Querer ser mulher
Fazes-me crer que não sou quase nada.
Mal sirvo para ser mulher, mãe ou namorada
Saí para ir às compras, entro em casa, assustada.
Na pior das hipóteses, esta noite sou violada.
Fazes-me crer que não sou quase nada.
Só me queria divertir, quando me abordaste à entrada.
“a p*ça serve para tudo” e eu não sirvo para nada.
Ninguém vai acreditar, acho que vou ficar calada.
Fazes-me querer acabar com a minha vida.
Não posso sequer sair à rua bem vestida.
Roubaste-me a voz e deixaste-me perdida,
Até quero fugir mas não encontro uma saída.
Fazes-me crer que não quero acordar
Num mundo onde a mulher não é livre de andar
Vestida como quer, com confiança no olhar
Sem nada a temer, sem traumas p’ra recordar.
Fazes-me crer que isto não é um problema.
Todas as queixas fazem parte de algum esquema.
Machismo, opressão, esturpo. É um dilema.
Quando saio à rua diz-me algo que eu não tema.
A verdade é que a mulher ainda sofre com o machismo.
Vivemos num mundo onde reina o patriarquismo.
Juntemos as vozes, quero provocar um sismo
Não vou viver, nem mais um dia, à beira deste abismo.
Mal sirvo para ser mulher, mãe ou namorada
Saí para ir às compras, entro em casa, assustada.
Na pior das hipóteses, esta noite sou violada.
Fazes-me crer que não sou quase nada.
Só me queria divertir, quando me abordaste à entrada.
“a p*ça serve para tudo” e eu não sirvo para nada.
Ninguém vai acreditar, acho que vou ficar calada.
Fazes-me querer acabar com a minha vida.
Não posso sequer sair à rua bem vestida.
Roubaste-me a voz e deixaste-me perdida,
Até quero fugir mas não encontro uma saída.
Fazes-me crer que não quero acordar
Num mundo onde a mulher não é livre de andar
Vestida como quer, com confiança no olhar
Sem nada a temer, sem traumas p’ra recordar.
Fazes-me crer que isto não é um problema.
Todas as queixas fazem parte de algum esquema.
Machismo, opressão, esturpo. É um dilema.
Quando saio à rua diz-me algo que eu não tema.
A verdade é que a mulher ainda sofre com o machismo.
Vivemos num mundo onde reina o patriarquismo.
Juntemos as vozes, quero provocar um sismo
Não vou viver, nem mais um dia, à beira deste abismo.
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