Esquisso de calçada
Sigo cauteloso,
Sem qualquer pretensiosismo no meu andar,
Por esta estrada que vou alongando,
Passo a passo,
Desde o primeiro suspiro.
Perdendo-me em mim,
Não mais sei por onde vou.
E como poderia saber,
Se a filosofia da estrada que percorro nunca é a mesma?
Contento-me em revisitar o meu diário de bolso,
Como personificação da vida,
E folheá-lo até à ínfima página,
Perscrutando-a até ao derradeiro ponto final.
Rege-se a sinopse da minha existência,
Pelo abraçar desta frágil certeza
De que a estrada por onde vou,
Não mais é que um esquisso de calçada
Que nem é esquisso nem é nada,
É uma moldura sem quadro
Que Deus a mim me confiou.
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