poema à vagina de minha bisavó
nem só na carne
há de viver em mim
o jeito mais urgente
que, em súbita descida,
pousou irremediavelmente
nos ombros da minha vida
minha bisavó
de vagina em punho
guardou todas as felicidades
e uma ternura incauta
de jogar sua carne pelo mundo
e, mulher, dizer-se operária
a construir estranhos edifícios
nos andaimes da alma
minha bisavó
talvez por desfastio
era um mar enviesado
fantasiado de rio
nada do que lhe nadasse
deixava de ser sentido
a delação de si ao mundo
era recado do infinito
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