ÁRVORES CADENTES
O pai acompanhava-te em passeio
por um carreiro de árvores cadentes,
refúgio que não toldava o receio,
lugar onde vão parar os poentes.
Conseguia dizer-te que fermentos
forjam nas memórias o reduto
para onde se escoam os pensamentos,
num ritmo irreversível, absoluto.
Conseguia dizer-te as trovoadas
que destroem com lentidão o corpo,
que tornam difíceis as alvoradas
e fazem demorar o olhar absorto,
conseguia dizer-te com brandura
como invocar a saudade futura.
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