Cegueira
Um dia olhando o mundo, cego me senti
Não porque vagos meus olhos se tornassem
Foi como se ao sol as pálpebras fechassem
E cuidando ser noite, sem querer, adormeci
E na negra escuridão, como se a velassem
Das longínquas estrelas, cadentes, vi
Pelo fim da luz do mundo em que vivi
Lágrimas caírem, como se chorassem
Porém, quando desperto, tornei desse sono
E ao lúgubre infinito quis pintar cor
Lívido amanheci nesse abandono
Pois neste universo dolente, de fel e dor
Se em verso me couber tão triste outono
Poeta só serei, deveras, se acaso for!
Não porque vagos meus olhos se tornassem
Foi como se ao sol as pálpebras fechassem
E cuidando ser noite, sem querer, adormeci
E na negra escuridão, como se a velassem
Das longínquas estrelas, cadentes, vi
Pelo fim da luz do mundo em que vivi
Lágrimas caírem, como se chorassem
Porém, quando desperto, tornei desse sono
E ao lúgubre infinito quis pintar cor
Lívido amanheci nesse abandono
Pois neste universo dolente, de fel e dor
Se em verso me couber tão triste outono
Poeta só serei, deveras, se acaso for!
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