainda trazemos nas mãos
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