Em queda livre o corpo distende-se no lajedo
E no vácuo do tempo feroz aleatório e disruptivo
Ao redor de cada segundo perdido esfarela-se
O fluido de tantos, tantos lamentos cognitivos

Em queda a solidão encurva o vazio dos desejos esquivos
Desassossegados os sonhos amiúde alvitram um verso lascivo
Indigente extingue-se um grito anónimo, egoísta e tão intuitivo
Descalço cada uivo baila pelas artérias do silêncio mais inofensivo

Frederico de Castro
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