Coluna do meio
Sabe quando você se sente, meio assim, medíocre? Os dias passam, os anos passam e, de repente, os fios brancos já não são mais a minoria, já não é possível arrancar o intruso na raiz na esperança de que ele desapareça, também é aquela famosa fase em que a gente descobre nervos, dores e articulações que a casa do 20 escondia.
Pois, então, no cair da noite dessas descobertas a gente percebe que o tempo passou e que a vida ficou assim meio morna.
Eu me assustei quando deitei pra dormir e do nada descobri que não tinha mais sonhos, assim, numa noite qualquer arregalei os olhos, sentei na cama e me dei conta de que aquela menina cheia de possibilidades não almejava mais nada!
Sorte, hão de pensar os desavisados, só que essa não é a história de sucesso de alguém que conseguiu tudo o que queria e agora, na casa dos 35, não tem mais nada para conquistar.
Essa é a saga de alguém que traiu as próprias expectativas e deixou o que fazia seu coração bater mais forte se esconder em um emaranhado de horas.
Culpados? Muitos!
Cortem as cabeças do correr dos dias, da situação política do país [cof, cof], do medo do desemprego, das doenças, do machismo, da pressão por resultados e de um incontável número de algozes nossos de cada dia.
Fato é que quando o sono não vem e junto com ele a vontade de sonhar também desaparece não tem pra onde correr, é preciso dar um passo adiante ou para o lado, mas na coluna do meio não dá mais pra ficar.
Vai por mim, a coluna do meio é pior que o fundo do poço, é a ausência de possibilidades, é o zumbido no ouvido enquanto a caravana passa.
Lá não tem pulsão de vida nem de morte.
Eu não tenho certeza de qual é o caminho que leva até lá, mas tenho alguns palpites. Aquele relacionamento mais ou menos - seja ele qual for -, o emprego que mal dá pra pagar as contas e ainda adoece, as dores não curadas que ficaram pelo caminho, a busca pela validação alheia, passar por cima do que dói porque amanhã é outro dia, tudo isso vai minando devagar, gota a gota quem a gente já foi ou desejou ser algum dia.
Por isso, em noites como essa é preciso, aquietar, apagar as luzes, contar carneirinho por carneirinho e buscar aquela fagulha escondida no palheiro da alma. Essa chama quase apagada vai indicar o caminho de volta.
Pois, então, no cair da noite dessas descobertas a gente percebe que o tempo passou e que a vida ficou assim meio morna.
Eu me assustei quando deitei pra dormir e do nada descobri que não tinha mais sonhos, assim, numa noite qualquer arregalei os olhos, sentei na cama e me dei conta de que aquela menina cheia de possibilidades não almejava mais nada!
Sorte, hão de pensar os desavisados, só que essa não é a história de sucesso de alguém que conseguiu tudo o que queria e agora, na casa dos 35, não tem mais nada para conquistar.
Essa é a saga de alguém que traiu as próprias expectativas e deixou o que fazia seu coração bater mais forte se esconder em um emaranhado de horas.
Culpados? Muitos!
Cortem as cabeças do correr dos dias, da situação política do país [cof, cof], do medo do desemprego, das doenças, do machismo, da pressão por resultados e de um incontável número de algozes nossos de cada dia.
Fato é que quando o sono não vem e junto com ele a vontade de sonhar também desaparece não tem pra onde correr, é preciso dar um passo adiante ou para o lado, mas na coluna do meio não dá mais pra ficar.
Vai por mim, a coluna do meio é pior que o fundo do poço, é a ausência de possibilidades, é o zumbido no ouvido enquanto a caravana passa.
Lá não tem pulsão de vida nem de morte.
Eu não tenho certeza de qual é o caminho que leva até lá, mas tenho alguns palpites. Aquele relacionamento mais ou menos - seja ele qual for -, o emprego que mal dá pra pagar as contas e ainda adoece, as dores não curadas que ficaram pelo caminho, a busca pela validação alheia, passar por cima do que dói porque amanhã é outro dia, tudo isso vai minando devagar, gota a gota quem a gente já foi ou desejou ser algum dia.
Por isso, em noites como essa é preciso, aquietar, apagar as luzes, contar carneirinho por carneirinho e buscar aquela fagulha escondida no palheiro da alma. Essa chama quase apagada vai indicar o caminho de volta.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Jovem Emburrada.
- Vozes...Vozes...Vozes... me convidam - - para este domingo de treze de setembro - - de dois mil e vinte e seis - No entanto uma neblin…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Reminiscência CXXIX
brincando no tempo na chuva, no riso o menino via assim intimidade com o infinito molhando a vida diligente descobria apesar de triste a …
AurelioAquino
Love him
Love him
People
The same way
I love
My father
He is the one that
Had created you all
In his image
And in god’s ey…
Aldo gabbay kraas
quando a poesia termina
há uma chantagem despercebida quando a poesia termina fica a linguagem do dia a dia essa que sem roupas ou camuflagens fura como cristais…
Kátia Surreal