Quantificação da alma ou filosófica aproximação de tudo

primeiro
há o indício
de que a paz
é obra do ofício
e por assim disposta
não se há de tê-la avulsa
como se fora troféu
de qualquer disputa
antes é de vê-la
cerzida ao sacrifício
de construir de cada alma
um grande armstício

primeiro
há a constatação
de que o mundo é adrede
como a revolução
não lhe trai o munus
de ser assim evidente
como se fora adaga
que se cingisse aos dentes

primeiro há o desvario
de tentar numerar o cosmos,
a inconstância dos rios
e dá-se em científicos discursos
como se possível fora da alma
quantificar qualquer uso
e a mister tão avaro
dá-se o status absoluto
de parecer que a verdade
é matéria apenas de discurso
não que não haja indícios
de uma verdade relativa
que se teime em absoluta
quando em verbo se invista
pois por retratar a realidade
com uma certa parcimônia
lhe sobre essa completude
de tudo o que se sonha

primeiro
há a persistência
de que o homem nunca cabe
apenas na consciência
pois lhe sobra pelo jeito
uma vontade aguerrida
de não contar pela alma
os tempos todos da vida
é que lhe permite a razão
de ser assim inconstante
a simples determinação
de tudo que lhe é avante
pois lhe sobra a simplicidade
de ser um tanto complexo
e amanhar a liberdade
com um deságio completo

primeiro
há o contraponto
de toda contrafação
que teima em dizer do homem
os contrários que estão à mão
como se fosse um avesso
que chegasse a vão
pois é espaço avulso
no chão de cada pensar
como se fora um discurso
escrito assim pelo ar.
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