Indigente solidão

Indigente a solidão acontece derradeira e licorosa
Embebeda-se da noite trigonometricamente musculosa
Precisa, concisa e submissa mimoseia a escuridão tão portentosa
Numa cálice de orações inquietas esboça-se a fé mais espirituosa
Volatilizam-se lágrimas caindo no algeroz de uma carícia fervorosa
De corpo inteiro a solidão ordenha cada palavra fecunda e talentosa
Indigente a solidão prostra-se ao sabor das maresias tão melodiosas
Ébria de raiva esmaga-se no litoral das emoções mais artificiosas
Invisível apazigua um lamento contido na sinagoga das ilusões prodigiosas
Frederico de Castro
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Crises interiores
Nem toda tempestade
acontece
do lado de fora.
Algumas
aprendem
o caminho
da alma.
Chegam
sem aviso…
biamundal
A solidão também faz companhia
Há uma solidão que machuca.
É aquela que chega sem ser esperada,
ocupando o espaço das vozes, dos abraços, das presenças.
Mas ex…
biamundal
Luto: o amor que permanece
O luto não é apenas a ausência.
É o amor
que continua procurando quem já não pode ser encontrado.
É preparar uma palavra que nun…
biamundal
A tristeza que aprende a morar
A tristeza não chega pedindo licença.
Apenas entra.
No começo,
ocupa todos os cômodos.
Fecha as janelas.
Silencia a música…
biamundal