rivotrina87

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Coluna do meio

Sabe quando você se sente, meio assim, medíocre? Os dias passam, os anos passam e, de repente, os fios brancos já não são mais a minoria, já não é possível arrancar o intruso na raiz na esperança de que ele desapareça, também é aquela famosa fase em que a gente descobre nervos, dores e articulações que a casa do 20 escondia.

Pois, então, no cair da noite dessas descobertas a gente percebe que o tempo passou e que a vida ficou assim meio morna. 

Eu me assustei quando deitei pra dormir e do nada descobri que não tinha mais sonhos, assim, numa noite qualquer arregalei os olhos, sentei na cama e me dei conta de que aquela menina cheia de possibilidades não almejava mais nada!

Sorte, hão de pensar os desavisados, só que essa não é a história de sucesso de alguém que conseguiu tudo o que queria e agora, na casa dos 35, não tem mais nada para conquistar. 

Essa é a saga de alguém que traiu as próprias expectativas e deixou o que fazia seu coração bater mais forte se esconder em um emaranhado de horas.

 

Culpados? Muitos! 

Cortem as cabeças do correr dos dias, da situação política do país [cof, cof], do medo do desemprego, das doenças, do machismo, da pressão por resultados e de um incontável número de algozes nossos de cada dia.

 

Fato é que quando o sono não vem e junto com ele a vontade de sonhar também desaparece não tem pra onde correr, é preciso dar um passo adiante ou para o lado, mas na coluna do meio não dá mais pra ficar.

 

Vai por mim, a coluna do meio é pior que o fundo do poço, é a ausência de possibilidades, é o zumbido no ouvido enquanto a caravana passa. 

Lá não tem pulsão de vida nem de morte.

Eu não tenho certeza de qual é o caminho que leva até lá, mas tenho alguns palpites. Aquele relacionamento mais ou menos - seja ele qual for -, o emprego que mal dá pra pagar as contas e ainda adoece, as dores não curadas que ficaram pelo caminho, a busca pela validação alheia, passar por cima do que dói porque amanhã é outro dia, tudo isso vai minando devagar, gota a gota quem a gente já foi ou desejou ser algum dia.

Por isso, em noites como essa é preciso, aquietar, apagar as luzes, contar carneirinho por carneirinho e buscar aquela fagulha escondida no palheiro da alma. Essa chama quase apagada vai indicar o caminho de volta.

 

 

 

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Coluna do meio

Sabe quando você se sente, meio assim, medíocre? Os dias passam, os anos passam e, de repente, os fios brancos já não são mais a minoria, já não é possível arrancar o intruso na raiz na esperança de que ele desapareça, também é aquela famosa fase em que a gente descobre nervos, dores e articulações que a casa do 20 escondia.

Pois, então, no cair da noite dessas descobertas a gente percebe que o tempo passou e que a vida ficou assim meio morna. 

Eu me assustei quando deitei pra dormir e do nada descobri que não tinha mais sonhos, assim, numa noite qualquer arregalei os olhos, sentei na cama e me dei conta de que aquela menina cheia de possibilidades não almejava mais nada!

Sorte, hão de pensar os desavisados, só que essa não é a história de sucesso de alguém que conseguiu tudo o que queria e agora, na casa dos 35, não tem mais nada para conquistar. 

Essa é a saga de alguém que traiu as próprias expectativas e deixou o que fazia seu coração bater mais forte se esconder em um emaranhado de horas.

 

Culpados? Muitos! 

Cortem as cabeças do correr dos dias, da situação política do país [cof, cof], do medo do desemprego, das doenças, do machismo, da pressão por resultados e de um incontável número de algozes nossos de cada dia.

 

Fato é que quando o sono não vem e junto com ele a vontade de sonhar também desaparece não tem pra onde correr, é preciso dar um passo adiante ou para o lado, mas na coluna do meio não dá mais pra ficar.

 

Vai por mim, a coluna do meio é pior que o fundo do poço, é a ausência de possibilidades, é o zumbido no ouvido enquanto a caravana passa. 

Lá não tem pulsão de vida nem de morte.

Eu não tenho certeza de qual é o caminho que leva até lá, mas tenho alguns palpites. Aquele relacionamento mais ou menos - seja ele qual for -, o emprego que mal dá pra pagar as contas e ainda adoece, as dores não curadas que ficaram pelo caminho, a busca pela validação alheia, passar por cima do que dói porque amanhã é outro dia, tudo isso vai minando devagar, gota a gota quem a gente já foi ou desejou ser algum dia.

Por isso, em noites como essa é preciso, aquietar, apagar as luzes, contar carneirinho por carneirinho e buscar aquela fagulha escondida no palheiro da alma. Essa chama quase apagada vai indicar o caminho de volta.

 

 

 

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