Meu pai ao amanhecer
abancava-se solito
com o chimarrão bendito
e seu rádio companheiro.
Mateava sem parceiro,
pois, eu, como um filho ingrato
não via naquele fato
um tesouro passageiro.

Aquela cena diária
com a figura paterna 
que eu julgava ser eterna
é página descartada.
Uma chance desgarrada
e perdida no passado.
Algo para ser lembrado
coa consciência pesada.

Pai, seu banquinho de cepa,
parceiro sempre ao lado,
jaz num canto abandonado.
E seu rádio companheiro
emudeceu por inteiro
no silêncio do galpão.
Cenário de tradição
do extremo sul brasileiro.

Hoje, porém, me arrependo
de não ter valorizado
este ritual sagrado
de tomar o chimarrão.
Por isso peço perdão
ao meu pai falecido
por nunca ter preenchido
sua triste solidão.

Poema publicado no livro "TCHÊ"
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